O Senhor das Moscas

November 17th, 2002 § 13 comments

Essa semana eu li O Senhor das Moscas, o livro que deu a William Golding o Prêmio Nobel de 1983.

A história, muito conhecida, é sobre um grupo de garotos que, após um acidente aéreo, se vêem sozinhos em um ilha deserta no Pacífico, sem a presença de um adulto. Embora a premissa pareça simples, o livro faz uma análise profunda do caráter humano e da relação entre o homem e sociedade. O final, embora aparentemente anti-climático, também fecha com perfeição a proposta do livro, sendo totalmente coerente com a narrativa.

Golding também se mostra um mestre na arte da escrita. As descrições da ilha e das relações entre os garotos, além do fluxo geral da história, tornam a leitura muito agradável e envolvente e um bom uso de símbolos na narrativa fornece um estímulo mental ao leitor.

Em resumo, leitura recomendada.

§ 13 Responses to O Senhor das Moscas"

  • Adam Carlos Lenzi says:

    Assisti o filme na segunda-feira. achei muito interessante a quantidade de caracteristicas humana que se podem observar. percebemos que na sociedade desenvolvemos culturas, costumes, organização etc. mais o mais interessante é que mesmo na natureza isso também desenvolvido.
    só não consegui decifrar o porque do título “O Senhor das moscas”, se possível, gostaria que me ajudassem.
    grt.
    Adam

  • Ronaldo says:

    O livro é realmente muito interessante e possui uma riqueza de detalhes muito grande. Eu sabia que existia um filme, mas ainda não vi.

    Sobre sua questão, o título é a tradução literal do hebraico Beelzebub, um dos deuses/demônios mais malignos mencionados na Bíblia e sempre combatido pelos sacerdotes fiéis de Israel.

  • Priscila says:

    Ao contrário de você eu vi o filme, ainda não tive a oportunidade de ler o livro. Gostaria de saber que simbologia tem a fogueira, o porco, as danças da caça e o “monstro” que saõ citados a todo o momento e parecem ser muito significativos.

  • Maxsuell says:

    Assisti o file, e realmente é difícil entender o título, para mim o senhor das mosca é o monstro, pois a crianças caçadoras só tem medo dele e mais ninguém. Mostrou como a sociedade tem influência sobre as pessoas que estão a sua volta, vemos também desenvolvimento de culturas, organizações, costumes … para a eles aquela ilha se tornou um lar, pois a suas necessidades foram supridas.

  • Ricardo says:

    Ainda não terminei de ler o livro, mas é um retrato dramático daquilo que somos e de como agimos em nome do ego individual, cobertos pela espuma do ego social.

    Divirtam-se e leiam bons livros!

    Quando terminar faço um comentário se quiserem.

    Abraços.

  • Letícia says:

    Eu só li o livro, nunca assisti o filme.
    No livro, o ‘senhor das moscas’ é a caveira da 1ª porca q eles mataram e prenderam numa estaca.

  • Luis Henrique says:

    Aqui uma interpretação de alguns símbolos:

    Concha – lei e a ordem

    Fogueira – moralidade da vida antiga

    Carne – oposto da fogueira, é a satisfação imediata dos desejos. Ao matar o porco, estão matando a moralidade, simbolizada por Porquinho.

    Bicho ou monstro – o mal dentro de cada um de nós.

  • paulo says:

    sociologia

  • Alexandre Donizete says:

    Assiste o filme, mas não tive a oportunidade de ler a obra, mas fico me questionando se o filme tem algum aspecto jurídico. Peço encarecidamente se alguém puder me ajudar que o faça, que fcarei muito grato. Alexandre

  • daniel says:

    Assisti o filme e não li o livro.
    Na minha opinião trata-se de uma obra espetacular denunciando aquilo que Nietzsche teria mencionado anteriormente sobre o “demasiadamente humano” em nós.
    Uma saída interpretativa seria uma análise freudiana do filme. Totem e Tabu poderia ampliar as significações dos discursos dos grupos rivais.
    Se por um lado o personagem “Roger” busca a salvação do grupo através da implementação do reconhecimento da lei (pricípio de realidade), para um processo civilizatório interessante, o personagem “Jack” ludibria outros adolescentes através do princípio do prazer.
    Logo, na minha opinião, Golding foi capaz de passar toda a simbologia da existencia humana calcada na dicotomia pulsão de vida (construção) e pulsão de morte (desconstruçao), conceitos inerentes ao demasiadamente humano.

  • Carolina says:

    bom eu estou fazendo intercambio no canada… e tive que ler esse livro aqui!
    entao tivemos varias aulas sobre o assunto… se alguem tiver alguma duvida pergunte p/ eu poder tentar ajudar…
    AMEI A OBRA…
    comecei a assistir o filme… mas o filmado em 1963 eu acho…e tem coisas bem diferentes… por exemplo um aviao passa pela ilha, e nao um barco…
    mas enfim…

  • Raissa says:

    NA obra de William Golding, é um barco que passa na ilha….me explique esse avião.
    Eu acho que a concha é a democracia,
    Porquinho representa o adulto,
    Simon representa Deus,porque une Jack e Ralph e descobre que o bicho
    é o paraquedista e a carcaça do porco é o senhor das moscas (imaginário)e ainda morre pelos outros.
    Jack é o mal,
    e RogerŽsó não era mal porque existia uma sociedade que impunha um bom comportamento, mas depois que a ilha ficou descontrolada ele se revela.
    Ótimo livro.

  • Thiago Moraes says:

    O livro é excelso, da forma que imbui cada garoto como uma caricatura de sua posição da sociedade seja na ilha, seja na vida.
    Mas é complicado tornar cada personagem estanque, pois a cada momento, cada garoto assume características variadas de uma mesma raiz de comportamento. Mas todas extremamante humanas, seja Ralph, buscando a figura do pai, ou Porquinho, buscando a liderança segura de Ralph.
    Há três núcleos no livro, “Os caçadores”, “Ralph” e “Simon”.
    Mas o que é simplesmente incrível são os caçadores, eu buscaria uma explicação na teoria do “super-homem” do Nietzsche, que indica o que cada homem faz além de simplesmente atuar dentro da sociedade, como este mesmo se ressalta do coletivo. Ele necessita de um álibi. A possibilidade da impunidade. O que cria um herói “super-homem”? É a fuga dos prejuízos dos seus próprios atos. Inerente ao comportamento está a necessidade de escapar do fato.
    Os meninos do coral, ao pintarem os rostos, se transformavam em caçadores, não eram mais os meninos, eram o braço armado do grupo. Ao pintarem os rostos estavam imunes às punições ou repressões possíveis.
    Ralph, remonta a Weber, e o poder. O garoto loiro simplemente, agiu por ordem natural, e se ocupou do cargo de líder. Não há vácuo de poder, simplesmente, há um cargo a ser ocupado por alguém. A sua acensão atendia à necessidade de Porquinho de possuir um líder, este último se tornando um apêndice da personalidade de Ralph. Ele era o líder verdadeiro, e a concha era simplesmente a materialização de sua presença, por isso ela ficava com Porquinho. A necessidade de manter a fogueira acesa demonstra o vínculo que possuía com o pai. Pois seria o único baluarte do contato com o mundo exterior. Ralph, foi a mola propulsora do grupo, inclusive da cisão deste. Suas decisões unilaterais levaram os outros garotos a agirem por sua própria natureza, e foi isso que criou o grupo dos caçadores.
    E por fim, Simon, o espírito, o transcedente, o degregado. Simon sim, é o Senhor das Moscas, pois foi ele que mais se aproximou deste ente. O Senhor das Moscas é a natureza cruel do ser humano, segundo Hobbes, o homem é essencialmente mau e o “pacto social” minimiza esta tendência cruel.
    “tal qual um garoto que brinca com moscas, e as mata ao seu bel-prazer, ele brinca com as vidas dos homens” Não me lembro de onde é esta citação, mas simboliza o Senhor das Moscas, como a natureza cruel do homem, diante daquilo que pode destruir sem qualquer malefício a si próprio. Aldous Huxley fala allhures sobre isto.
    O paraquedista, hummmm…. ponto complicado. Eu acho que a figura indistinta, é o medo inominável, patológico, dauilo que não se entende, não se pode tocar.
    Eu li o livro já tem um tempinho, posso ter errado em alguma coisa.
    Aguardo contato.
    Felicidades a todos.

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