Ladrões bloqueadores de popups

November 25th, 2002 § 6 comments

Se você usa um navegador que é capaz de bloquear popups, você é um ladrão, de acordo com uma companhia chamada Anti-Leech.

A companhia fabrica vários “produtos” baseados na mais “alta tecnologia” que permitem que um site impeça a visita de usuários com bloqueadores de popups. Segundo a companhia, o bloqueio rouba os lucros justo que as empresas podem obter com anúncios.

Será que esse povo nunca aprende. Banners e popups não são mais uma forma rentável de anunciar. Uma pesquisa antiga já mostrava que menos que 0,5% das pessoas clicam nesse tipo de anúncios.

Bem, sites que me chamam de ladrão, não merecem que eu gaste o meu tempo visitando-os. Podem instalar o mecanismo. Vai ficar mais fácil saber onde tem conteúdo e onde só tem lixo.

§ 6 Responses to Ladrões bloqueadores de popups"

  • Bira says:

    Meu caro Ronaldo, há algo que é importante deixar claro.
    Um banner para ser efetivo não precisa ser clicado, o simples fato do visitante ver a logomarca, o nome do produto já é considerado como impacto.
    Foi criado errôneamente um conceito de que banner que dá resultado é aquele que é clicado. Isto é um grande erro.
    Veja bem;
    Quantas vezes você viu um comercial, se levantou, e foi a loja comprar um produto?
    Quantas vezes você passou de carro em frente a um outdoor, viu a propaganda, desviou seu caminho para um shopping e comprou o produto?
    Digo que nunca, ou quase nunca uma pessoa age assim.
    Portanto, não é justo, nem certo cobrar dos banners esta eficácia.
    O processo de consolidação de uma marca e de um produto na mente das pessoas se dá através da exposição constante, até que o desejo seja criado e a compra se efetive.
    Sendo assim, um banner é muito efetivo neste processo, você pode não clicar naquela hora, mas leu, guardou a mensagem, nem que seja no incosciente e ela ficará lá até ser despertada por uma outra ação deste anunciante, que se somará as demais já armazenadas por seu cérebro entendeu?
    Esta questão do bloqueio é bem mais complexa do que se possa imaginar !
    Um abraço meu caro !

  • Grande, Bira! Mais uma vez fala o homem do marketing :-) Eu sei da importância da marca, mas já foi demonstrado em estudos recentes que o usuário Internet criou uma certa resistência aos banners. A maioria das pessoas simplesmente não vê um banner. Ele está na página, mas o cérebro não registra. Daí a baixa relação entre views e click-throughs.

    Mas o maior problema com popups é o incômodo que representam. Existem sites que abrem vários de uma só vez. Eu, por exemplo, não me interesso por popup algum e na hora de comprar, sei o que quero e onde procurar. Mas, chamar alguém de ladrão por causa disso é um absurdo.

    E finalmente, a opção é do usuário. Se eu não quero ver banners, é minha escolha. Você pode até exigir que eu pague pelo seu conteúdo. Se não, não me entupa de popups, etc. Existe coisa mais desagradável do que acessar o site da Veja e ter um comercial tampando o conteúdo? Existe um produto nos EUA que é uma TV com um disco rígido, onde você pode gravar até 80 horas de programação. Os usuários desse sistema simplesmente pular os comerciais. Assim, o sistema está tendo que se adaptar. É o mesmo caso do Opera grátis.

    No final, existem opções alternativas. Pode-se respeitar o usuário e conseguir eficácia em marketing.

    Espero sua resposta :-)

  • Bira says:

    Meu caro Ronaldo, minha argumentação diz respeito ao processo de assimilação de uma propaganda, não as questões técnicas da pop up ou banner.
    Desculpe contradizê-lo, mas as as pessoas não clicam nos banners, mas elas os vêem sim, a não ser que ela esteja de olho fechado no momento em que se lê o cerébro já registrou, independente da lembrança consciente da pessoa.
    Lógico que quando as pessoas estão prédispostas a receber uma mensagem a propaganda é mais efetiva, mas mesmo neste caso que discutimos ela é muito eficaz, ela se complementa em outra ações.

    Abraço

  • Bira, amigo, eu também não estava discutindo questões técnicas, mas o incômodo que anúncios desse tipo representam e o fato de que as pessoas estão tão de saco cheio com isso que não querem mais saber, o que resultado em taxas baixas de click-through. Dê uma olhada no artigo abaixo[1] para mais informações sobre isso. E lembre-se que o artigo é antigo. A situação só piorou de lá para cá.

    E, dê experiência própria eu posso dizer que não vejo mais anúncios. Realmente não registro nenhum anúncio nas páginas que visto. E não sou um caso isolado. Veja o artigo que eu mencionei antes[2].

    O desagrado dos usuários com banners é tão grande, que existem pessoas que bloqueiam imagens ou Flashes de anúncios, que geralmente tem um tamanho padrão, direto no navegador. Existem softwares só para fazer isso, como o Junkbuster que impede que qualquer anúncio de uma fonte conhecida seja exibido. Se existe esse tipo de comportamento é porque algo está errado com o jeito de anunciar na Web. E isso é óbvio ao se pensar que a Web é diferente dos meios tradicionais. O usuário busca uma coisa diferente ao navegar.

    Um ponto final, como eu disse, há maneiras diferentes de se anunciar na Web sem se intrometer na vida do usuário grosseiramente, como alguns sites fazem[3]. O Google é um exemplo disso[2]. Procura no Google o termo “banner blindness”. É muito interessante.

    [1] http://www.useit.com/alertbox/9709a.html
    [2] http://www.useit.com/alertbox/20010902.html
    [3] http://www5.zdnet.com/anchordesk/story/story_1232.html

  • Bira says:

    Meu caro Ronaldo, a maioria esmagadora das pessoas veêm os banners, até pelo simples fato de poucos terem conhecimento teórico e depois técnicos sobre a possibilidade de bloqueá-los, extrapole as pessoas que são vidradas em informática, o universo a ser considerado é muito maior, se até mesmo os softwares que bloqueiam pornografia são pouco utilizados imagina uma que vai bloquear banner?
    Pense na maioria esmagadora, não feche o foco e me desculpe, a não ser que você trave a entrada de imagens no seu browser você vê banners sim, até porque vem crescendo o uso de banners que depois de um certo tempo de navegação eles saltam a sua frente e depois somem automaticamente, mesmo que você feche uma pop up para fechar você tem que olhar para ela.

  • Bira, Bira… Você está ignorando as questões que eu levantei :-) Você leu os artigos que eu passei? Procurou por “banner blindness”? Se você procurar o termo na Internet, vai ver que há estudos reais sobre o fato de pessoas (não estamos falando de usuários com conhecimento de informática, mas usuários quaisquer) ignorarem automaticamente banners em uma página. Um desses estudos mostrou que os usuários simplesmente ignoram (inconscientemente) qualquer parte da página que se pareça com banners (o que levou à recomendações em livros sobre evitar elementos de design muito coloridos e/ou animados que dão a impressão de comerciais). É um fato, não um especulação da minha parte.

    A analogia com pornografia é falsa já que a vasta maioria dos usuários de Internet se interessa e muito por pornografia. Já o bloqueio de banner é algo que você vê direto em páginas explicando, o que indica um interesse grande no assunto.

    Sobre os novos tipos de anúncio que você falou, eles são um recurso desesperado para tentar obter mais retorno, mas a persistência desse tipo de coisa vai causar os mesmos problemas.

    Bira, eu não estou criticando o marketing em si, mas o formato. Você está insistindo em uma definição de olhar que não bate com a minha. É claro que o olho vê, mas o cérebro não registra. Procure os estudos relevantes e você vai ver. Faça uma experiência se quiser. Você repara porque você é da área. Aplicando o mesmo raciocínio, a vasta maioria não é, e não está nem aí. Isso vem do fato de que quando você está navegando, você tem um alvo específico (pesquisa ativa), o que é diferente de ficar na frente da TV, quando você está simplesmente recebendo. Um dos estudos fala justamente sobre esse ponto. Outro fala que é a diferença entre cognição (Web) e emoção (TV), que é onde os anúncios funcionam melhor.

    Voltando ao ponto que eu queria chegar desde o começo, existem formas melhores de anunciar, como os anúncios textos do Google, que tem um eficiência muito maior que os banners gráficos.

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