Faça sua parte: doe sangue

January 31st, 2003 § 4 comments § permalink

O Cris Dias faz um apelo sobre um dos nossos deveres sociais: doar sangue. Por causa da falta de doadores, um hospital no Rio teve que adiar cirurgias hoje, e outras poderão ser adiadas também se o problema não for resolvido.

Infelizmente, isso acontece tanto por falta de informação e programas de conscientização quanto por desinteresse pessoal. Aqui em Belo Horizonte é raro ouvir sobre a necessidade de doações e mais raro ainda descobrir alguém que doe ativamente. O próprio Hemominas faz pouca propaganda — provavelmente por falta de verbas.

O meu sangue é A negativo, um tipo relativamente raro. Frequentemente eu sou convocado para a doação. Da última vez que estive lá, porém, fui impedido de doar por causa de um tratamento que estou fazendo. Depois do tratamento, ainda preciso esperar 45 dias para poder doar novamente.

Mas se você pode, faça agora. Se você mora em Belo Horizonte, ligue para o Hemominas (0800-310101) e agende a doação (pode ser online também). Você será priorizado quando chegar lá e o procedimento todo não demora muito. Se precisar, você pode obter um atestado válido comprovando a doação.

Faça sua parte: doe sangue.

Padronização versus robustez

January 30th, 2003 § 3 comments § permalink

Como todo esse papo que está rolando recentemente na Web sobre validação de XHTML, HTML e RSS, boas práticas e coisas similares, algumas vezes tem-se um pouco de esperança de que as coisas melhorem do ponto de vista do desenvolvimento. Mas um coisa que freqüentemente é esquecida é que o ser humano é avesso a padronizações. Não classificações, mas padronizações.

Navegando hoje, encontrei uma relíquia dos tempos perdidos da Internet: um e-mail de 1993 por Marc Andreessen, um dos pais do Netscape, respondendo a uma questão de um dos usuários do Mosaic, o navegador em que ele trabalhou antes de criar o Netscape. O usuário criticava o fato do Mosaic aceitar construções inválidas. A resposta de Andreessen foi que as pessoas deveriam parar de reclamar da robustez do mesmo. O usuário ainda pedia que fosse implementada uma função no programa notificando sobre erros na marcação. A isso Andreessen respondeu que sua empresa não tinha tempo, dinheiro ou motivos para fazer tal implementação.

Soa familiar? E de fato, é. Já naquela época, quando os padrões ainda estavam nascendo, era uma qualidade do produto o fato do mesmo ignorar erros e aceitar o que desse e viesse. Isso não representa, necessariamente, um repúdio aos padrões. É simplesmente uma filosofia condizente com a realidade do mercado.

Não estou, claro, dizendo que desenvolvedores não devam se preocupar com a qualidade do que geram. Pelo contrário, o desenvolvedor deve procurar fazer o máximo para produzir a melhor saída possível, qual seja esta.

Um dos princípios de aplicações polidas é que as mesmas são taciturnas sobre os seus problemas pessoais. Elas devem simplesmente lidar com erros sem incomodar os usuários. Programas antendem necessidades do usuário, não o inverso.

Embora esses métodos impliquem em mais trabalho para o desenvolvedor, eles resultam também em mais liberdade e funcionalidade para aqueles que usufruem das ferramentas desenvolvidas. Parece um ponto de vista altruísta, mas não é. Novamente, é uma filosofia condizente com as realidades no mercado. A aplicação mais flexível é a aplicação com mais usuários, e que, conseqüentemente, tem mais mercado.

É claro que qualquer um prefere receber meus dados em XML bem-formado. Mas a menos que o desenvolvedor esteja no controle do ambiente em que as transações se processam — o que, diga-se de passagem, é extremamente incomum — não há outra alternativa a não ser lidar com isso.

E à medida que tecnologias crescem, elas tendem a sair do controle. Uma aplicação rodando em uma rede interna pode escapar de problemas até que seja necessário fazê-la interagir com sistemas de terceiros. E como isso acaba sempre acontecendo, o melhor é não assumir uma entrada perfeita desde o princípio.

Assim, embora padrões sejam necessários eles não devem barrar o desenvolvimento da tecnologia. Não há sentido em fazer progresso tecnológico quando não há resultado para o usuário. O perigo de buscar a perfeição tecnológica é acabar sendo chutado do mercado. Esse foi um dos erros que, ironicamente, a própria Netscape cometeu mais tarde. Jogaram um código terrível e cheio de problemas, mas funcional, por um sonho padronizado que até hoje não se concretizou.

Existe um velho postulado na informática conhecido como Princípio da Robustez, declarado na especificação TCP/IP. Ele diz: “Seja conservador no que você faz, e liberal do que você aceita”.

Em suma, adapte-se. Ou caia fora.

Microsoft vs. SQL Slammer

January 29th, 2003 § Comments Off § permalink

O jornal online The Register tem um artigo interessante sobre memorandos internos da Microsoft detalhando a luta da companhia para conter a infecção do verme que atacou SQL Servers no sábado passado.

O artigo mostra que a correção para o problema é um tanto difícil de ser aplicada, e isso pode explicar porque tantos administradores não a instalaram — juntamente com o fato de que service packs da Microsoft geralmente causam efeitos colaterais. Obviamente, isso não é desculpa para jogar esse problema em cima da Microsoft. Se você escolhe a plataforma, a responsabilidade de lidar com os problemas da mesma é sua.

De qualquer forma, eu acho que um dos pontos fortes do código aberto está justamente na questão de manter a plataforma em boas condições. Historicamente, as respostas deste a problemas de segurança sempre foram melhores que as do código fechado. Da mesma forma, usuários de código aberto costumam ser mais conscientes na hora de manter os seus sistemas atualizados por causa de uma maior conscientização em relação à segurança e à melhor qualidade dos patches.

Agora, eu me pergunto quem levará a culpa da próxima vez quando outro programa desse tipo atacar e nenhum remédio estiver disponível.

Equipe à venda

January 29th, 2003 § 2 comments § permalink

Coisas que só acontecem na Internet mesmo: toda a antiga equipe do ZDNet Tech Update está disponível para venda no eBay. O anúncio do leilão diz:

A equipe completa do ZDNet Tech Update, antigamente uma divisão vital de um dos dez maiores sites da Internet em termos de tráfego, está atualmente disponível para implementar instantaneamente sites Web profissionais ou revistas impressas.

A última aposta estava em US$ 8.50, e interessados tem os três próximos dias para se manifestarem. Primeiro foi uma cidade. Agora, pessoas? O que vem depois? Um país?

Atualização: Parece que tudo não passou de uma brincadeira.

Símbolos

January 28th, 2003 § Comments Off § permalink

Sempre ficou em dúvida sobre o que um símbolo gráfico qualquer significa? O site Symbols.com oferece explicações sobre o significado, usos e história de mais de 2500 diferentes símbols divididos em 54 grupos, incluindo vários ícones históricos como o representando paz e amor.

O site também possui uma pesquisa pelas características do símbolo. Por exemplo, pode-se encontrar símbolos assímetricos, fechados, com linhas retas que se cruzam. Alternativamente, pode-se pesquisar por um índice de palavras.

Escala no Tempo

January 27th, 2003 § Comments Off § permalink

Escala no Tempo é um livro fantástico pelo grande mestre da ficção científica Robert Heinlein (o autor de Tropas Estrelares e Um Estranho em Terra Estranha). Escrito nos anos 50, o livro é bastante datado em termos tecnológicos, mas a estória mais do que compensa esses pequenos problemas.

O livro é narrado em primeira pessoa por seu personagem principal, Dan Davis, um engenheiro hiper-criativo que inventou entre outras coisas um robô capaz de realizar completamente as tarefas de casa sem intervenção humana. Tudo vai bem em sua rota para o sucesso até seu sócio e sua noiva decidem enganá-lo por ganância. Insatisfeito com a vida, ele decide dormir o Grande Sono, que é uma forma de suspensão criogênica, por 30 anos. Porém desiste dessa idéia para se vingar daqueles que o passaram para trás. Essa vingança falha e ele acaba sendo posto para dormir contra sua vontade. Mas o futuro reserva surpresas não só para ele, mas também para seus antigos inimigos.

Esse é um dos meus livros preferidos de ficção científica, apesar de sua idade. Embora a maioria dos personagens sejam bem unidimensionais, Heinlein consegue manter a estória interessante o suficiente para que isso seja ignorado. O final é muito bem bolado e interessante. Para aqueles que gostam de felinos, como eu, um dos destaques do livro fica por conta do gato de Davis, parte importante da estória.

Resumindo, é um livro para se ter em uma coleção de FC. Simples, mas uma estória muito bem contada.

Criando um compilador

January 27th, 2003 § 3 comments § permalink

Para programadores — especialmente os que como eu são fascinados por linguagens de programação e compiladores — segue um dica: Inger é uma linguagem parecida com C desenvolvida para ilustrar o processo de criação de compiladores. Melhor ainda, um livro sobre o mesmo foi escrito e ambos, compilador e livro, estão disponíveis para download na página do projeto.

Um dia a casa cai

January 25th, 2003 § 2 comments § permalink

Chego em casa para descobrir que a Internet sofreu um massivo ataque DDOS. Eu não sei o que é pior: o ataque ser feito utilizando um falha em um produto da Microsoft, o fato de que tantos servidores inseguros existem esperando ser utilizados por causa de incompetência tanto dos administradores quanto por causa da má qualidade dos aplicativos Microsoft em geral, ou saber que daqui a alguns dias tudo vai estar esquecido.

E se continuar assim, não vai demorar muito para a situação ficar pior. Se esse ataque conseguiu, pelo visto, desabilitar cinco dos treze servidores raiz do DNS, um próximo ataque que consiga derrubá-los totalmente não seria muito improvável em um futuro próximo. Principalmente considerando que ataques desse tipo tem de tornado cada vez mais comuns.

Fragilidade

January 24th, 2003 § 6 comments § permalink

Uns dos erros mais comuns que cometemos é acreditar que determinadas coisas nunca acontecerão conosco. Com a violência é sempre assim. Por mais que leiamos jornais, ela sempre parece distante até que nos atinge pessoalmente.

Hoje, eu voltei para casa do trabalho e poderia não ter encontrado minha esposa aqui. Juntamente com uma amiga, ela foi roubada sob a mira de um revólver e por pouco não foi seqüestrada. As duas haviam passado a tarde juntas, e essa amiga viera trazer a minha esposa em casa. Quando chegaram na nossa porta, ficaram alguns minutos conversando dentro do carro. Foi quando três jovens apareceram e ordenaram que as duas saíssem do carro e entregassem os pertences. Obviamente, você pode imaginar com os fatos de desenrolaram nesses minutos. Os rapazes estavam muito nervosos, e também mandaram que minha esposa e sua amiga se sentassem no banco de trás. Afortunadamente, minha esposa consegui convencê-los a deixá-las ir. Nem mesmo ela sabe como conseguiu isso. Os ladrões então entraram no carro e desapareceram. Graças a Deus, o pior passara.

No momento em que escrevo isso, já se passaram várias horas desde que o roubo aconteceu. Minha esposa está mais tranqüila, já deitada. O prejuízo do carro será coberto pelo seguro, embora este não compense para essa amiga o medo passado e as dores de cabeça que virão agora procurando regularizar a vida, já que as bolsas das duas foram levadas com os documentos. No caso de minha esposa, além dos documentos e do celular, nada mais importante estava na bolsa. Ela não anda com cheques ou cartões. “Pelo menos o celular estava estragado, e a bolsa era velha”, ironizou ela.

É estranho pensar como as coisas estão agora. Durante quase toda minha vida eu morei nessa mesma região da cidade. Mudei de casa algumas vezes, mas, com a exceção de dois anos em outra parte da cidade, sempre estive em algum ponto de dois bairros próximos. Quando eu era criança, a rua onde eu morava era uma das mais tranqüilas do bairro. Os únicos carros que passavam eram os dos moradores, e assaltos eram desconhecidos. Eram algo que quase só se via na TV. Quando minha esposa e eu nos casamos, escolhemos um casa do lado da nosso igreja, que fica em um bairro vizinho, para tornar mais fácil o nosso trabalho na mesma. A rua também sempre foi muito tranqüila, e os problemas sempre pequenos. Até agora. O policial que fez a ocorrência disse que, na verdade, o índice de assaltos dessa região vem crescendo alarmantemente

Eu agradeço a Deus por ter tudo terminado bem. Embora o pensamento de que um estranho agora tem as chaves da minha casa seja assustador, sei que posso confiar na provisão divina. E há sempre uma lição a tirar do que passamos. Depois de um evento assim, as perspectivas da vida normalmente se tornam mais nítidas. Fica mais fácil pesar aquilo que fazemos. Nesses momentos, sentimos na pele o velho clichê: a vida é realmente frágil.

Mas frágil que seja, ela continua. Com a graça de Deus.

“E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8.28)

Atualização: Boas notícias! O carro foi encontrado pelo polícia. Foi abandonado após ter sido usado para um assalto em uma cidade vizinha. A maioria das coisas roubadas foram achadas também. A bolsa e o celular não, mas os documentos e o óculos sim. Graças a Deus!

Paródias

January 24th, 2003 § 1 comment § permalink

Duas divertidas paródias para os geek de plantão: Switch to Linux (da campanha da Apple) e Linux: Over 34% more geeky than any other operating system.

Where am I?

You are currently viewing the archives for January, 2003 at Superfície Reflexiva.