Horizonte Perdido

February 25th, 2003 § 3 comments

Semana passada reli Horizonte Perdido, de James Hilton, uma das clássicas utopias descritas na literatura. De fato, o local em que a estória se passa, Shangri-Lá, tornou-se, graças a um filme de Frank Capra baseado no livro, um sinônimo próprio de Utopia, ao lado de Pala e tantos outros locais similares descritos em incontáveis livros.

A estória é relativamente bem conhecida. Para os que nunca ouviram falar, o livro narra a aventura de quatro pessoas (um americanos e três ingleses) que ao escaparem de uma revolta em terras indianas, descobrem que o avião que deveria estar transportando-os de volta à Inglaterra foi raptado e está sendo levado para um local desconhecido. O vôo termina nas altas montanhas do Tibet onde, após um pouso brusco, o piloto morre e os quatro companheiros sequestrados são deixados à própria sorte para tentar sobreviver e retornar à civilização. Nesse momento, porém, aparece o misterioso Chang que os convida a visitar um monastério nas vizinhaças. Sem muito opção, os viajantes concordam e em algumas horas se defrontam com o idílico vale de Shangri-Lá, onde depararão com segredos espantosos.

Sem contar o final do livro, basta dizer que a estória é mais sobre a perda da utopia e as contradições humanas na busca da mesma do que uma pregação sobre os benefícios de tal sociedade, como ocorre na maioria dos livros que tratam do tema. Ainda assim, o livro segue o padrão clássico em que um personagem descreve a outro as características da sociedade através do usual infodump. Fiel ao contexto em que foi escrito, o livro ainda avisa contra a luta humana pelo poder que poderia eventualmente acabar destruindo a própria civilização.

Embora eu tenha gostado do livro, alguns pontos fracos me chamaram a atenção. O mais forte é em relação aos personagens que me pareceram um tanto ou quanto superficiais. O personagem principal, Hugh Conway, ainda escapa um pouco da unidimensionalidade, mas acaba sendo tão fracamente caracterizado quando os demais no final da história. Desse modo, embora o livro consiga construir a atmosfera local de Shangri-Lá, as interações dos personagens soam um pouco forçadas.

Não vou entrar em detalhes sobre a filosofia apresentada no livro por que acho que cada leitor deve tirar suas própria conclusões em relação ao que o autor mostra. Apenas como ilustração, reproduzo aqui a fala de um personagem que resume completamente a mesma: “Nós governamos como moderada rigorosidade, e em retorno ficamos satisfeitos com uma obediência moderada. E eu acredito poder dizer que nosso povo é moderadamente sóbrio, moderadamente casto e moderadamente honesto.”

Para resumir, embora o livro tenha seus defeitos, é uma leitura agradável e Hilton consegue conduzir o leitor pelo caminho que ele propõe. Mesmo com personagens pouco convincentes em determinadas partes, é possível sentir o encanto de Shangri-Lá e simpatizar com os acontecimentos do livro. De qualquer forma, como mencionado anteriormente, o livro é uma das utopias mais conhecida e assim, leitura obrigatória para qualquer amante das letras.

§ 3 Responses to Horizonte Perdido"

  • PEDRO ALBEIRICE says:

    cONCORDO COm as posturas do comentário de 25 fev 03.

    Acabo de rever o filme colorido. O de Frank Capra (1937) é mais arte enquanto cinema. O dos anos 70 é mais arte enquanto música, pois Burt Bacharach dá um show.

    Abraços aos amigos.

    PEDRO ALBEIRICE,
    doutor em Literatura

  • Comecei a ler Horizonte Perdido hoje. Po enquanto só li o prólogo, mas estou ansiando por saber mais sobre a história dessa figura que é o Conway.

    Beijos e viva a literatura!

    rê ;D

  • josé adriano da silva mendes says:

    gostei,muito,deste,filme

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