Degree Confluence Project

April 29th, 2003 § 6 comments § permalink

O Degree Confluence Project é uma interessante iniciativa de recolher “amostras” da Terra através de uma mapeamento dos locais de confluência inteira entre latitude e longitude, ou seja, pessoas visitando, relatando e fotografando os locais onde os meridianos e paralelos se cruzam na superfície do planeta. Obviamente foram excluídas as confluências em oceanos e em parte dos locais próximos aos pólos, mas ainda assim são mais de 13 mil locais para visitar. As fotografias e relatos são bem interessantes.

Só no Brasil são 728 locais, dos quais apenas 62 foram visitados. No estado onde eu moro, Minas Gerais, são 53 confluências das quais 10 foram visitadas. Seria até interessante tentar chegar em alguma confluência aqui perto de Belo Horizonte, mas eu não tenho um GPS e os locais parecem ser de difícil acesso. Mas para quem gosta de geocaching, é uma boa pedida. :-)

Vida, ironia é seu nome

April 29th, 2003 § 4 comments § permalink

Meu interesse por política sempre foi pequeno. Desde que comecei a acompanhar as eleições, nos tempos idos da minha infância, o que mais me chamava a atenção não eram as promessas eleitorais, e sim as estatísticas pré- e pós-eleições. Eu sempre fui mais curioso quanto aos aspectos matemáticos do processo do que quanto aos seus aspectos político. Um outro interesse era recolher a maior quantidade possível de santinhos, que antigamente podiam ser usado como blocos de anotações por terem o verso em branco. Hoje em dia, nem para isso eles servem mais. Mas estou me perdendo. Voltando ao assunto, atualmente meu interesse continua pequeno. Como muitos outros brasileiros, eu discuto os assuntos, procuro acompanhar as grandes mudanças na medida do possível e tento votar corretamente, mas continuo não tendo muita curiosidade quanto aos detalhes infindáveis do panorama político nacional.

Assim, eu acompanhei mais ou menos as tentativas da esquerda de eleger um presidente ao longo das últimas décadas. E como a esquerda sempre foi bem ativa, não era possível deixar de notar a propaganda da mesma mesmo que eu não me interessasse muito em discutir os prós e contras de suas propostas. E, notando a propaganda, também foi fácil notar os mantras constantes repetidos na mesma como “Abaixo o governo neo-liberal escravo do FMI”, “Fora com FHC”, “Morte aos que estão vendendo o Brasil para os Estados Unidos”, e coisas similares. Essas frases sempre me causaram um certo divertimento já que eram apenas artifícios de manipulação da própria esquerda sobre sua massa seguidora ignorante. Não que a direita seja melhor, é claro; eu me divertia é com o entusiasmo com que as pessoas repetiam isso sem nem mesmo questionaram as coisas implícitas nessas afirmações.

O tempo passa e o Brasil elegeu um presidente de esquerda, após anos de tentativas. Embora esse fato não tenha sido uma surpresa, dadas as condições do país antes das eleições, eu ainda me espanto em ver como as pessoas esperam tanto que o governo Lula seja diferente. Tudo bem, ele ainda tenho quatro anos para provar se é diferente, mas os sinais não são muito animadores. As promessas de um salário mínimo de 1000 reais já estão há muito esquecidas, e as justificativas para um salário de apenas 240 são as mesmas que a esquerda criticava duramente nos outros governos. Embora seja claro que só um tolo acreditaria em tais promessas. (Falando nisso, eu acho que vou tentar entrar do programa Fome Zero. Do jeito que as coisas estão, isso pode representar a salvação do meu orçamento mensal.)

Então, vindo para o trabalho hoje, de ônibus, eu reparei na conversa entre o cobrador e um outro colega seu sentado em um banco ao lado. O cobrador estava mostrando ao colega um jornal do Sindicato dos Rodoviários que continha uma nota sobre o recente acordo entre o Sindicato e os patrões em relação ao aumento de salários dos funcionários do transporte urbano, que inclusive resultou em um insosso aumento na passagem dos ônibus aqui em Belo Horizonte. Eu não pude ver a matéria, embora estivesse logo atrás do segundo cobrador, mas uma frase maior se destacou na página: “Abaixo o governo Lula”. Não é possível deixar de reconhecer a ironia dessa frase. Singela, e colocada entre as outras informações do jornal, ela mostra que trilhamos um longo caminho para chegar até aqui, percorrendo um círculo completo na política brasileira. As ironias são realmente uma parte da vida.

Pois é, o tempo passa, mas como um velho sábio disse: “Não há nada de novo sob o sol. Tudo o que é, já foi. E tudo o que será, também já foi. Tudo é sem sentido”. O rei está morto, longa vida ao rei!

Caching no MovableType

April 25th, 2003 § 4 comments § permalink

Gavin Estey acabou de soltar um novo plugin para o MovableType que permite fazer um cache de partes de um template, resultando em uma geração mais rápida das páginas estáticas. Para quem usa muito outros plugins ou precisa reconstruir muitas páginas quando um novo item é postado em seu blog, esse plugin é uma boa opção.

O Mundo como um Blog

April 24th, 2003 § 2 comments § permalink

The World as a Blog é um uso genial de RSS, geo-informação e das notificações de mudança do Weblogs.com.

C# Builder

April 24th, 2003 § Comments Off on C# Builder § permalink

Essa semana, a Borland liberou mais algumas informações sobre o projeto Sidewinder, sua ferramenta de desenvolvimento para a plataforma .NET baseada na linguagem C#. A ferramenta, cujo nome oficial é C# Builder, será parte de um pacote de ferramentas futuro cuja intenção é integrar todas os estágios do desenvolvimento de aplicações, incluindo a modelagem.

No site da empresa pode-se agora ver uma pequena demonstração da ferramenta. A demonstração é basicamente uma amostra do próprio ambiente de desenvolvimento e não esclarece muita coisa sobre o mesmo. Provavelmente a demonstração é mais voltada para a chefia das empresas do que para os desenvolvedores em si. O ambiente é muito similar ao do Delphi e do próprio Visual Studio para .NET e ainda permanecem para serem vistas as supostas diferenças que farão do C# Builder um competidor válido para estes, considerando que a nova versão do Delphi, cujo codinome é Octane, também suportará o desenvolvimento na plataforma da Microsoft através de uma nova versão da linguagem.

Eu sou um fã da Borland desde o Turbo Pascal 5.5, mas as últimas versões de suas ferramentas tem realmente decepcionado. No Delphi por exemplo, houve pouquíssimas evoluções reais na linguagem a partir da versão 5 e os acréscimos ficaram mais por conta de ferramentas agregadas ao ambiente de desenvolvimento (como a adição do Bold ao Delphi 7). E, mesmo assim, essas adições têm ficado concentradas em versões mais completas da ferramenta que não são financeiramente acessíveis a desenvolvedores independentes, como é o caso da versão Enterprise que, no Brasil, chega a custar quase 10 mil reais. Além disso, a Borland está removendo funcionalidades das versões menores mostrando que o novo alvo da empresa são as empresas de maior porte. Eu, por exemplo, possuo o Delphi 6 Professional, mas não tenho a menor intenção de fazer o upgrade já que o pacote equivalente na versão 7 me oferece menos do que eu tenho hoje.

De qualquer forma, tomara que as novas ferramentas da Borland e as novas versões das antigas tenham inovações reais e possam apresentar uma vantagem competitiva real em relação às ofertas equivalentes da Microsoft, criando um mercado mais interessante, mesmo que este seja apenas voltado para médias e grandes empresas.

Dieta para hackers

April 23rd, 2003 § Comments Off on Dieta para hackers § permalink

Programadores tendem a, digamos, possuir mais massa corporal do que o necessário. 😉 Obviamente, com o tipo de vida sedentária que geralmente levamos fica difícil manter um peso saúdavel. Eu mesmo estou uns quatro quilos acima do que seria considerado o normal para minha altura e constituição muscular. (Na verdade, o caso é pior: como eu não me exercito regularmente há muitos e muitos anos, a migração de células adiposas para a região diretamente abaixo de meu tórax se encontra em um estágio bem avançado.)

Bem, não há jeito de resolver o problema sem dieta e exercícios. E considerando a quantidade de dietas malucas por aí, contraditórias e cheias de inverdades, fica difícil pensar em começar alguma coisa do tipo.

O caso é que, ontem, checando as notícias no meu agregador RSS, encontrei uma dieta feita por um hacker para hackers. O criador é ninguém menos que John Walker, o fundador e ex-presidente da AutoDesk. Embora eu tenha um horror natural a dietas, essa parece ser interessante pela sua simplicidade. Olhando o site, a dieta parece aplicar apenas princípios comuns e conhecidos.

Segundo Walker, ele criou a dieta por causa de seu próprio problema de obesidade. Como ele já é bem-sucedido e rico, dificilmente sua motivação seria ganhar dinheiro com um esquema qualquer. E, para resolver de vez essa questão, os textos explicativos e o material relacionado são grátis. E, ao contrário da maior parte dessa “dietas” milagrosas, Walker diz que o seu plano não é fácil de ser seguido; é necessário força de vontade.

Um outro ponto intessante é que, como Walker é um cientista, ele se aproxima do problema com um visão analítica que realmente faz sentido. E, pelo menos para ele, o plano deu resultado.

Realmente interessante. Vou ter que dar uma olhada melhor no site.

TypePad

April 23rd, 2003 § Comments Off on TypePad § permalink

Six Apart, a companhia fundada pelos criadores do MovableType acaba de anunciar a criação de um novo serviço de hospedagem de blogs: o TypePad. O serviço, que deve entrar em beta público em maio próximo, usa o MovableType para criar uma plataforma de uso fácil tanto para blogueiros iniciantes como para os mais experientes.

Pelo visto vai ser um serviço muito interessante. O anúncio fala numa extensão da plataforma com novas características como: mecanismos de customização de templates, melhorias na integração de conteúdos de multimídia, um construtor de blogrolls e um criador de listas de leituras e música, entre outros aperfeiçoamentos. (Mais informações interessantes no artigo de Ben Hammersley para o Guardian.) Considerando a qualidade do que Ben e Mena Trott já fizeram com o MovableType, o serviço com certeza será um excelente competidor na arena de hospedagem de blogs. O MovableType é o sistema de blogs mais poderoso em existência hoje e com esse novo impulso pode se tornar ainda melhor. Boa sorte a eles nesse novo projeto!

Um Cântico para Leibowitz

April 22nd, 2003 § 10 comments § permalink

Um Cântico para Leibowitz, de Walter Miller, é um desses livros que deixam o leitor com uma sensação de desconforto após a leitura. Essa sensação vem da maneira como o autor lida com o tema principal de sua obra, trazendo às claras um dos maiores medos da nossa geração: o apocalipse que pode ser precipitado pelo poderio nuclear desenfreado.

A estória começa seiscentos anos após uma catástrofe nuclear global que praticamente varreu a humanidade da face da Terra. Após o desastre, que inundou o planeta em um dilúvio de fogo, os sobreviventes procuram destruir não só o conhecimento científico, julgado por eles um dos causadores da hecatombe, como também eliminar os homens responsáveis por esse conhecimento, resultando no mergulho da humanidade em uma era de barbárie e primitivismo. Apesar disso, nos anos de escuridão que se seguem à tragédia, um ordem de monges, cujo padroeiro é São Leibowitz, procura preservar alguns restos da antiga ciência através da Memorabilia: textos científicos que ninguém mais compreende copiados incontáveis vezes à espera de que alguém surja para integrá-los em um novo Renascimento. Em um mar de desconhecimento, esses monges permanecem como um pequeno barco procurando uma distante costa iluminada. O tempo passa e a humanidade retorna ao progresso graças, em parte, ao esforço desses homens. Nessa nova era, será a memória do dilúvio nuclear suficiente para impedir um novo desastre?

O livro, que venceu o Hugo em 1961 e provavelmente teria vencido o Nebula também se este existisse na época, causa um impressão profunda pela sua riqueza e complexidade. Miller tece uma trama sutil que envolve o leitor e o deixa em um estado de permanente descrença quanto aos motivos humanos. Essa é, em si, a maior qualidade do livro. Longe de ser uma apologia ao progresso, o livro é um questionamento sobre o valores por trás dos avanços tecnológicos da humanidade, embora, de maneira alguma, seja contrário à ciência ou ao desenvolvimento da mesma. Assim, o autor chama a atenção para as questões realmente importantes do crescimento da saber científico.

Desde a primeira vez em que o li, há muitos anos atrás, Um Cântico para Leibowitz ganhou um lugar entre os meus livros preferidos de ficção científica. É um dos livros que eu procuro reler de tempos em tempos pela sua qualidade literária, e é certamente digno de figurar em qualquer relação ou biblioteca dos melhores livros de ficção científica de todos os tempos. Em suma, totalmente recomendado.

De volta

April 22nd, 2003 § Comments Off on De volta § permalink

As férias acabaram e estou de volta ao trabalho, revigorado para mais um ano de rotina. :) Esta entrada é só para avisar que a programação normal está de volta. 😉

A Cidade e as Estrelas

April 20th, 2003 § 4 comments § permalink

A Cidade e as Estrelas, de Arthur Clarke, é, indubitavelmente, um dos melhores livros de ficção científica de todos os tempos. Isso é refletido no fato do mesmo figurar em quase que qualquer lista dos clássicos do gênero em qualquer época. E, realmente, a visão futurística apresentada no livro é uma das mais poéticas já vistas na literatura, apresentada em uma história que se presta a releituras que nada perdem em relação à primeira vez.

Como na maioria dos livros de Clarke, o modo como a estória começa indica, mas não revela o rumo real dos acontecimentos que se seguirão. Assim, o leitor se defronta inicialmente Diaspar, a última cidade humana. Diaspar já existe por cerca de um bilhão de anos e é o fruto máximo da ciência humana. Totalmente automatizada e auto-suficiente, a cidade permanece o mais próximo de um paraíso terreno. Seus habitantes estão no ápice da perfeição humana e passam suas longas vidas de maneira produtiva e feliz. E ao fim dessas vidas, são convertidos em memórias eletrônicas que ressugirão em uma época futura, criando assim uma real imortalidade. Todos são completamente felizes… exceto o jovem Alvin, um dos mais novos membros dessa sociedade. Nascido há pouco menos que vinte anos, Alvin sabe que é de alguma forma diferente. Ao contrário dos seus companheiros, Alvin deseja saber o que há fora de Diaspar e sonha com os tempos perdidos em que o homem era o senhor das estrelas. Sua inquietação irá levá-lo a descobrir não só a verdade sobre si mesmo, mas também a verdade sobre a história humana.

Escrito na década de 50, o enredo permanece crível e justificável em termos tecnológicos e não perde de forma alguma a consistência pelos avanços da humanidade. A narrativa segue a marca registrada de Clarke de textos claros e fluidos e personagens bem construídos que fazem o leitor mergulhar completamente da estória. O final é inteiramente satisfatório e interessante.

Essa deve ter sido a quarta ou quinta vez que eu leio o livro desde que o descobri pela primeira vez há vários anos. E, para mim, o mesmo continua tão evocativo quanto da primeira vez em que o li. Sempre que penso na estória a palavra que me vem à mente é artístico. O último capítulo, principalmente, possui uma beleza atemporal que toca os sonhos e desejos humanos. A Cidade e as Estrelas é um livro que permanecerá sempre entre aqueles que elevam a vontade humana de chegar às estrelas.

Em resumo: leitura obrigatória para qualquer fã do gênero, e recomendada para qualquer leitor ávido.

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