A Cidade e as Estrelas

April 20th, 2003 § 4 comments

A Cidade e as Estrelas, de Arthur Clarke, é, indubitavelmente, um dos melhores livros de ficção científica de todos os tempos. Isso é refletido no fato do mesmo figurar em quase que qualquer lista dos clássicos do gênero em qualquer época. E, realmente, a visão futurística apresentada no livro é uma das mais poéticas já vistas na literatura, apresentada em uma história que se presta a releituras que nada perdem em relação à primeira vez.

Como na maioria dos livros de Clarke, o modo como a estória começa indica, mas não revela o rumo real dos acontecimentos que se seguirão. Assim, o leitor se defronta inicialmente Diaspar, a última cidade humana. Diaspar já existe por cerca de um bilhão de anos e é o fruto máximo da ciência humana. Totalmente automatizada e auto-suficiente, a cidade permanece o mais próximo de um paraíso terreno. Seus habitantes estão no ápice da perfeição humana e passam suas longas vidas de maneira produtiva e feliz. E ao fim dessas vidas, são convertidos em memórias eletrônicas que ressugirão em uma época futura, criando assim uma real imortalidade. Todos são completamente felizes… exceto o jovem Alvin, um dos mais novos membros dessa sociedade. Nascido há pouco menos que vinte anos, Alvin sabe que é de alguma forma diferente. Ao contrário dos seus companheiros, Alvin deseja saber o que há fora de Diaspar e sonha com os tempos perdidos em que o homem era o senhor das estrelas. Sua inquietação irá levá-lo a descobrir não só a verdade sobre si mesmo, mas também a verdade sobre a história humana.

Escrito na década de 50, o enredo permanece crível e justificável em termos tecnológicos e não perde de forma alguma a consistência pelos avanços da humanidade. A narrativa segue a marca registrada de Clarke de textos claros e fluidos e personagens bem construídos que fazem o leitor mergulhar completamente da estória. O final é inteiramente satisfatório e interessante.

Essa deve ter sido a quarta ou quinta vez que eu leio o livro desde que o descobri pela primeira vez há vários anos. E, para mim, o mesmo continua tão evocativo quanto da primeira vez em que o li. Sempre que penso na estória a palavra que me vem à mente é artístico. O último capítulo, principalmente, possui uma beleza atemporal que toca os sonhos e desejos humanos. A Cidade e as Estrelas é um livro que permanecerá sempre entre aqueles que elevam a vontade humana de chegar às estrelas.

Em resumo: leitura obrigatória para qualquer fã do gênero, e recomendada para qualquer leitor ávido.

§ 4 Responses to A Cidade e as Estrelas"

  • Bem, agora você atingiu a superação!
    Realmente, poesia pura, de um Grande-Mestre de Sci-Fi.
    Livro memorável, não me foi recomendado. Encontrei-o na biblioteca da Universidade, em uma de minhas incontáveis incursões…

    Gostaria de recomendar:
    http://www.kubrick2001.com/2001.html
    Abraço

  • Ronaldo says:

    Desse jeito eu fico até sem graça. :-P Esse é outro dos meus preferidos também. Minha esposa leu recentemente e gostou muito. Eu estou passando para ela esses clássicos e ela vem adorando. :-)

    O link eu já tinha visto uns tempos atrás. Muito bom! :-)

  • Renato says:

    Bem resumido, acrescentaria apenas, que me parece uma metáfora: o medo de sair de Diaspar está na mente dos habitantes assim como o medo de assumir que a existência de um deus é uma farça está na mente de nossos contemporâneos.

  • Ronaldo says:

    Considerando em que o Clarke acredita e sobre o que ele normalmente escreve, eu diria que você pode até estar certo. Como cristão, não concordo com a idéia, mas acho que Clarke pode ter usado isso como um tema subentendido no livro. Por outro lado, alguns livros dele (como os da série Rama) tocam na existência de um poder criador e superior ap homem. Mas ele pode ter simplesmente passado de um tema ao outro como exploração.

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