Mandrake Linux 9.1

May 7th, 2003 § 18 comments

Ontem eu instalei o Mandrake Linux 9.1 no meu computador em casa. O Mandrake é a distribuição que eu uso desde que decidi ter um sistema dual-boot em casa para experimentar e futuramente transformar o Linux em minha plataforma primária. A primeira versão do Mandrake que eu usei foi a 8.0, que acabou ficando pouco tempo no meu computador porque sua sucessora, a 8.1, apareceu logo depois com grandes melhorias. Durante algum tempo eu também tive o Red Hat 7.2 como terceiro sistem, principalmente por causa de sua ampla difusão, mas acabei optando por ficar somente com o Mandrake mesmo. A distribuição se provou mais do que suficiente para minhas necessidades normais tanto de desenvolvedor com usuário comum. Uma coisa que eu sempre achei interessante em relação ao Mandrake Linux é que suas versões intermediárias nada ficam a dever às versões principais, onde o número da versão muda. Normalmente essas versões apresentam mudanças significativas no sistema que valem a pena o upgrade. Assim, a versão 8.1 não era somente um pequeno passo incremental em relação à 8.0, mas possui uma série de melhorias impressionantes (embora também, incidentalmente, quebrasse uma funcionalidade muito importante para o Linux como mostrado mais abaixo).

Com a versão 9.1 a situação não é muito diferente no que concerne a atualizações. A versão apresenta diferenças enormes em relação à anterior, tanto na mudança de vários aplicativos para versões mais novas como na adição de funcionalidades extras. E, embora esse tipo de mudanças não seja incomum em pacotes de código aberto, a quantidade e qualidade das mesmas, em partes essenciais da distribuição, já seria suficiente para garantir um novo número de versão na maioria das outras distribuições.

As evoluções começam com o procedimento de instalação, que, embora já fosse o mais amigável de todas distribuções que experimentei, se tornou ainda mais simples. Anteriormente, a instalação podia ser feita em dois modos: expert, mais sofisticado e com opções avançadas, e recomendado, que tomava a maior parte das decisões para o usuário automaticamente. O novo instalador une os dois modos em um novo conjunto de opções simples e intuitivas que não perdem a flexibilidade do antigo modo expert. Em alguns casos, alguns procedimentos comuns são automatizados para acelerar o processo de instalação baseados em opções prévias — como a formatação, se o sistema é instalado pela primeira vez; anteriormente era necessário especificar a formatação manualmente qualquer que fosse a escolha do usuário. As melhorias em várias áreas da instalação como particionamento e reconhecimento de hardware são também significativas. O resultado final é uma diminuição do trabalho e tempo de instalação. Eu demorei menos que uma hora para instalar o sistema e a maior parte desse período foi gasta escolhendo o que instalar e com a cópia e descompatação dos arquivos para o disco.

No aspecto geral de atualização, os maiores destaques são a inclusão do Apache 2.0, substituindo o venerável Apache 1.3 comum à maioria das distribuições; o MySQL 4.0, que também substitui o MySQL 3.23.x usualmente utilizado; e o XFree86 4.3.0 que passa a ser usado por padrão no lugar do XFree86 3.3.6 das versões anteriores. Essas mudanças tornam o Mandrake Linux uma das distribuições mais completas e atualizadas de hoje. A inclusão desses pacotes mais novos é coerente com as tendências atuais do código aberto.

Como o Mandrake é uma distribuição também muito voltado para o usuário final, as mudanças no ambiente desktop são bem interessantes. O uso do KDE 3 e do Gnome 2 (introduzidos na versão anterior, mas atualizados nessa) é um boa mudança que torna o Mandrake muito mais viável como alternativa ao Windows já que esses ambientes, nessas novas versões, estão muito mais estáveis e usáveis do que suas encarnações anteriores. Seguindo na mesma direção da Red Hat, o Mandrake Linux também introduz um novo tema comum ao KDE e ao Gnome, chamado Mandrake Galaxy, que fornece uma interface amigável e agradável ao ambiente, adequada ao usuário comum. Esse novo tema ainda torna a interface mais consistente entre vários programas, ao contrário do que é usualmente visto em distribuições Linux. O uso de novas fontes com anti-aliasing é um outro ponto positivo que torna a interface padrão do sistema muito superior às ofertas similares.

Outros dois grandes avanços para facilitar a adoção do Mandrake como um sistema desktop são o supermount e o dynamic desktops. O primeiro é a capacidade de reconhecer e montar automaticamente sistemas de arquivos em CD e disquetes. Essa característica não funcionava apropriadamente desde a versão 8.1, obrigando a maioria dos usuários a lidar com as sutilezas dos sistemas de arquivo auto-montados. O segundo é a inserção automática de ícones para dispositivos externos como hardware USB, webcams e outros no desktop, facilitando o uso dos mesmos.

Também estão presentes no Mandrake Linux 9.1 vários pacotes de aplicações de uso geral incluindo o OpenOffice 1.0.2, Mozilla 1.3 e aplicativos IM. Eu estou usando o OpenOffice desde a sua primeira versão no Windows, já que não tenho o Office e estou muito satisfeito. A ressalva é que eu sou um usuário bem comum nesta área e uso pouco os recursos do programa, basicamente para a criação de documentos. Mas no que precisei, o aplicativo não me deixou na mão. Há também aplicativos de multimídia aos montes, indo de editores de imagens de vários tipos a players MP3, MPEG e Ogg.

Um outra coisa que para mim sempre foi um dos pontos positivos do Mandrake é a quantidade de jogos simples, mas interessantes, que vêm com a distribuição, e essa versão não fica atrás. :-) Há de tudo um pouco, incluindo cartas, estratégia e jogos 3D. Como eu não sou tão chegado na maioria dos grandes jogos para PC, para mim está muito bom.

Para o desenvolvedor, o Mandrake Linux 9.1 traz, além do Apache 2.0 e MySQL 4.0, versões mais recentes das linguages de programação comuns ao ambiente Linux, como PHP 4.3.0, Perl 5.8.0, Python 2.2.2, além do GCC 3.2.2. Emacs, Vim e KDevelop também estão em versões atuais facilitando enormemente a vida de qualquer programador. Obviamente, com a maioria das distribuições Linux, centenas de outros pacotes de desenvolvemente estão disponíveis.

No lado servidor, os principais aplicativos estão presentes em versões modernas e a maior vantagem é que muitas delas podem ser configuradas a partir do Mandrake Control Center, o equivalente do Painel de Controle do Windows nessa distribução Linux. Isso torna o gerenciamente dos serviços muito fácil. Além dos aplicativos padrões, a distribuição ainda vem com uma grande seleção de complementos para o servidor como o aplicativo anti-spam SpamAssassin.

Finalmente, a distribuição possui alguns recursos excelentes de segurança incluindo níveis de segurança automáticos indo de Padrão a Paranóico que configuram e protegem o sistema sem intervenção do usuário. Além disso, o Mandrake também conta com um firewall de simples configuração que pode ser acessado a partir do Mandrake Control Center.

Todos esses recursos tornam essa versão do Mandrake Linux uma opção extremamente atrativa para qualquer tipo de usuário. Embora, como uma distribuição Linux, ainda haja um grande caminho à frente da distribuição (se ela sobreviver), essa nova versão é, na minha opinião, a melhor versão do Mandrake que eu já usei, não por ser a mais nova, mas por ser a mais completa e burilada. E com certeza é também uma das melhores opções disponíveis do mercado de sistema operacionais. Obviamente ainda estou conhecendo a versão, mas tive poucas decepções com o Mandrake ao longo do meu tempo de usuário.

A minha intenção é passar para o Linux como desktop primário tão logo isso me seja possível. Atualmente a única restrição nesse processo é a falta de um modem que funcione sob o mesmo. Embora o suporte a hardware esteja crescendo para o Linux, como essa versão mesmo atesta, ainda há muitos problemas em conseguir que determinados equipamente funcionem. Eu já experimentei quatro modems diferentes e nenhum deles, com drivers variando de experimentais a beta, de certo em um kernel mais novo. No Brasil, a vasta maioria dos modems são controlerless e isso torna as opções de conexão limitadas. O modem que eu uso atualmente é da Intel e um driver para o Linux está sendo prometido para “muito em breve” há um bom tempo.

Um outro grande problema do Linux, que embora não impeça a mudança para plataforma primária, mas tira um pouco da vontade é a falta de boas fontes TrueType para o mesmo. As que existem hoje são muito limitadas e em alguns casos realmente inúteis. As mais comuns, como a Courier e Times New Roman, dão a impressão de estarem permanentemente negritadas em tamanhos maiores que 12 pontos. Para piorar, o negrito real, e também o itálico, ficam um pouco distorcidos quando aplicados. Retirar o anti-aliasing faz com que muitas fontes se tornem ilegíveis, dificultando ainda mais a situação. Há um tempo atrás eu li que uma conhecida fabricante de fontes estaria liberando algumas de suas criações sob licenças abertas, para utilização no Linux. Isso com certeza traria um ganho imenso para o sistema, mas ainda parece ser uma coisa para o futuro.

No geral, o Mandrake Linux se prova mais uma vez um sistema atual, acessível e amigável com excelentes recursos que o tornam um alternativa viável tanto para empresas como para usuários comuns. Nota 9 em 10 tanto com servidor como sistema desktop.

§ 18 Responses to Mandrake Linux 9.1"

  • ventonegro says:

    O Apache 2.0 tá funcionando direitinho com o PHP?

    As fontes TrueType ficam ótimas no meu GNU/Debian 3.0 com XFree86 4.3.0 e GNOME 2.2… estranho estarem esquisitas aí.

    Ah, e nada como um modem US Robotics ISA que faz tudo via hardware :-)

  • Ronaldo says:

    Até onde eu sei o Apache com o PHP estão legais. Eu não sei em programas mais complexos, mas eu vou observar isso com o phpGroupware e outros e qualquer coisa posto aqui.

    As fontes TrueType até funcionam na interface. O problema são os documentos. Pode ser alguma coisa relacionada com a resolução da tela. Eu ainda tenho que verificar com mais profundidade.

    E realmente um modem real faz um diferença séria. :-( Eu já achei alguns modems US Robotics, mas o preço é exorbitante. Se você souber de alguém que vende e desapache pelo Brasil afora, eu compro. :-)

  • Félix F. says:

    Já testei o Mandrake Linux 9.0, 9.1RC1 e 9.1 final; e gosto muito da distribuição, que é polida para o usuário final. No entanto, no meio desse caminho, experimentei o Red Hat 9; que me pegou pela velocidade. Devo admitir, o Mandrake era tão lento quanto o Windows XP (que também coabita em meu micro); isto é, funciona bem boa parte do tempo, mas dá pequenas “paradinhas” de tempos em tempos. O Red Hat não tem o mesmo problema: funciona constantemente. E me trouxe outras vantagens, como a maior disponibilidade de RPMs compatíveis pela internet. Tenho mais facilidade de instalar programas no Red Hat que no Mandrake.

    Mas prefiro o Mandrake, apesar de tudo. Até pagaria pelo Mandrake Club; opção que não considero tanto para o Red Hat Network. Mas gostaria de ter igual velocidade nele. Já me sugeririam desativar alguns serviços do kernel, para fazê-lo rodar mais rápido. Como as coisas rodam aí?

  • Celso says:

    Não sei qual o seu modem, mas você conhece o projeto Kurumin? É uma mini-distribuição linux que roda do CD (e que pode ser instalada no hd e deixar de ser mini :-) feita por um brasileiro e com suporte automático para um monte de winmodems que davam dor de cabeça pro pessoal por aí. Eu instalei em um segundo computador e posso afiançar que é muito boa. A url: http://www.guiadohardware.net

  • Ronaldo says:

    Félix,

    Boa lembrança a sua. Esse é um ponto que eu não considerei na resenha, embora tenha notado. Isso mostra que você faria uma resenha melhor que eu. :-) Aqui é a mesma coisa, a velocidade, apesar do fato que eu tenho uma boa máquina, ainda deixa um pouco a desejar. O login, por algum motivo, é muito lento. Os serviços e programas geralmente demoram um bom tempo para iniciar, mas depois rodam bem. Eu já li uma vez que isso pode ter relação com o serviço de fontes e o X, que por rodarem em modo usuário possuem uma performance bem inferior. Ao contrário do Windows, que, pelo menos até a última versão, rodava os serviços de vídeo em modo kernel. Assim, eu não sei se desativar serviços resolveria. Mas talvez dê para experimentar logar em modo console e testar a velocidade comparada dos programas.

    Quanto aos RPMS, você está certo. Qualquer coisa roda no Red Hat, mas nem tudo no Mandrake. Eu não sou muito chegado no Red Hat em casa por que ele é muito servidor, e eu sou usuário pequeno. É o propósito dele, mas isso o torna menos útil para mim. Além disso, eu gosto da estética do Mandraje. 😉

    Eu também pagaria o Mandrake Club se tivesse dinheiro. :-) O problema é que essa coisa do dólar flutuar demais de deixa com medo. Aí eu acabo pegando o Mandrake em revista mesmo, o que infelizmente não contribui nada para o produto. Mas se a coisa melhor, quem sabe? :-)

  • Ronaldo says:

    Celso,

    Eu já tinha ouvido falar bem do Kurumim. Vou ver arrumo para dar uma experimentada. Se for completinha pode ser um boa opção mesmo, embora eu provavelmente a usuaria como terceiro sistema, já que o Mandrake me atrai muito.

    A propósito, se há esses drivers para winmodems, eles não seriam instaláveis em outras distribuições, dependendo do kernel? Seria bom se fosse possível.

    Valeu pela dica! :-)

  • Celso says:

    Os drivers para winmodems podem ser instalados em qualquer distribuição, claro, mas, via de regra, você vai ter que compilá-los. Eu, pessoalmente, não sou dos mais felizes com essa situação (meu linux “principal” é um Conectiva 8 e compilar qualquer coisa mais exótica nele acaba sendo um parto) e gostei do Kurumin pela abordagem simples do criador – você escolhe de um menu o modelo do winmodem e ele faz a instalação e configuração sozinho. É o tipo de facilidade que nunca encontrei em nenhuma das distribuições que já vi de perto (vários sabores de Conectiva, um Redhat mais antigo e o Suse novo).

  • Ronaldo says:

    Celso,

    Eu estava olhando os fórums do Kurumim e, pelo que vi, o driver Intel que ele possui é o do 536. Esse eu cheguei a pegar por engano e compilar. Compilou, mas não funcionou porque o meu modem é um 537. Pelo menos ainda há esperança de que a Intel solte um driver logo. Vamos ver. :-)

    Eu nunca experimentei o Conectiva porque ele é muito parecido com o Red Hat (ou pelo menos era quando olhei) e eu já tinha esse. Para mim o Mandrake é perfeito porque minha esposa pode usar também. Assim que eu tiver o modem eu só boot Windows forçado. :-)

  • André says:

    eu tenho um Modem US Robotics 33,6 ISA
    mas nao cosigo faer funcionar no Linux (Kurumin 1.3)
    vc sabe onde tem drivers pra esse meu modem?

  • Clayton says:

    Eu tenho um mandrake 8.2 e um Kurumim 1.4 instalados em meu computador. O Mandrake no meu é super rápido (tenho 394 mb DIMM). Adoro o Mandrake e vou instalar a versão 9.1. Instalei o Red hat 9.0 e achei ele muito grande e pesado apesar de bem funcional. O xfree não funcionou muito bem nele, ficava passando umas faixas na tela. Já o Mandrake e o kurumim vão muito bem obrigado e são muito fáceis de instalar e configurar. O kurumim é excelente pela facilidade de uso e instalação. Já usei o conectiva mais sempre tenho que ficar editando o /etc/fstab. As distro eu já escolhi e de agora em diante eu só uso Mandrake e Kurumin. A Conectiva tem uma excelente documentação e isso eu devo muito a eles. Se hoje eu sei usar o linux é devido a eles, pois a primeira que utilizei foi a slackware e essa me deixou traumatizado desde a instalação. Esta é para quem gosta de modo texto mesmo (avançado).
    Obrigado pela matéria sobre o Mandrake.

  • Ronaldo says:

    Fico feliz que você tenha gostado da resenha. Eu ainda confesso não estar usando o Linux para tudo o que eu gostaria por questões de hardware. Mas estou chegando lá. :-)

  • José Eduardo says:

    Alguém sabe me dizer se o Mandrake 9.1 é superior ao Debian 3.0. Estou pensando em adquirir uma das distribuições. O Mandrake sempre me agradou, mas não custa nada ficar atento ;-). Obrigado.

  • Ronaldo says:

    O Debian é famoso pela sua estabilidade e poder, mas não é lá o mais fácil de configurar. Mesmo a versão mais nova pede que você especifique cada ítem de hardware que você tem. Isso pode ser complicado e cansativo, resultando em problemas na instalação. Eu aconselharia usar o Mandrake (ou mesmo o Red Hat) se você pretende usar a máquina como desktop e/ou um servidor pessoal. Como Linux, o Mandrake é poderoso o suficiente para qualquer coisa que você precisar.

  • Marcos Vicente says:

    Prezados amigo,
    Adorei seus comentários sobre o Mandrake 9.1.
    Sou iniciante no Linux e estou tendo algumas dificuldades.
    Poderiam me informar como faço para ouvir rádio via internet no Mandrake 9.1!
    Antecipadamente agradeço a atenção.
    Abraços.

  • Ronaldo says:

    Depende muito do formato que você quer ouvir. Alguns são proprietários e só funcionam sob o Windows. Em geral, se for MP3, não tem problema.

  • Ramon says:

    Pow eu Gosto muito da simplicidade do slackware p/ mim é a melhor distro! eu gostaria q, se possivel, alguem me mandasse um e-mail dizendo se um us robotics 56k isa jumpeado funciona no linux

  • Ronaldo says:

    Eu experimentei o Slackware uma vez mas ele não suportava nem teclado ABTN e u acabei desistindo. Sobre o modem, se não for winmodem, funciona automaticamente na maioria das distros, bastando usar o /dev/ttySx adequado.

  • Ricardo says:

    Tenho o linux mandrake 9.1, e gostaria de por em funcionamento o Apache, php e mysql, para criar a minha página pessoal, mas não tou a conseguir, como posso fazer?

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