O novo pobre

May 12th, 2003 Comments Off on O novo pobre

Um pequeno artigo no O Globo comenta um pouco sobre a nova realidade do desemprego no país: 40% dos pobres são de famílias pequenas, têm escolaridade boa ou razoável, são de ascendência branca e com tiveram empregos formais do passado. Esse é um fato que eu venho constatando na prática. (Não, não sou eu o desempregado. Graças a Deus eu tenho um emprego muito bom.) Vários amigos meus, após o último emprego não conseguiram mais uma recolocação no mercado, apesar de contarem com boa formação e excelentes currículos. Essas pessoas hoje estão sobrevivendo de bicos e fazendo cursos e seminários para tentar impressionar um possível empregador.

Essa é uma situação triste e que vem piorando ainda mais com o mercado arrefecido. Como o artigo aponta, a culpa maior é do baixo crescimento econômico dos últimos anos. Isso coloca um peso adicional no novo governo, que precisa a todo custo propiciar condições para um retomada econômica. Como o artigo também comenta, esses “novos pobres” acabam ficando em uma situação delicada pois não são alvo de programas assistenciais já existentes para os desempregados sem qualificação. E, de qualquer forma, sem crescimento econômico, não adianta uma parca assistência que dê para uma mera sobrevivência, sem boas condições de vida, seja para qualificados ou desqualificados.

Para complicar ainda mais a situação, muitos jovens estão se formando com esperanças de obter um bom emprego e vão acabar na fila dos desempregados, algumas vezes com dívidas e sem perspectivas de um bom futuro. Um amigo meu comentou que no ano passado as universidades formaram três mil publicitários, mas o mercado despediu dois mil. Só aí temos cinco mil pessoas precisando de empregos que não vão encontrar. E como esse exemplo mostra, um dos piores setores afetados é do serviços, que em muitos casos não são essenciais. Aqui em Belo Horizonte, como em muitos outros lugares, o setor de serviços deu uma grande guinada para baixo no último ano. E se o setor está ruim, nem o mercado informal é suficiente para melhor a situação. Conseguir uma boa colocação hoje é mais uma questão de sorte do que de competência.

Infelizmente, o jeito é esperar que o governo consiga implementar as reformas necessárias para o desenvolvimento do país, fazendo tudo que um cidadão pode fazer para ajudar.

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