Plugins em navegadores

August 28th, 2003 § 5 comments

O Jonas Galvez comentou hoje em seu blog sobre a recente decisão judicial referente ao caso Microsoft vs. Eolas, sobre o uso de plugins em navegadores, ou seja, a inserção de objetos externos que rodam no contexto de um página como applets Java, objetos ActiveX, Flash e outros. A Microsoft perdeu o caso e, segundo informações divulgadas em uma nota oficial do W3C (a Microsoft é parte do consórcio e o caso afeta a todos outros membros), vai fazer mudanças em seu navegador em um futuro próximo para conformar-se à decisão.

Eu acho muito estranho esse acontecimento. Eu duvido que não exista prior art, ou seja, implementações anteriores, em um caso como esse. Acho muito difícil que uma patente de 1998, concedida à Eolas, seja a primeira idéia de algo como um sistema de plugins. O W3C obviamente está levando o caso a sério e já até criou uma lista para discutir o assunto, além de convocar uma reunião com seus membros. Uma decisão deve sair logo, considerando a importância da tecnologia para a Web.

Será interessante também ver com as outras empresas e grupos que desenvolvem navegadores — a maioria das quais implementa tecnologias similares — responderão à decisão. Principalmente no caso de grupos que lidam com código aberto.

Agora, o que eu fico pensando é por que a Microsoft não comprou a tal empresa. Provavelmente seria a decisão mais fácil e daria à Microsoft uma boa vantagem no assunto. O pior de tudo, porém, é constatar a ignorância do juiz que permitiu tal decisão.

§ 5 Responses to Plugins em navegadores"

  • jao says:

    eu diria que qualquer juiz pensaria bem mais de duas vezes antes de tomar qualquer decisão, fosse ela contra ou a favor da Microsoft.

  • Jonas Galvez says:

    É realmente intrigante. Eu fiz uma pesquisa recentemente sobre as tecnologias de plug-ins para browsers, e pelo que sei, este recurso já estava disponível em 1996, época em que a Macromedia cresceu no mercado com as primeiras versões do Flash Player.

    Não entendo muito do sistema de patentes (nacional e internacional), mas acho que 2 anos é muito tempo para a concessão de uma patente. Bom, se o W3C está preocupado com isso, é porque a coisa deve ter algum tipo de fundamento.

  • Ronaldo says:

    Jão,

    Eu sei que eles pensam bem antes de tomar uma decisão. Nessa caso, na verdade, foi até o júri que decidiu. O que me espanta é que eles não querem saber se há precedentes para a tecnologia, ou coisas similares. Várias decisões foram feitas assim, na base da suposta letra da lei, sem considerar os fatos relacionados.

  • Ronaldo says:

    Jonas,

    É por aí mesmo. A especificação 3.2 do HTML — que foi lançada em 1997 para agregar as melhores práticas já de 1996 — definia um elemento applet, que pela patente seria inválido. E mesmo considerando 2 anos de consideração da patente, ainda assim acho provável que sejam encontradas aplicações anteriores com características que se encaixariam na patente. Na verdade, se levarmos a patente ao pé da letra, o elemento img também se encaixa na definição e este está presente desde praticamente o começo do HTML, em 1991, que por sua vez é baseado em uma idéia de 1965.

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