O Manifesto Cluetrain declara que as pessoas se reconhecem como tal pelo som de suas vozes. Quão verdadeira é essa afirmação… Existem coisas que são tão óbvias, mas nós tendemos a não pensar sobre as mesmas até que elas se tornem tão aparentes que fica difÃcil ignorar.
Eu venho lendo blogs por mais de dois anos, e blogando por quase esse mesmo tempo. Desde o começo, alguns aspectos dos blogs em relação à s outras tecnologias me pareceram claros, enquanto outros eu só entendi quando eventos especÃficos trouxeram os mesmos para o primeiro plano. Por exemplo, um aspecto que ficou óbvio desde o princÃpio é que blogs são mais como e-mail e instant messaging. Isto fica evidente quando se pensa em blogs como conversas, mas a comparação inevitável com outros tipos de sites e mesmo o fato de que blogs podem ser usados em vários contextos que não o de conversação podem esconder isso.
O que eu estou falando não é nada de novo. Desde que os primeiros blogs começaram a ser escritos, questões sobre a natureza dos mesmos foram levantadas e ainda estão sendo levantadas quase que diariamente. A análise de fenômeno é constante por parte dos praticantes, numa tentativa, muito provavelmente, de entender as próprias motivações. A consciência do processo, que é muito mais nÃtida do que em outros meios escritos, requer isso.
Recentemente, uma dessas realidades sobre os blogs me chamou a atenção de uma maneira tal que eu fiquei surpreso por não ter pensando nela antes. Eu tenho quase certeza de que o assunto já foi tratado por outras pessoas, embora no momento eu não consiga lembrar-me de nenhuma instância especÃfica nos blogs que eu leio.
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Via Roberto, uma notÃcia interessante: “Saudade ‘é a 7ª palavra mais difÃcil de traduzir’”. A notÃcia dá uma lista das dez palavras consideradas mais complicadas para se traduzir por pessoas que trabalham na área, incluindo, como o tÃtulo diz, a nossa sempre aclamada “saudade”.
As palavra, em ordem, são:
- Ilunga (tshiluba)
- uma pessoa que está disposta a perdoar quaisquer maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez
- Shlimazl (Ãdiche)
- uma pessoa cronicamente azarada
- Radioukacz (polonês)
- pessoa que trabalhou como telegrafista para os movimentos de resistência o domÃnio soviético nos paÃses da antiga Cortina de Ferro
- Naa (japonês)
- palavra usada apenas em uma região do paÃs para enfatizar declarações ou concordar com alguém
- Altahmam (árabe)
- um tipo de tristeza profunda
- Gezellig (holandês)
- aconchegante
- Saudade (português)
- Precisa explicar?
- Selathirupavar (tâmil, lÃngua falada no sul da Ã?ndia)
- palavra usada para definir um certo tipo de ausência não-autorizada frente a deveres
- Pochemuchka (russo)
- uma pessoa que faz perguntas demais
- Klloshar (albanês)
- perdedor
Como alguém que já fez muitas traduções na vida (e ainda faz, na versão em inglês desse blog), eu compreendo muito bem esse problema. Para intérpretes, fazendo traduções ao vivo, a questão fica ainda mais complicada. A palavra aparece, você sabe muito bem o que ela significa, mas dá aquela travada.
Uma das coisas relacionadas com isso é a capacidade que alguns idiomas tem de combinar duas palavras simples para formar uma expressão mais complexas. Tanto o inglês como o alemão são famosos por isso. Nesses casos, a tradução sempre é complicada.
Algumas vezes também, o problema gera situações engraçadas. Por exemplo, no site oficial de um determinado autor que eu gosto, o próprio autor mencionou recentemente que o nome de um de seus personagens, “Saltheart Foamfollower”, foi traduzido para “Briny, o Pirata”, na versão francesa do livro. Essa é para chorar de tanto rir. (E o pior é que traduzir esse nome para o português seria também extremamente complicado. O nome literalmente é “Coração Salgado” “Aquele que segue a Espuma”, que significa, respectivamente, “Mar” e “Compasso”. Ou seja, o nome realmente quer dizer “Compasso MarÃtimo”. Palavras do autor. Explicado, fica óbvio. Mas o processo de tradução é tortuoso. Sem contar a perda da poesia implicada pelo nome idioma original. Só um tradutor muito experiente para conseguir isso.)
Considerando a complexidade dos idiomas humanos, esse é um problema que sempre vai existir. E, na verdade, que queremos que sempre exista. Afinal de contas, se todos idiomais fossem uniformes, que graça teria?
Estou doente. Divirtam-se.