Nós juramos lealdade ao pinguim

October 29th, 2004 § Comments Off on Nós juramos lealdade ao pinguim § permalink

The rate of technological change now is such that modernization proceeds more chaotically than ever, and with every flip of the clock cycle, the whole world’s reality looks more and more like Brazil’s: a high-contrast, high-contact confusion of microcultures and inequalities. What Gil has learned from that reality is the same thing any country looking for an edge in the coming century might do well to learn: You do yourself no good by trying to control the confusion. You grow, instead, by letting it in. You open the cultural conversation to all comers. You loosen the reins on technical and scientific knowledge and let it wander, from the university to the slum and back. You build your songs out of whatever washes up on shore and then you throw them out to sea again to see what somebody else makes of them. You tropicalize.

A Wired 12.11 tem um artigo por Julian Dibell sobre o movimento de código livre no Brasil. O artigo, We Pledge Allegiance to the Penguin, é uma consideração bem pensada sobre os motivos que estão movendo o Brasil a tomar uma forte posição na comunidade livre.

Eu posso dizer, sem reservas, que esse artigo é um dos melhores que eu já li sobre os problemas e promessas do código aberto no Brasil, e o que o mesmo significa economicamente, politicamente e socialmente para o país tanto no aspecto interno quanto externo. De fato, o artigo é muito mais do que somente sobre código aberto. É sobre propriedade intelectual, mudanças culturais, mobilização e panorama político. Por exemplo, como citado acima, Dibell analisa uma interessante conexão entre o movimento do tropicalismo e as raízes do movimento de código livre aqui, traçando a mentalidade por trás das mudanças que estão ocorrendo hoje. Ele também fala sobre os problemas enfrentados pelo movimento, como o lobby da Microsoft contra o mesmo e a resistência das companhias de mídia a quebras nos modelos tradicionais de negócio.

Em resumo, leitura obrigatório para qualquer um tentando entender o que está acontecendo aqui e o que o futuro reserva.

Problemas com o DNS e Apache

October 29th, 2004 § 2 comments § permalink

Eu peço desculpas pelos problemas com o site no dia de ontem.

Meu provedor de hospedagem renumerou os endereços IP de um monte de máquinas hospedadas por eles, incluindo a mim. A despeito das instruções simples sobre como fazer a mudança, eu consegui fazer algumas coisas errado e causei alguns problemas temporários na resolução de DNS.

A minha instalação Apache também está com algum problema que eu não consegui identificar ainda que está fazendo com que ela morra subitamente. Se o site cair novamente, você já sabe quem culpar. 😛

Thinking Machine

October 26th, 2004 § Comments Off on Thinking Machine § permalink

Thinking Machine é um programa de inteligência artificial que joga xadrez e exibe visualmente os cálculos dos movimentos que está fazendo. Os milhares de movimentos calculados se convertem em “linhas de força” que aparecem sobre o tabuleiro formando gráficos bem interessantes. Além disso, o programa também exibe as áreas de influências das peças em jogo, resultando em um complexo mosaico para cada posição do jogo. Muito legal.

(via Nemo Nox)

The Runes of the Earth

October 20th, 2004 § Comments Off on The Runes of the Earth § permalink

Leitores regulares deste blog sabem que eu sou um grande fã dos livros do Stephen R. Donaldson. As suas Covenant Chronicles estão entre as melhores obras da literatura fantástica em minha opinião, com uma profundidade que rivaliza obras com a série Duna e excede mesmo livros queridos como O Senhor dos Anéis.

Desde que eu li a série pela primeira vez, eu tinha a esperança de que Donaldson escrevesse a conclusão da saga. Esse desejo se tornou realidade esta semana com a publicação de The Runes of the Earth, o primeiro livro de quatro na série The Last Chronicles of Thomas Covenant, the Unbeliever. Eu li o primeiro capítulo (PDF) do Prólogo no site oficial do autor e ele superou todas as minhas expectativas. Poucos autores conseguem capturar um escala tal de emoções e conseguir um balanço tão perfeito como Donaldson. Se o primeiro capítulo é um guia, o livro será melhor ainda, melhor do que qualquer fã poderia ter sonhado. Eu vou comprá-lo assim que estiver disponível na loja que eu uso para comprar livros importados.

O aspecto mais interessante dos livros do Donaldson é que eles raramente se encaixam nas descrições convencionais de seus gêneros. Seja ficção científica, fantasia ou mistério, ele sempre consegue quebrar o molde, tanto na sua escolha de temas quanto na sua maestria em explorar as intrigantes — e muitas vezes pertubadoras — questões por trás desses temas. É impossível não reagir ao que ele escreve. Uma passagem em um dos seus livros me deixou tão irado que eu quis jogar o livro longe e parar de ler. Desnecessário dizer, eu terminei o livro e ainda o considero uma de suas melhores obras.

O site official dele é excelente. Há quase um ano ele está respondendo questões em uma entrevista gradual falando francamente sobre seus livros, sua vida, e opinando sobre as questões que lhe interessam. O site ainda contém artigos e poesias escritas por ele, entrevistas antigas, análises literárias de seus trabalhos e outros itens de interesse. Vale uma visita — diária, é claro.

De qualquer forma, se você não leu nenhum dos livros dele, eu recomendo que você pegue qualquer uma de suas séries , embora, em minha opinião, as Covenant Chronicles ainda são as mais interessantes. Você não vai se desapontar.

Eu não confio no Google Desktop

October 15th, 2004 § 20 comments § permalink

Então o Google lançou o seu novo mecanismo de busca para o desktop. Eu, pelo menos, não tenho a menor intenção de instalar. A razão, pura e simples, é que eu não confio no Google mais. Não por causa do IPO, mas porque o Google diz que segue a sua política “Não seja mau” (tradução literal meia-boca), mas as ações da empresa não mostram isso mais. (Não que eles tenham que prestar contas para mim, é claro.)

A EULA do Google Desktop declara que o programa coletará informações não-pessoais se você usar a aplicação. Tanto na instalação quanto depois da mesma, através do painel de preferências da aplicação, você pode desabilitar esse comportamento. Mas há um porém: o Google Desktop instalará, quer você queira, quer não, um identificador único em seu computador e enviará esse identificador de volta para o Google. O identificador não é usado, aparentemente, se você opta por não enviar informações não-pessoais, mas está lá. Se a EULA mudar de alguma forma, você já sabe o que pode acontecer. E, além disso, o Google Desktop também usa os mesmos cookies dos outros serviços como o Google Search e Google Mail para correlacionar dados sobre o uso que você faz dos mesmos, Supostamente, são dados não pessoais também, mas o Google Mail me parece bem pessoal.

Podem me chamar de paranóico, mas eu não gosto do modo como o Google está usando todas essas informações. Eu uso o Google Mail esporadicamente, mas não para e-mails importantes, sejam de trabalho ou pessoais. Embora a EULA do Google Mail tenha mudado depois de reclamações, ela era estranha o suficiente no começo para me impedir de confiar meus e-mails ao Google.

(Antes que você pergunte, eu não uso nenhum tipo de e-mail que seja só webmail, tenho meu próprio servidor e uso encriptação sempre que necessário. Eu tenho um conta no Google Mail porque todo mundo dizia que ele era muito bom e também porque eu queria ver como a interface JavaScript funcionava. De qualquer forma, eu duvido que o Google leria o e-mail de seus clientes. Não vale a pena em nenhum sentido. Mas a EULA continua sendo estranha.)

E também há o Orkut, com sua EULA igualmente esquisita.

Eu provavelmente posso impedir que o Google mande mensagens para a nave mãe usando um firewall, mas eu não vou instalar a aplicação por princípio. Os problemas recentes com a versão Chinesa do Google News ilustram os problemas que eu vejo com a empresa, e é por isso que eu não confio nela mais.

De qualquer forma, o Google não me deve nada. Mais do que isso, agora eles são um empresa pública, com acionistas que eventualmente pedirão lucros (apesar de tudo o que a empresa disse sobre o assunto), e podem fazer o que bem entenderem. Mas isso não significa que eu vou confiar cegamente em qualquer tipo de produto que eles disponibilizarem, mesmo se for de graça, apenas por que eles não eram maus no passado.

Mas eu confesso: eu nunca confiei no Google. Os cookies do Google Search estão bloqueados no meu navegador desde que eu comecei a usar o serviço. Tudo que eu escrevi acima significa apenas que meu nível de confiança neles desceu ainda mais um pouco.

ASP.NET e HTML limpo

October 11th, 2004 § 4 comments § permalink

Cris Kaminski, no blog do Web Standards Project, escreveu recentemente sobre o markup incorreto gerado pelos controles do ASP.NET. Como um desenvolvedor .NET, eu compartilho a frustação dele. O markup gerado é realmente horrível, eu é bem difícil fazer com que ele funcione corretamente com CSS e/ou JavaScript.

Até agora, parece que não há uma solução fácil para problema, embora, em uma atualização de sua entrada, como Kaminski descreva algums possibilidades de melhoria sugeridas por seus leitores.

Uma outra possibilidade interessante que me chamou a atenção foi sugerida, sem relação com as entradas no blog do Web Standards Project, por Steve Trefethen, engenheiro sênior da Borland, que trabalha no Delphi e C# Builder. As duas ferramentas suportam o desenvolvimento de páginas ASP.NET e Trefethen descreve em uma entrada em seu blog como a Borland integrou o HTML Tidy aos dois IDEs citados. Falando sobre os problemas que ele ainda enfrenta na integração, Trefethen sugere que a comunidade ajude a melhorar o HTML Tidy, embutindo suporte ao ASP.NET no mesmo, algo que, potencialmente beneficiaria muitos desenvolvedores e usuários.

É uma boa idéia, em minha opinião, e seria legal ver a comunidade trabalhar no problema. Como apontado por Trefethen, já que o HTML Tidy suporta linguagens como o PHP e o ASP antigo, suportar ASP.NET provavelmente não seria um problema.

Há ainda uma outra técnica que pode ser usada em relação ao ASP.NET e HTML Tidy: usar este último como um filtro para as páginas geradas pelo primeiro. Eu não tentei, mas como o ASP.NET permite que a saída final de uma página seja capturada, seria trivial chamar o HTML Tidy para limpar o código HTML resultante. Considerando, porém, a dependência do ASP.NET em atributos especiais, fora da especificação, ainda assim o HTML Tidy teria que ser adaptado à saída. Mas isso seria uma solução melhor para o problema por agir sobre o resultado geral da página, ao invés de afetar somente o markup eventual presente entre tags ASP.NET em uma página.

De qualquer forma, enquanto o ASP.NET gerar markup incorreto, será difícil esperar que as páginas resultantes sejam acessíveis e portáveis. Assim, qualquer solução é bem-vinda. È claro que a Microsoft é bem-vinda também para corrigir o ASP.NET e fazê-lo gerar markup solidamente estruturado. De alguma forma, eu não espero que isso aconteça em breve, o que torna uma solução pela comunidade ainda mais atrativa.

Métodos auto-redefiníveis

October 11th, 2004 § 2 comments § permalink

Enquanto eu fuçava com o Ruby, lendo documentação e os excertos grátis do livro Programming Ruby, eu me deparei com um exemplo que só linguagens sofisticadas conseguem ter:

class Test
  def doSomething
    def doSomething
      @calculatedValue
    end
    @calculatedValue = self.runLongCalculation
  end
end

Essa técnica, útil em vários contextos, permite que um método redefina a si mesmo. No caso acima, na primeira vez em que o método é invocado, a última linha é executada e o valor do cálculo é retornado. Da segunda vez em que é chamado, somente o valor já calculado é retornado.

Esse é um exemplo simples, e o livro dá um bem mais sofisticado, mas isso já mostra como o Ruby permite que o programador expresse exatamente o que ele quer fazer.

A nota fiscal do inferno

October 7th, 2004 § 10 comments § permalink

Há quase um ano atrás, eu fui contatado por um funcionário de um faculdade do Rio. Ele me encontrara através de um grupo de discussão sobre SCORM que eu criara no Yahoo! Groups e queria que eu o ajudasse a resolver uns problemas que eles estavam tendo em criar um curso com múltiplos módulos para o LMS de um de seus clientes.

A princípio, eu não quis pegar o projeto. Eu estava muito ocupado na época e não gostei muito da maneira como fui aproximado pela pessoa. Depois de muitas conversas, eu acabei aceitando o trabalho — contra o meu melhor julgamento. A pessoa propôs algumas condições melhores, mas eu não me sentia muito à vontade mesmo assim. Mas eu acabei pegando o projeto e comecei a fazê-lo.

Depois de cerca de dois meses de trabalho esporádico, o trabalho ficou pronto. Eu entreguei, conforme o que havíamos combinado e eles testaram. Alguns problemas foram corrigidos, a despeito da imensa dificuldade de comunicação (eu estou em Belo Horizonte e não podia ir até o Rio na época e eles não tinham acesso direto ao LMS mesmo se eu pudesse ir). Mas o problema se resolveu e eles deram ciência de que estava tudo certo.

Aí é que começou a encrenca. Depois de algumas semanas, eu não consegui nenhuma informação sobre o pagamento. Obviamente, eu comecei a ficar preocupado. Depois de alguma insistência, eles falaram que pagariam somente contra a emissão de uma nota fiscal, coisa que eu não tinha na época. Esse é o grande problema de trabalhos free-lance aqui no Brasil.

Depois de tentar convencê-los a usar qualquer outro meio legal que não fosse uma nota, sem sucesso, eu tive que me conformar com a idéia de conseguir uma. Passei mais de um mês procurando alguém que pudesse me fazer o favor legalmente até conseguir com um amigo que tinha uma empresa. Eu tinha que ir ao Rio na semana seguinte, e deixei a nota com uma amiga de lá para ser entregue em mãos no departamento financeiro da universidade.

Nisso, dois meses já haviam passado. Eu liguei para o departamento financeiro para saber se a nota havia chegado — minha amiga dissera que a entregara para a pessoa indicada — mas o meu contato na universidade disse que ainda não recebera a nota. E para piorar, a pessoa que me contratara saíra da faculdade e eu não tinha mais ninguém conhecido para pelo menos corrobar a minha situação.

Depois de mais quase um mês de espera, ligando no celular para o Rio quase todo dia e gastando quase 5% da nota nessas ligações, eles finalmente disseram que a nota fora recebida e estava sendo encaminhada para a contabilidade. Eu achei que seria apenas uma questão de dias até ver a cor do dinheiro. Ledo engano.

Mais um mês se passou e nada. A pessoa com a qual eu devia falar nunca estava na faculdade ou, se estava, saía assim que ficava sabendo que eu estava no telefone. Eu tentei falar com outras pessoas, mas nenhuma delas reconhecia o problema. E o tempo continuava correndo.

Eu já estava a ponto de desistir e pagar os impostos devidos ao meu amigo, quando ele se ofereceu para ajudar. Eu aceitei de bom grado e ele começou a pressionar a universidade. Ele teve o mesmo tratamento, sendo evitado pelas pessoas responsáveis. Mais quase dois meses se passaram com ele fazendo ligações ocasionais para a universidade. Quando ele percebeu que estava sendo enrolado, resolveu falar um pouco mais sério. Depois de muita insistência, eles finalmente aceitaram pagar a nota. Mas teria que ser um cheque nominal à empresa que emitira a nota. O problema é que a empresa não tinha uma conta corrente.

Nessa hora eu já estava pensando que a nota estava amaldiçoada e que eu devia deixar para lá. Mas meu amigo disse que poderia resolver a situação. O cheque foi enviado do Rio, finalmente, e chegou alguns dias depois. Agora era hora de endossar o cheque e depositar em outra conta. O gerente do banco disse que não haveria problemas com isso. Foi então que meu amigo decidiu imprimir atrás do cheque o carimbo que eles usavam para isso. E na hora de imprimir, a impressora travou e o cheque rasgou.

A nota fiscal realmente não queria ser paga. O meu amigo conversou com o gerente e este disse que tentaria depositar assim mesmo. O chegue foi enviado para a agência e então os bancários entraram em greve. Ironicamente, foi isso que resolveu a situação. Por causa da greve, o cheque acabou sendo depositado sem ser conferido e compensou nos cinco dias usuais por causa da praça diferente.

Semana passada, quase um ano depois do trabalho ter sido acordado, o dinheiro entrou em minha conta. Até então, eu estava seguramente convencido de que eu nunca veria o resultado do meu trabalho.

E desde então eu estou convencido que essa nota fiscal não veio de outro lugar senão o inferno.

Clusty

October 3rd, 2004 § 1 comment § permalink

A Vivisimo, nova empresa na área de busca Web, lançou um novo mecanismo de busca chamado Clusty.

O diferencial do Clusty é que ele permite agregar resultados por tópico, fontes ou URL. As duas últimas não são tão interessantes (pelo menos nos testes que eu fiz), mas a primeira é fascinante. Se os resultados são realmente relevantes só vai dar para saber com algum tempo de uso, mas o novo mecanismo parece realmente promissor.

Segundo Aniversário do Blog

October 2nd, 2004 § 6 comments § permalink

Esse ano, ao contrário do blog em inglês, eu não esqueci do aniversário desse blog. O dia de hoje marca dois anos escrevendo aqui, algo que sinceramente, eu não pensei que fosse acontecer.

Obrigado a todos vocês que lêem esse canto da Web.

Where am I?

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