Vício

November 23rd, 2004 § 6 comments

Internet cai no trabalho. As quarenta e cinco abas que você tem abertas no navegador se tornam parcialmente inúteis, já que você não pode seguir nenhum link. A notícia chega do suporte: a conexão com o provedor está com problemas e não deve voltar tão cedo. Você pensa se isso não é uma conspiração para acabar com a sagrada procrastinação, direito de todo programador. O tempo passa.

Você precisa de saber alguma coisa para continuar o programa que está fazendo. Você abre mais uma aba no navegador, sem pensar, e todos os sites dão conexão recusada. Você verifica rigorosamente os parâmetros de conexão do navegador antes de se lembrar que o impensável aconteceu. O desespero toma conta. Você nem se lembra de que a aplicação tem uma ajuda tão compreensiva quando a que você está tentando encontrar no site da empresa. Mais tempo se passa.

Sem e-mail, grupos de discussão e blogs, você começa a se sentir isolado do mundo. No escritório, até então silencioso — o único barulho sendo o do ar condicionado e o do eventual som de um e-mail chegando a uma caixa de entrada — vozes começam a sor, uma cacofonia rara no local. O tempo continua a passar.

Depois de um tempo, até suas mãos começam a tremer — sinal seguro de síndrome de abstinência. Você decidi que é hora de ir para casa antes que a coisa pior. Em casa, há pelo menos uma conexão dial-up. Você fecha os programas e se preparar para desligar o computador.

De repente, uma janela solitária do instant messenger pipoca na tela. A conexão está de volta. Suspiros aliviados soam ao redor. O silêncio é quase que instantâneo. Êxtase — e saturação da rede também.

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