Ajude a Àsia

December 29th, 2004 § 4 comments § permalink

Se você pode, faça uma doação para ajudar as vítimas do tsunami na Àsia.

Doe pela Amazon (para a Cruz Vermelha) ou usando qualquer outro desses sites.

O Terceiro Milênio

December 28th, 2004 § Comments Off § permalink

Revisitar obras que marcaram você em algumas épocas de sua vida sempre envolve um risco. Às vezes, o que você achou tocante ou digno de nota em uma primeira visita se transforma em algo banal e carecente de interesse em uma próxima passagem. Outras vezes, a obra consegue até manter parte do encanto inicial mas você percebe que a mesma possui fraquezas que você não notara anteriormente.

Esses dias, eu reli O Terceiro Milênio, de José Maria Domenech. A minha história com esse livro é engraçada, como eu já havia comentando em uma entrada anterior. Depois de quase dez anos sem me lembrar que o mesmo existia, ele é mencionado em uma lista de ficção científica da qual participo. No dia seguinte, eu topo o mesmo em um sebo, apesar de que ele é bem difícil de se achar — e em boas condições, ainda por cima.

Como eu disse também naquela entrada, esse livro foi um dos primeiros de ficção científica que eu li e um dos que me deu o gosto pela coisa. Eu devia ter entre nove e onze anos na época (se me lembro bem onde o consegui) e já me interessava profundamente por qualquer coisa relacionada com ciência, principalmente no que tangia ao espaço. Esse livro foi um dos que me mostraram que era possível combinar ciência e aventura, abrindo meus horizontes literários e me dando também a vontade de escrever minhas próprias estórias. Incluse, eu cheguei até escrever alguns pequenos contos relacionados com o tema do livro e com outras idéias que ele me deu — contos que, infelizmente, eu não guardei.

O livro me causou uma impressão tão forte que por todos esses anos eu me lembrava exatamente de linha geral da estória, embora não lembrasse detalhes específicos. Ao reler o livro, as surpresas vieram com coisas que me passaram despercebidas na minha leitura de infância. Principalmente no que se refere à filosofia pregada pelo livro, eu ainda não tinha a vivência na época para entender boa parte do que o autor queria dizer.

O Terceiro Milênio é uma estória escrita para defender um ponto de vista específico sobre a evolução da sociedade humana, na tradição de Admirável Mundo Novo, A Ilha, Walden II e Utopia. Não tem a mesma qualidade literária desses anteriores, mas possui o mesmo estilo.

No caso d’O Terceiro Milênio, o livro oferece uma visão otimista do futuro embora comece com a nota sombria de um holocausto nuclear, que, ironicamente, na visão implícita do autor, serviria para purgar a humanidade de seus impusos destrutivos. O livro ainda se apoia nas teorias Malthusianas como forma de atingir a sociedade perfeita.

Escrito em 1972, o livro é consideravelmente datado. A estória começa com a vigília espacial da primeira nave espacial humana de grande porte que, embora capacitada a percorrer as longas distâncias entre as estrelas, se destina, na verdade à colonização de Marte. No limiar dO Terceiro Milênio, a nave espera a ordem para o ínicio da missão quando um holocausto nuclear dizima a Terra. Os planos são então mudados pela tripulação e a nave parte para explorar sete estrelas numa caminhada milenar até que a Terra possa ser populada novamente. No retorno da nave, surpresas a esperam.

A estória não é original, mas tem o mérito de ser mais uma exploração das condições da sociedade da época e das possibilidades que a ciência começava a vislumbrar.

O livro é dividido em três partes principais. Os capítulos são bem curtos, geralmente ocupando duas ou três páginas e são bem expositivos. Uma das grandes falhas do livro está justamente aí. Os diálogos às vezes se convertem em grandes explicações que os personagens jamais precisariam de ouvir e que são dirigidas exclusivamente aos leitores. Ironicamente, a parte da qual eu mais me lembrava, que era a da viagem espacial, ocupa meros quatro capítulos no livro, totalizando não mais do que dez páginas.

A primeira parte do livro trata das condições que levaram à construção da grande nave e as evoluções tecnológicas que a possibilitaram. A segunda parte trata da hecatombe nuclear e da viagem da nave. A parte final narra o retorno da nave e as surpresas que a aguardam. Em todas as partes, as teorias do autor são minuciosamente exploradas.

Nessa leitura, eu descobri que não concordo com quase nada do que autor disse, mesmo desconsiderando as previsões incorretas do livro.

A visão de Domenech é de uma humanidade selecionada geneticamente e tecnologicamente controlada, lembrando em muito o livro de Huxley. Domenech divide a humanidade em duas classes, implicando que somente os superiores deveriam ser permitidos procriar. Embora isso não seja dito com todas as palavras, a idéia está lá.

Outra coisa que me desgostou profundamente foi o machismo do livro. As personagens femininas são meras coadjuvantes cujo objetivo é manter um ambiente agradável para os personagens masculinos. Na nave, existem três casais, além do comandante — que é solteiro. As mulheres (cujas qualificações científicas são notadas apenas de passsagem) tem a função de “donas de casa” que mantém a nave limpa, a tripulação masculina bem alimentada e tudo nos seus devidos lugares, dando ajuda ocasional na manipulação de instrumentos científicos.

Os avanços tecnológicos previstos por Domenech — hibernação, escudos magnéticos e inteligência artifical, entre outros — em sua maioria ainda não chegaram. O autor mostra uma certa desconfiança da tecnologia que deve ser mantida sob estrito controle para não voltar-se contra a humanidade. Na nave, três inteligências artificiais compartilham o controle da missão, colocadas, assim por dizer, uma contra a outra para que não se unam e tomem o controle que é devido aos seus mestres humanos.

Existem outros pontos, mas não quero cansar ninguém discutindo as falhas do livro exaustivamente. Apesar desses problemas, o livro ainda retém uma parte do seu encanto para mim. A estória é bem contada e, se não fossem algumas falhas de estilo e as tecnologias ultrapassadas, ainda seria bem capaz de prender a atenção da maioria dos fãs do gênero. Para a sua época, o livro teve o mérito de explorar questões que com o passar do tempo se tornaram ainda mais importantes. Embora as soluções indicadas pelo autor não sejam do meu agrado, a discussão é interessante.

Depois dessas críticas, acho difícil que alguém queira lê-lo. Mas como ele tem um certo valor histórico como um dos poucos livros de ficção científica publicados no Brasil, vale a pena dar uma olhada.

Clube de Leituras LLL

December 28th, 2004 § 1 comment § permalink

O Alexandre começou um projeto super-bacana no blog dele: o Clube de Leituras LLL. Eu que sempre fui fã desse tipo de coisa, me empolguei imediatamente.

Depois de realizar uma votação entre os leitores para descobrir quais são os melhores livros de todos os tempos, ele resolveu ler as obras em conjunto com os leitores e fomentar uma discussão distribuída sobre os mesmos.

Como eu ainda não li um monte de livros na lista compilada pelo Alexandre, essa vai ser uma boa oportunidade para conhecer alguns novos autores, reencontrar velhos favoritos e de quebra discutir as obras.

O primeiro livro, escolhido como o melhor de todos os tempos, é Crime e Castigo, o clássico de Fiódor Dostoiévski. Do mestre russo, eu só li Os Irmãos Karamazov, mas foi há tanto tempo que nem me lembro direito da história. Essa obra também aparece na lista do Alexandre; então, vou ter um boa oportunidade para revê-la.

Se você quiser participar, as regras estão no blog do Alexandre. Não deixe de ler a entrada que ele fez sobre o assunto e entender como a coisa vai funcionar.

Falando em Crime e Castigo, esse livro é complicado de achar. A Submarino está listando as duas edições que vende como esgotadas. Ontem, no shopping, eu fui em duas livrarias e nenhuma delas tinha qualquer edição. Fiquei tentado pela obra completa, mas o preço é bem salgado — principalmente depois das compras excessivas de Natal. De qualquer forma, com um mês para ler o livro, não vai ser complicado. Na pior das hipóteses, eu baixo uma versão grátis no Projeto Gutenberg.

Então, o que você está esperando? Oportunidade melhor do que essa para conhecer alguns clássicos da literatura não aparece toda hora. Desgruda da tela do computador e vai ler alguma coisa que presta. :-P

Saldo de Natal

December 26th, 2004 § 3 comments § permalink

Três festas com um dia de descanso entre as duas primeiras e a última. Resultado: uns dois ou três quilos a mais que desfizeram tudo o que a academia tinha me ajudado a perder. Fazer o quê, né? Época de Natal dá para dar um desconto.

Tirei 274 fotos, perfazendo 368MB. Praticamente todas com 4 megapixels — para que fazer miséria se você tem tanto espaço nos cartões que nem consegue tirar fotos suficientes? Com mais 13 vídeos, perfazendo 235MB, deu para encher um CD somente com as fotos de natal. Imagina fazendo isso em filme? Sem chance mesmo…

De presente — nós não costumamos trocar presentes e geralmente compramos em comum, tradição familiar — uma câmera digital (melhor aquisição do ano), um DVD, catorze livros, e outras coisinhas. Esse fim de ano foi literário.

Durante o fim de semana, eu assisti sete filmes e dormi apenas 15 horas. Vou precisar recuperar durante a semana…

Agora é esperar o fim de ano e ver se eu não acabo de vez.

Feliz Natal

December 23rd, 2004 § 2 comments § permalink

A todos leitores e visitantes, um feliz Natal. Para os que não comemorar o Natal, um feliz fim de ano. :-) Como sempre, atualizações aqui serão erráticas até o próximo ano. Um abraço a todos. :-D

Dicas de FC&F

December 21st, 2004 § 2 comments § permalink

Para quem gosta de ficção científica e fantasia, algumas dicas:

Fictionwise
O melhor local para comprar e-books de ficção científica em inglês. Seleção variada, preços camaradas, suporte excelente e um site que simplesmente funciona.
Greg Egan’s Home Page
Página pessoal de um dos melhores escritores de FC da atualidade. Na seção de contos, você pode encontrar mais de 15 estórias disponíveis para leitura online.
Free Reads by Jim Kelly
Jim Kelly, outro escritor de FC famoso, disponibilizou vários contos seus em formato MP3, lidos por ele mesmo, no seu site. Vale a pena dar uma conferida.
Futurismic: Fiction
Ficção científica online escrita pelos autores do excelente blog Futurismic (que também é uma leitura muito boa).
Infinity Plus
Ficção científica, fantasia e horror por famosos e não famosos igualmente.

Justificando o Rails

December 19th, 2004 § 3 comments § permalink

Ian Bicking não está particularmente impressionado com o Rails. Segundo ele, não há nada que torne o framework especial. Como um longo usuário de framework Web, eu entendo algumas das críticas dele e até concordo com algumas coisas que ele diz. Como um recém-entusiasta do Rails, eu discordo do comentário como um todo.

Como os leitores desse blog sabem, uma coisa que eu valorizo extremamente em uma linguagem ou biblioteca é a simplicidade. Mais do que qualquer outra característica, a simplicidade é o que define a utilidade e o poder de alguma ferramenta de programação para mim. E simplicidade aqui não é a mera facilidade de uso, mas uma série de coisas que tornam a ferramenta um instrumento útil a longo prazo, como eu já escrevi aqui várias vezes.

A resposta curta então, para o comentário de Bicking seria essa: Rails tem a simplicidade que nenhum outro framework que eu já usei ou pelo menos conheço possui. Como uma resposta simples e direta assim provavelmente não é tão valiosa, eu vou comentar alguns aspectos específicos do que Bicking escreveu.

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His Dark Materials

December 18th, 2004 § Comments Off § permalink

His Dark Materials é a bem imaginada, mas em última instância desapontadora, trilogia de Philip Pullman.

O primeiro contato que eu tive com Pullman foi através da Amazon. Eu estava olhando alguns livros de fantasia para comprar e uma das recomendações na página em que eu estava era o livro inicial da trilogia, The Golden Compass (ou Northern Lights, como ele chamado nas edições inglesas).

Eu li a sinopse e me desinteressei imediatamente. Para começar, o protagonista é uma criança, coisa que raramente me interessa atualmente. Com exceção de alguns clássicos e alguns livros muito bem escritos, a maioria das estórias onde o personagem principal é muito jovem tende a estar abaixo do nível que eu espero. Segundo, uns dos personagens era um urso de armadura. Eu não sei por que, mas no momento me ocorreu que eu nunca leria um livro com um urso de armadura como personagem. Eu estava enganado, mas no momento me pareceu uma coisa ridícula demais para o meu gosto. O livro parecia uma história bem infantil.

O tempo passou e eu acabei esquecendo do livro. Uma breve menção apareceu em um dos blogs que eu li, falando justamente sobre os tais ursos de armadura. Mas eu já tinha esquecido do livro e só lembrei do fato bem depois.

Quando eu comecei a comprar livros na Fictionwise, comecei a fazer uma lista dos que queria adquirir gradualmente. E mais uma vez topei com a trilogia do Pullman que, se não me engano, estava sendo oferecida em uma promoção na época. Dessa vez, por algum motivo, minha opinião foi diferente. A resenha presente no site dava uma visão diferente e mais agradável dos livros — sem mencionar nenhum urso em armadura — e eu acabei comprando os três livros.

Eu baixei os livros da Fictionwise, e os coloquei na minha fila de leitura. Mesmo depois de tê-los comprados, eu acabei relutando um pouco para começar a ler, com medo de me decepcionar. Mas, depois de algum tempo, finalmente tomei coragem e comecei a ler o primeiro livro.

Eu me apaixonei na primeira frase. Para um obra de fantasia, a frase é simplesmente perfeita. E o resto do primeiro livro só me convenceu de que a minha primeira opinião sobre a estória estava errada. A protagonista, Lyra, embora uma criança, é tão bem construída que é impossível não se interessar pelo destino dela. Os personagens secundários também não ficam para trás. E — eu sei que isso é irônico — os ursos de armadura se revelam criaturas fascinantes do final das contas. » Read the rest of this entry «

Open Books Project

December 16th, 2004 § Comments Off § permalink

Dica do Galvez: A O’Reilly tem um site com vários livros de tecnologia completos disponibilizados em PDF e HTML. Alguns estão com as edições esgotadas e assim não podem ser encontrados mais facilmente. Mesmo que parte do conteúdo seja ultrapassado, vale a pena dar uma olhada. Alguns títulos interessantes: We the Media, Unix Text Processing, DocBook: The Definitive Guide, e Linux Network Administrator’s Guide.

Confiança no Google

December 15th, 2004 § 2 comments § permalink

Uns meses atrás, por ocasião do lançamento do Google Desktop, eu escrevi um texto aqui falando que eu não confiava muito no Google, principalmente por causas de um certa dissonância entre a política declarada deles — “Don’t be evil” — e algumas das ações tomadas por eles em certos incidentes, como, por exemplo, o episódio da ajuda à censura na China por parte do Google News.

Na época, alguns até me chamaram de neurótico, mas isso não me incomoda porque, quando o assunto é privacidade, eu chego quase à paranóia mesma. Se eu não me defender nessa área, ninguém mais vai. Para certas coisas, eu realmente quero saber o que está sendo feito e como está sendo feito.

Mas, voltando ao assunto, a questão da confiança no Google continua aberta e com o lançamento de mais um projeto em larga escala da companhia, a digitalização de livros de vários bibliotecas grandes dos Estados Unidos, as pessoas estão voltando a considerar o assunto. Dessa vez, três nomes conhecidas na blogosfera dão sua opinião.

Scott Rosenberg diz:

The public has a big interest in making sure that no one business has a chokehold on the flow of human knowledge. As long as Google’s amazing project puts more knowledge in more hands and heads, who could object? But in this area, taking the long view is not just smart — it’s ethically essential. So as details of Google’s project emerge, it will be important not just to rely on Google’s assurances but to keep an eye out for public guarantees of access, freedom of expression and limits to censorship.

Rosenberg aplaude a inicativa do Google como sendo uma das melhores já tomadas pela companhia, mas não perde a visão de que o Google é uma empresa, com interesses comerciais que podem entrar em conflito com o que o público em geral quer ou precisa. Hoje, Rosenberg argumenta, podemos confiar no Google razoavelmente porque a companhia tem mais acertado do que errado no que tange ao interesses dos seus usuários. Mas, ele continua, isso provavelmente não vai durar. As pessoas que hoje dirigem o Google vão dar lugar a outras no futuro, com prioridades que podem não se alinhar com as políticas relativamente benéficas praticadas atualmente pela empresa.

Obviamente, eu concordo. O Google tem um glamour especial de companhia que sempre acerta no que faz, que realmente inova e eleva o patamar do que se espera de aplicações Web e isso muitas vezes faz com que as pessoas se esqueçam de fatos básicos. Nenhuma companhia alia os seus interesses corporativos com os dos usuários por bondade, é óbvio. Esperar que o Google seja diferente é um erro.

Dave Winer toca nesse ponto em seu comentário sobre o artigo de Rosenberg:

Another way of looking at it: What if Microsoft were doing what Google is doing? Of course we wouldn’t let them do it without a very serious and probably very shrill examination. Well, I’m telling you, Google today is as dangerous as Microsoft, and I wouldn’t bet on their trustworthyness (sic), not without a lot more light having been shed on this. The technology industry is built on a foundation of arrogance and disdain for users. Google is too. You may not have seen it yet, but I have.

A comparação com a Microsoft é interessante porque é sempre feita em relação ao Google, mas em um aspecto totalmente oposto. O Google é freqüentemente citado como sendo a nova Microsoft, no sentido em que será a companhia a quebrar o monopólia da gigante em áreas de interesse como a própria Microsoft fez com a IBM. Mas isso também ofusca as questões que devem ser feitas com o controle que o Google exerce sobre os dados de seus usuários. Comentando sobre os dois textos anteriores, Jon Udell comenta:

Bottom line: I think that stewardship of so much of our private as well as public information requires a lot more transparency than Google currently practices. For example, on the day that MSN Search was announced I pointed to a funny but tasteless prank that Google News played on Microsoft. Are we really supposed to believe that an algorithm chose that unflattering photo of Bill Gates? Of course it didn’t. But how can we know for sure?

O Google hoje controla um conjunto de informações imenso e eu não estou falando dos documentos que ele indexa para o seu mecanismo de busca. Seja no Orkut, no Google Mail ou no Blogger, o Google armazena em seus servidores uma quantidade gigantesca de dados em favor dos usuários desses serviços, muitas vezes sob termos que são para lá de duvidosos. Felizmente, eles ainda disponibilizam algumas ferramentas para a exportação desses dados, embora, algumas vezes, só depois de outros terem contornado as barreiras iniciais.

Essa mordomia dos dados, como Udell coloca, é uma responsabilidade muito grande e o Google ainda não enfrentou uma crise de tamanho suficiente para permitir julgar como eles reagiriam em caso de problemas. Inclusive, essa seria uma forma de ganhar a maior confiança de seus usuários: definir mais claramente os cenários problemáticos e como eles lidariam com os mesmos.

A questão da centralização também é importante. A centralização é sempre apontada como uma das características indesejáveis de protocolos, produtos e serviços. No caso do tipo de produtos que o Google oferece, a centralização é até desejável em certos aspectos por permitir a prestação de um serviço melhor. E descentralizar, obviamente, não faz sentido para uma companhia. Mas, mais uma vez, é necessário ter cuidado com a forma como o acesso é provido. Caminhos fechados para o acesso sempre prejudicam os usuários mais tarde.

Nesse tipo de situação é que eu concordo mais com a ideologia por trás do movimento de código livre. Ainda que existam inúmeras questões a serem resolvidas nas áreas de conflito entre os interesses comerciais de uma empresa e a necessidade de dar segurança aos usuários por meio da liberação do código, eu ainda penso que o código livre oferece o melhor caminho para a proteção dos interesses do público.

Em resumo, por melhor que o Google seja como companhia, eu acredito que o nosso papel como usuários é observar sempre o que está acontencendo. Não fazer isso é arriscar surpresas desagradáveis mais tarde. Como Rosenberg também diz em seu artigo, o que var acontecer na hora que uma nova geração no Google decidir que é preciso mais agressividade com o portifólio de produtos e procurar novas maneiras de lucrar? Os usuários é que têm tudo a perder se decisões erradas forem tomadas.

Assim, eu mantenho minha opinião. Sou usuário de alguns produtos do Google, mas faço minhas escolhas entendendo que eles podem mudar abruptamente suas políticas como é direito deles. Enquanto as águas estiverem amenas, eu continuo a nadar. E, na hora que for necessário, eu mantenho minhas opções abertas para qualquer eventualidade. Eu acredito que essa é uma posição sensível.

Where am I?

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