Paternidade

December 7th, 2004 § 12 comments

Quando eu me casei, há quase quatro anos atrás, ter um filho era a última coisa que eu tinha em mente como parte do meu casamento. Na verdade, quando alguém perguntava sobre o assunto durante os primeiros dois anos do casamento, tanto eu quanto minha esposa respondíamos com um enfático não para a possibilidade.

E, naquela época, eu realmente não tinha a intenção de ter um filho tão cedo — se tivesse. Eu não era o tipo que detestava crianças pequenas ao meu redor, mas não era também o tipo que dava atenção para alguma que estivesse perto. Indiferença talvez seja a palavra que melhor caracterizava a minha atitude então.

Imagine então o meu espanto quando a minha atitude mudou drasticamente de um dia para o outro — literalmente. Uma noite, eu não imaginava a possibilidade de ter filhos nas próximas décadas. No dia seguinte, eu acordei querendo ter um filho imediatamente. Minha esposa ficou completamente espantada. Do nada, de repente, eu queria ser pai.

É claro que coisas dessa magnitude não podem ser apressadas. Foram alguns meses de planejamento e depois mais alguns meses de tentativas. Sexta-feira passada, o nosso “pacotinho” completou cinco meses de vida nesse nosso mundinho azul. Já se vão quase dois anos desde o dia em que eu choquei a mim mesmo com minha decisão e eu não consigo imaginar outra vida. Como um amigo meu, que teve uma filha recentemente, disse: “Se eu soubesse que era tão bom, tinha arrumado um mais cedo”.

Hoje, eu estava deitado quando vi minha esposa levantar para dar mamadeira para ele. Voltei a dormir para aproveitar a última meia-hora antes do trabalho. Já estava quase no décimo sono quando senti alguma coisa mexer nas minhas costas. Com relutância, abri os olhos e me virei na cama. Meu filho tinha conseguido se virar na cama e estava tocando minhas costas. Quando ele viu que havia sucedido em chamar, abriu um sorriso esfuziante, estendendo as mãos para que eu o pegasse. Eu acho que nunca senti nada igual em minha vida como naquele momento. E isso compensou todas horas de sono perdidas, toda preocupação e todo o trabalho que um filho representa.

Eu ainda não entendo o que me levou a mudar de idéia tão subitamente, mas eu sei que eu jamais me arrependerei na decisão.

§ 12 Responses to Paternidade"

  • Leocadio says:

    Olá, paz e bem!

    Posso palpitar? Lembre-se do Eclesiastes: há um tempo para tudo!

    Após o Criador ter concedido uma grande parceira, logo, logo, no tempo certo, também Lhe aprouve que vocês concebessem…

    Agradecido por partilhar sua alegria por sábia decisão com os amigos. Muitos deles, na mesma condição de pais assim como eu.

    []s

    Leo

  • Oneirvs says:

    Putz, eu quase chorei.

  • Kenji says:

    há alguns posts vc deixou a tecnologia de lado e partiu para algo mais “1a pessoa do singular” – ou do plural. E agora nos brinda com este depoimento.

    Quer saber? o Superfície ficou melhor :-)

  • Vida

    Hmm… acho que estou sentimental ultimamente. Quem sabe daqui a alguns anos eu também tenha essa felicidade? Essas coisas é que fazem a gente querer viver. Superfície Reflexiva: Paternidade…

  • sergio lima says:

    Se um bom dois é melhor ainda, principalmente para o filho 😉

  • caffo says:

    Sem comentarios… perfeito.

  • Derick Lemos says:

    Leio o seu blog já faz 1 ano e nunca comentei, achei esse o momento perfeito.
    Quase chorei…

  • TaQ says:

    Seria relógio biológico?

    O chamado animal de ter um filho?

    Ou aquela coisa mais fria do Richard Dawkins dizendo “você é um mero receptáculo e são seus genes, em uma atitude egoísta, que o fazem procriar para que eles, genes, se perpetuem”?

    Podem ser alguma ou as três coisas, A CAUSA e a VONTADE de se desejar ter um filho, vai saber.

    Agora, o que vem DEPOIS você expressou muito bem: cada dia que passa é uma surpresa e uma alegria diferente que nós nem imaginávamos que poderíamos ter.

    Do alto dos nossos 30 e poucos (estou falando de mim ehehe) ás vezes pensamos que já vimos e sentimos tudo de bom que a vida podia nos trazer (não que não pensemos que não tem mais nada de bom, lógico, mas achamos que já sentimos de tudo) e quando temos um “pacotinho” descobrimos o quão errado estava esse pensamento. :-)

    Ver minha filha nascer com certeza foi uma das maiores e melhores emoções que já tive na vida. Não dá para descrever. Só não digo que foi a maior e melhor por que muitas outras vieram e vem todo dia daquela coisinha fofa lá. :-)

    Naqueles dias que você chega em casa quebrado, morto, estressado e dá de cara com aquela carinha banguelinha, babando e sorrindo, não tem preço. 😀

    E é nessas e outras que a gente, que fica “codando”, “designando”, debatendo conceitos, códigos e padrões complicados aqui na net, vemos que no fundo somos todos humanos e o que compensa disso tudo mesmo é amar e cuidar bem de nossos filhos. Pois não há alegria maior. :-)

    Grande abraço.

  • Bruna Guzman says:

    Fico emocionada lendos esses textos tão cheios de amor e carinho. Ainda sou filha mas sinto que o amor dos pais é algo que não se pode adjetivar, só se pode entendê-lo vivenciando.

    Que essa luz na vida de vcs ainda ilumine muitos sorrisos de satisfação, muitas lágrimas de alegria e muitas rugas de preocupação (nem tudo são flores, não é….rs). Deus abençoe sempre essa linda família…

    E, papai babão 😛 , aproveite cada momento, pois eles são únicos e mágicos…

    Abraços carinhosos…:)

  • Carlan Calazans says:

    Putz, eu quase chorei (parte 2).

  • jao says:

    bom, a única conexão que tenho para poder tentar entender sua sensação, é ser tio.

    Eu amo muito meus sobrinhos, e acompanho a vida deles bem de pertinho (um deles inclusive é meu afilhado), SEI que ser tio não é nada quando comparado a ser PAI, mas da pra ter uma vaga idéia desse sentimento complexo/simples e maravilhoso.

    Eu fico maravilhado quando vejo meu sobrinho (o mais velho), que ainda não completou 3 anos, falando, procurando respostas e explicações para os pequenos desafios que surgem em seu caminho. E, principalmente, quando ele me dá broncas porque eu deixo minhas coisas bagunçadas (e olha que não são poucas as vezes que isso acontece).

    Meu afilhado, que tem quase 5 meses é outro caso, outro dia eu estava dando banho no garoto, e GARANTO que eu saí do banho mais molhado que ele, de tanto que ele batia as pernas se divertindo na banheira, e isso me deixou tão bobo, mas tão bobo que eu nem percebi que estava molhado até meu cunhado comentar.

    Bom, mas sei lá, esse sou eu, e eu sou apenas TIO… Parabéns pelo filho, e que ele te deixe sempre assim, feliz e orgulhoso de ser pai.

    Grande abraço!

    PS: eu concordo com o Kenji. Superficie Reflexiva em 1.a pessoa é BEM melhor.

  • Lenita Melo Ferraz says:

    Filho, sua emoção ao ter o seu primogênito é idêntica a emoção que eu tive em 1978 quando você nasceu. Você também mudou radicalmente minha vida. Pois eu também era indiferente a crianças, mas no momento em que eu soube que estava grávida de você minha vida mudou. E continuou com a chegada dos seus três irmãos e agora com meus netinhos. Parabéns Papai! AMO VOCÊS!

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