Essa coisa com nomes…

December 10th, 2004 § 12 comments

Eu não considero o meu nome complicado, mas isso não impede que os outros o confundam na hora de se dirigirem a mim. Herança talvez, do jeito que a coisa começou.

A história é engraçada. Minha mãe tinha um namorado chamado Ronaldo. O carinha parece que não era lá boa peça e minha mãe desgostou dele depois de um tempo. Quando eu estava para nascer, alguns anos depois, ela disse para o meu pai: “Coloca o nome que você achar melhor, contando que não seja Ronaldo”.

Meio que inevitavelmente, Ronaldo cá estou. O que deu na cabeça do meu pai naquele dia, até hoje nem ele mesmo sabe explicar.

Talvez por causa do jeito que o nome foi dado, ele estava destinado a ser confundido eternamente. Tirando os apelidos, o nome sempre muda quando alguém me conhece. E, depois de alguns minutos, quase sempre vem a pergunta: “Como é o seu nome mesmo?”

Uma vez, em um acampamento, eu comecei sendo chamado de Ronaldo. De Ronaldo, eu passei a Reinaldo; de Reinaldo a Renoldo, via um americano que não sabia português direito. E não parou por aí. De Renoldo, era inevitável Rodolfo. E se havia Rodolfo, porque não Adolfo? Depois de quatro dias de acampamento, esse era o nome pelo qual eu era mais conhecido. (Para os céticos, essa história é verídica).

De Ronaldo para Reinaldo, eu até entendo. Reinaldo e Ronaldo são formas do germano Reginold (que significa aquele que rege por meio de conselhos). Agora, de Renoldo (não muito longe de Reginold) para Rodolfo, a distância é bem maior. Mas se conseguiu mudar tanto, já dá para chegar ao resto: de Rodolfo (lobo famoso) para Adolfo (nobre lobo) já não é tão longe.

Entre os estrangeiros, Renoldo é meu nome mais comum. Mas tem Rolando, que normalmente leva a Orlando. Formas do mesmo nome (terra famosa), ajudam a entender a dislexia alheia. Mas eu não sou um cavaleiro errante e talvez estejam me confundindo com Rinaldo e não com o furioso.

Adolescente, com Ronaldinho no auge da sua fama, era inevitável o mesmo apelido. Considerando que, quando eu jogo futebol, eu acerto mais pernas do que a bola, provavelmente estavam me comparando à feiúra do outro e não aos seus dotes futebolísticos.

Ronaldão veio depois do casamento. A circunferência cresceu e o apelido pegou. Se eu não resolver isso rápido, vai ficar para o resto da vida. E eu não sei o que é pior: o nome trocado ou as insinuações nesses apelidos.

Por isso é que o nome do meu filho não começa com R. Traumatizei.

§ 12 Responses to Essa coisa com nomes…"

  • TaQ says:

    Isso é por que você não se chama Eustáquio. :-)
    Na hora que atende o telefone:

    _CPD, boa tarde.
    _Quem fala?
    _Eustáquio.
    _Eu quem?
    _EUST?QUIO!
    _Ahn?

    Eu já nem ligo mais. Mas no começo enche o saco. :-)
    Para tentar evitar rolos, começaram a me chamar de Taquinho, e foi o apelido que ficou até na época que comecei a tocar em bandas.
    Aí uma vez a gente foi tocar num lugar aí e o lanche era de graça para os caras da banda, e o sujeito do balcão perguntou:

    _Tenho que anotar seu nome no pedido.
    _Errrr … põe aí “Taquinho”.
    _Uhnnn … vou anotar “Caco” tá?

    Pior foi o dia que saimos em uma das inúmeras matérias de jornal como: “o Nothing Face é composto por Sérgio ‘Naza’, Beto e Saquinho”. Aí foi o fim ahahaha. Não tinha jeito mesmo. :-)

    Resolvi encurtar mais ainda, ainda mais usando o nick direto na net (o pessoal dos Estados Unidos iriam falar “ta-cuim-rou”) e acabou ficando só TaQ. :-)

    Agora esses dias chega um email aqui:
    _E aí, TAG, tudo blz?

    Rê. Larga mão né? :-)

    Não esquenta com isso não. :-)

  • Ronaldo says:

    Saquinho? TAG? Huahuahuahuahuahuahua! 😛

  • TaQ says:

    Isso, ri, maledeto. :-)

  • Fernando da Silva Trevisan says:

    uhahuahuauhauhauhahuahuahu

  • Eu achava que essas coisas só aconteciam comigo:
    De Tâmara para Tamára, Talita e Tábata, mas é Pâmela o meu pseudônimo mais comum.
    Eu já nem ligo, às vezes dá vontade de adotar uma atitude mais pessimista:
    _ Ah! Chama do jeito que você quiser. Você vai errar mesmo.
    Mas a pior de todas e a que eu carrego até hoje veio de um gringo:
    _ I never met a girl called Tomorrow.
    (sorrisinho amarelo)

  • Daniel Koch says:

    Eu nunca tive esse tipo de problema, meu nome é Daniel e meu apelido sempre foi “Backz”, foi um apelido que ‘eu me dei’ e taí até hoje, embora eu já tentei mudar algumas vezes.

    Tudo começou no cursinho, eu falava bastante e me deram um apelido bem legal: Bocão. Passado um tempo eu já tava usando esse apelido na net, e depois do cursinho vi que precisava mudar, mas ao mesmo tempo eu gostava das letras que compunham o “bocão”, então eu pensei.

    Na época eu não era muito ocupado e passava minhas tardes brincando no SDK do Back Orifice 2k (pode), e resolvi então mudar meu nick pra Back Orificer, não deu muito certo, então mudei pra “Back”. Funcionou mas tinha um duplo sentido, algumas pessoas confundiam meu nick com o que elas costumam usar pra sair da realidade. Então, pra resolver o problema, acrecentei um ‘z’.

    E ficou: “Backz”. Isso foi uns 5 anos atrás praticamente. A coisa foi pegando e se transformando, de Backz para Backizinho, Backoso, Backzolito, Backzão… Acho que até minha mãe me chama de Backz, mesmo eu preferindo “Daniel”.

  • Dael says:

    Primeira vez que estou comentando aqui, embora já seja leitor acíduo.
    Dêem uma olhada no meu nome, incomum por natureza. A reação das pessoas é sempre imprevisível: há os que parecen não ligar, há as risadinhas e há também o s não raros “o quê?”. Mas já me acostumei.
    Quanto as mudanças, elas também são comuns. Me chamam de Daniel, Israel e daí pra adiante. É a vida…

  • Carlan Calazans says:

    Acontece nas melhores famílias 😉

    Constantemente pego alguém me chamando de Carlão, Carlos, Darlan e por ai vai, pelo menos consigo distinguir que é comigo, rs.

  • Mr. Pipe says:

    O meu nome é Kenzo. Poucos sabem que meu segundo nome é Marcelo (ok, ok, uma combinação terrível, concordo). O segundo nome eu uso para pedir pizza:

    Atendente: O total é R$ 25,80. Qual o seu nome?
    Eu: Kenzo
    Atendente: Como?
    Eu: Kenzo
    Atendente: Não entendi. Pode repetir?
    Eu: Marcelo.
    Atendente: Obrigado sr. Marcos, a pizza chega em 20 minutos.

    Eu mereço!

  • Gesiel says:

    Meu nome é Gesiel… acho que nem preciso falar nada, né? :-)

  • Caparica meu caro… Caparica.

    Consegue imaginar as derivações?

    😛

  • Darcio says:

    Esse lance de trocar nomes é mesmo bem comum. Gosto do meu, apesar de, na hora de falar pras pessoas, esse sotaquezinho caipira não ajudar muito – moro no interiorzão de SP.
    :)
    Sérgio, Tércio, Marcio, Laércio…Antes ficava repetindo, mas agora já desencanei…
    Minha mãe achava um jornalista da Globo inteligente, e me batizou com o nome dele.

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