Tutorial de Rails

January 28th, 2005 § 8 comments § permalink

Depois de tanto falar no Ruby e no Rails (aqui e aqui também), já era hora de apresentar alguma coisa que prestasse.

Para isso, fiz um tutorial do Rails. É um coisa rápida e bem introdutória mesmo, mas espero que vocês gostem. Se você tiver em banda estreita, tenha um pouco de paciência porque o tutorial usa bastante imagens e demora um pouco para carregar nas páginas finais.

20 milhões de raposas

January 24th, 2005 § 6 comments § permalink

O Mozilla Firefox atingiu o impressionante total de 20 milhões de downloads para a versão 1.0, lançada no começo de novembro do ano passado. Eu, que já convenci um bando de amigos, vizinhos e parentes a migrarem para esse navegador, fico bem contente com a notícia.

Para ter uma idéia do número, o número de usuários de Internet no Brasil gira em torno de 14 milhões. E o Brasil é um dos países mais conectados no mundo (por irônico que isso pareça). Nada mal para um navegador que nem vem instalado junto com o sistema operacional.

Postfix

January 20th, 2005 § Comments Off on Postfix § permalink

Quando mais eu uso, mas eu me impressiono com o Postfix. Além de ser extremamente fácil de configurar e manter, toda hora eu descubro uma facilidade que ajuda a resolver alguma coisa que eu nem sabia que precisava.

Esses dias, no processo de migração dos meus servidores, eu queria garantir que nenhum e-mail fosse perdido durante as transferências de DNS. A solução, transformar o servidor antigo em somente uma ponte para o novo servidor. Até aí, tudo bem: qualquer servidor de e-mail digno do nome suporta isso. Mas fazer isso atualizando um único registro em um banco de dados? Convenhamos. É fácil de mais. Cadê o monte de arquivos texto que eu tenho que modificar?

Gotchas

January 20th, 2005 § 2 comments § permalink

Coisas para ficar esperto quando estiver usando:

Finalmente…

January 18th, 2005 § Comments Off on Finalmente… § permalink

Parece que eu estou me livrando da minha gripe. Essa foi a pior que eu peguei desde que eu me entendo por gente. Daquelas que você se sente como se tivessem atropelado você com um rinoceronte.

O engraçado foi o médico dizendo: “Eu acho que você não está com pneumonia; acho que é só bronquite”. Dureza…

Calculating God

January 18th, 2005 § 5 comments § permalink

Um alienígena pousa em frente a um museu canadense. Ao invés de pedir para falar com as autoridades locais ou qualquer coisa similar, ele deseja ver um paleontologista. Seu objetivo? Obter mais informações que possam demonstrar os meios pelos quais Deus atua no universo.

Essa é a premissa de Calculating God, de Robert J. Sawyer, um dos mais aclamados escritores de ficção científica da atualidade. Infelizmente, como é comum no gênero, os livros do Sawyer não podem ser encontrados no Brasil e precisam ser importados. Esse livro é o primeiro que eu leio dele e me deixou bastante empolgado para ler mais livros do autor.

O livro começa com a cena referida acima. Alienígenas de duas estrelas relativamente próximas chegam à Terra e um deles, Hollus, procura a ajuda de um paleontologista local para encontrar mais evidências do modos pelos quais Deus atua para cumprir a sua vontade. Segundo Hollus, a existência de Deus é um fato científico, que pode ser facilmente deduzido da observação dos fenômenos naturais. Resta apenas entender as razões pelas quais o Criador faz o que faz.

O paleontologista que Hollus conhece, Thomas Jericho, é um racionalista radical que se orgulha de não ter espaço para a fé em sua vida. Ele fica surpreso ao constatar que Hollus não considera a questão de Deus uma questão de fé, mas sim uma questão de ciência, de fatos tangíveis. O livro segue então a relação entre os dois à medida que Hollus e Jericho confrontam suas visões do universo e refletem sobre assuntos que vão de teologia a mecânica quântica, passando por biologia e filosofia. Jericho, como nós descobrimos nas páginas iniciais, tem câncer de pulmão e tem apenas um ano de vida restante — uma situação que lembra muita a do falecido Carl Sagan. Isso também o impele a considerar sua própria vida diante do prisma que Hollus coloca.

Longe de ser um livro banalizando o assunto, Calculating God procura pensar seriamente sobre as questões envolvidas, focalizando tudo em provas científicas. Como o personagem alienígena coloca no começo do livro, nada está fora do âmbito da ciência, nem mesmo a existência de Deus. Isso torna o livro uma longa discussão sobre o assunto, com relativamente pouca ação. Essa opção narrativa é executada com maestria, porém, e o livro prende a atenção do leitor já em seus primeiros parágrafos.

Como cristão, eu tenho um opinião bem específica sobre o assunto, mas gostei muito do modo como Saywer apresenta os seus argumentos e concordo com muitas das conclusões a que ele chega. Além de entrenter, o livro tem o mérito de não fugir das dificuldades do assunto. De fato, mesmo que entreter seja seu propósito primário, o livro certamente levará os seus leitores a repensarem alguns de seus conceitos e suposições sobre o assunto.

Em resumo, leitura mais do que recomendada.

Prisão Religião?

January 11th, 2005 § 24 comments § permalink

Atualização: Como a Alexandre parece não estar muito interessado em ter uma discussão sobre o assunto, eu não vou continuar a série que estava planejando, a menos que haja interesse de outras pessoas.

(Se você é um leitor regular e gosta mais ou somente da parte técnica, aviso que este texto difere fundamentalmente — com perdão do trocadilho — do que coloco aqui normalmente. Fique à vontade para pulá-lo e esperar a próxima entrada, se não se interessar. Sem ressentimentos.)

O Alexandre — do blog Liberal, Libertário, Libertino — está publicando mais alguns textos na sua série de artigos sobre as prisões (supostas ou não) que limitam o homem. Dessa vez, o assunto é religião, uma tema decididamente espinhoso.

Comentando com o Galvez via ICQ, eu disse que não meteria o bedelho no assunto, apesar de ler e gostar da maioria do que o Alexandre escreve, porque discussões sobre esse assunto tendem a degenerar rapidamente e mesmo as pessoas que tentam argumentar ao seu favor acabam contribuindo somente para aumentar o nível de ruído.

Depois de ler o segundo texto sobre religião, porém, eu decidi que talvez valha a pena tentar argumentar, partindo do ponto de vista oposto. Eu considero muito o que o Alexandre escreve, mas os argumentos dos dois textos vistos até agora carecem tanto de fundamento que parecem saídos d’O Código Da Vinci — por exemplo, asserções como a de que Jesus nunca pregou uma ruptura com o judaísmo e a de Paulo inventou o cristianismo moderno. Como gosto de fazer, já vou avisando que vou debater o mérito dos argumentos, não as opções do Alexandre, apesar de considerar que ele não teve a mesma gentileza.

Esse meu primeiro texto, inclusive, é apenas para introduzir algumas clarificações no debate antes de entrar nos detalhes dos argumentos propriamente ditos. Como o Alexandre não qualificou muitas das declarações em seus textos, provavelmente ao responder o meu (se ele decidir fazer isso, é claro), ele terá que ser mais específico.

Começando, então, a primeira coisa a notar é que eu sou um verdadeiro cristão. Nas palavras do Alexandre, “alguém tão cego e tão aprisionado por dogmas tão idiotas que mal conseguiria funcionar como ser humano”. Até a última vez em que verifiquei, eu conseguia funcionar como um ser humano normal (talvez minha esposa discorde, mas essa é outra história). Assim, como o rótulo “verdadeiro cristão” não foi definido adequadamente, eu vou supor que signifique alguém que aceite a Bíblia como autoridade moral e inspirada.

Eu sou um fundamentalista no sentido antigo do termo, alguém que aceita certos fundamentos bíblicos como sendo o seu credo — não a distorção usada hoje em dia para referir-se a certos cultos islâmicos radicais. Eu sou criacionista, embora recuse a maior parte do que foi escrito sobre o assunto. E sou um batista tradicional, se a distinção denominacional for importante. Em outras palavras, protestante. (Interessante é que, em outro texto, o Alexandre diz que as Bíblias protestantes são menos intrusivas, favorecendo uma interpretação mais pessoal, ou seja, obrigam os leitores a pensar.)

Isso dito, eu sou um cético no sentido mais amplo e prático possível da palavra. Se você nunca ligou essa palavra a um cristão, sua visão do cristianismo é realmente limitada. Eu sou um fundamentalista (dogmático, algums diriam) e, ainda assim, um cético.

Provavelmente, você já ouviu essa piada:

“Um engenheiro, um físico e um matemático estão viajando de trem pela Escócia quanto vêem uma ovelha negra passar lá fora.

‘Interessante!’ diz o engenheiro. ‘As ovelhas escocesas eram negras.’

‘Você quer dizer que algumas ovelhas escocesas são negras, não?’ replica o físico.

‘Não’, responde o matemático. ‘Tudo o que sabemos é que há pelo menos uma ovelha na Escócia e que pelo menos um lado dessa ovelha referida é preto.'”

Eu sou esse matemático. Ou as testemunhas juramentadas de Estranho em uma Terra Estranha, de Robert Heinlein, que provavelmente é de onde essa piada surgiu. A matemática tem axiomas; a religião tem dogmas. (Largue essa pedra e pegue um dicionário.)

Paulo também era um cético. Se consideramos suas ações como descritas na Bíblia e concordantes com a tradição, ele era um homem que examinava criticamente os fatos que chegavam a ele. Um dos conselhos que ele deu em suas cartas (1 Tessalonicenses 5.21) foi justamente esse: “Não desprezem as profecias [a revelação bíblica], mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom.”

Em grego, a expressão “por à prova” é dokimazó, que significa literalmente “testar”, “examinar criticamente”. E a palavra traduzida para “bom” é kalos, que geralmente significa valioso, honesto, digno de confiança.

Paulo advoga nada mais, nada menos do que o velho princípio de considerar tudo à luz da evidência e decidir racionalmente o que é verdade ou não. Isso é esperado de ciência; por que não de religião?

Eu sou um cético. Minha religião está embasada no meu raciocínio. Isso não quer dizer que eu possa provar tudo. Longe disso. Quando mais eu penso no que a minha filosofia representa para mim e para minha interação com os outros, mais perguntas se levantam. Algumas dessas, são intensamente difíceis e eu ainda tenho um longo caminho pela frente para respondê-las. Mas isso não limita o meu pensamento crítico e nem foi capaz de remover a minha fé. Há uma questão, inclusive, que me afigura tão complicada que eu acho que ainda vou estar refletindo sobre aspectos dela aos oitenta anos.

Não existe fé cega para um cristão verdadeira. Não há nada na palavra fé (é a velha e boa confiança) que requeira a suspensão da descrença. Se você olhar exemplos da própria Bíblia (nesse texto ainda vou me ater primariamente a ela), você perceberá que ela nunca exigiu isso do crente.

Quer exemplos? Quando Abrão perguntou a Deus como “saberia que as coisas que Deus dissera realmente aconteceria” (Gênesis 15), Deus não o fuzilou instantaneamente por falta de fé. Deus fez um tratado legal com Abrão. O Todo Poderoso se submeteu ao crivo do direito. Não acredita que o texto retrata eventos reais? Nem importa, para falar a verdade. O que é visível aqui é que não há insultos à inteligência de ninguém.

Quer outro exemplo? Os cristãos de Beréia, em Atos, foram considerados mais nobre do que os de Tessalônica porque receberam a mensagem com alegria e examinaram dia a dia as Escrituras para ver se o que Paulo dizia era verdade. Dois coelhos de uma cajadada só: essa passagem mostra que a atitude de ceticismo prático era aprovada e que o que Paulo dizia estava de acordo com a Tanaach.

Eu poderia citar exemplo após exemplo (Dt 18; 2 Sm 1; 2 Co 13; Dn 1; Ez 13; Jo 20; At 17, etc, etc.) em que o raciocínio é considerado como uma prática básica na Bíblia e em outros escritos dos chamados pais da Igreja. Voltando ao texto do Alexandre, sem oferecer provas, ele recorre à falácia argumentum ad hominem para justificar seu argumento (sem contar outras como falso dilema, argumentum ad ignorantia, apelo à autoridade, generalizações apressadas e outras que aparecem nos dois textos).

Todavia, eu já estou me esticando demais. Nos próximos textos (se eu ainda tiver morrido da gripe que peguei), eu vou tratar alguns argumentos específicos. Existe até uma questão interessante sobre a prisão da crença cristã, considerada na própria Bíblica. Você sabia, por exemplo, que a fé é chamada de escravidão da liberdade em Cristo Jesus? Pois é.

Se ainda tiver paciência, vejo você no próximo texto.

Ufa!

January 11th, 2005 § 4 comments § permalink

Além do fim de ano, a falta de textos aqui também tem a ver com a gripe brava que contraí esses dias. Estou me livrando dela, então retorno em breve à programação normal.

Aviso rápido

January 3rd, 2005 § 4 comments § permalink

Estou testando uma nova forma de combate ao spam em referrers, usando um pouco de programação voodoo. Se você conseguir acessar o meu site via RSS, mas não pelo navegador (ou vice-versa), por favor, me dê um toque por e-mail.

Ecos e borrões

January 1st, 2005 § 4 comments § permalink

Primeiro dia do ano. Quando eu era mais jovem, eu tinha o costume de passar a virada do ano acordado. Ficar acordado mais do que vinte e quatro horas seguidas pelo menos uma vez a cada trezentos e sessenta e cinco dias era uma forma de indicar uma nova etapa na minha vida. Depois que me casei, os hábitos mudaram. Ficar mais velho, trabalhar até o último segundo do ano algumas vezes, ir para casa cansado; tudo isso acaba tirando aquele ânimo juvenil de desafiar o próprio corpo e o tempo.

Esse ano, acabei passando a noite acordado por coincidência. Não tinha planejado, mas acabei ficando e sozinho ainda por cima. Assisti um filme com meu irmão, e depois ele foi dormir. Minha irmã acordou, ficou sem sono e assistimos outro filme. Enquanto isso, o resto da casa dormia. Terminei a noite no computador, lendo as últimas notícias, navegando a esmo e pensando na vida.

O dia lá fora está amanhecendo. A luz de um sol ainda pálido está se espalhando lentamente pela janela, iluminando as casas ao redor e colorindo o céu de um rosa esmaecido que, fugaz, já começa a perder o seu lugar para o suave azulado da manhã. E eu penso naqueles cujo nascer do dia não foi ou não será tão calmo.

Fim de ano é sempre tempo de reflexão, por mais que se tente evitar isso. A aura fugidia de mais um ano que se escoa, deixando para atrás apenas ecos e borrões que vão sumindo e se apagando lentamente, convida a mente a refletir sobre sua mortalidade. O fim do ano velho e o início do ano novo são o limiar da realidade, onde o passado e o futuro se encontram por um breve instante, ficando face a face em uma luta silenciosa.

O ano de 2004, em retrospecto, foi um ano incrível para mim. A minha vida sofreu uma reviravolta completa com o nascimento do meu filho e isso me deu uma perspectiva completamente diferente de tantas coisas que eu não saberia por onde começar se quisesse enumerá-las. E mesmo os outros eventos menores acabaram coloridos por esse acontecimento.

Esses dias, eu estou lendo Tomorrow Now, do Bruce Sterling, e ele usa bastante a parternidade como uma analogia para algumas previsões do futuro que ele faz. Uma frase dele, em especial, chamou minha atenção: “Nós somos o passado de nossos filhos”. Nada como um nascimento para deixar isso claro. Eu sou o passado de meu filho. Quando ele olhar para atrás, nos anos vindouros, eu serei uma das referências pelas quais ele julgará a sua vida assim como os meus pais são uma das referências pelas quais considero a minha.

E embora essa frase do Sterling possa parecer desanimadora, ela me afigura como cheia de otimismo. Ao colocar o passado nesse foco tão claro, fica mais fácil por o resto de nossas vidas em perspectiva. O tempo voa, como é proverbialmente dito, mas o tempo também escoa com uma suavidade que chega a doer, uma doçura que pode ser saboreada a cada instante indivisível da existência.

Eu me lembro de esperar ansiosamente pela virada do milênio. Que época para ter vivido! Poder contemplar o momento em que três noves se converteram em três zeros movendo o ponteiro do relógio em um salto tão pequeno e ao mesmo tempo tão gigantesco. E agora, cinco anos se passaram desde a própria virada — mais do que oito desde aqueles dias de espera. Eu cresci e diminui. Eu aprendi e esqueci. Eu me evergonhei e me orgulhei. Eu ri e chorei. E cada um desses segundos de memória é um tijolo avermelhado em minha identidade. Ecos e borrões, mas trilhas também. Marcações no caminho.

O futuro? Eu não sei. Usando as palavras de um velho sábio, a única coisa que me cabe é fazer o melhor uso possível do tempo que me é dado. E essa talvez seja a única resolução que eu possa fazer nesse começo de ano: considerar o potencial de cada minuto. Alguns, inevitavelmente, eu desperdiçarei. Mas os outros, que compensem aqueles que eu perderei. Afinal de contas, há uma casa a terminar — e eu preciso de tijolos.

Where am I?

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