Ajax hype

March 21st, 2005 § 2 comments

Ajax parece ser a nova palavra da moda entre os desenvolvedores Web — um novo modo de se referir à uma combinação de DHTML, XML e JavaScript para criar aplicações Web supostamente mais interativas e mais usáveis.

Eu não estou muito impressionado. Eu concordo com o Ian Hickson que o Ajax é apensar uma nova maneira para falar de algo que desenvolvedores já vêm usando há um bom tempo. Nada de novo, nada que já não tenha sido visto.

A única coisa diferente seja talvez a questão de branding, para a qual o Jonas me chamou a atenção em uma conversa via instant messaging. De certa forma, a palavra Ajax define uma nova maneira de pensar sobre essas tecnologias já existentes que pode levar ao surgimento de mais coisas interessantes na área, sejam aplicações, toolkits ou similares.

Mesmo assim, eu acho que o entusiasmo por trás da coisa toda é maior do que o merecido. Talvez porque eu já estou usando algo assim por mais de quatro anos. Será possível que esse seja mais um dos segredos bem guardados da indústria? Sei lá.

No começo de 2001, eu já estava usando o Tabular Data Control (TDC) no IE para evitar recarregar a página para mudanças simples, fazendo uso pesado de DHTML para montar páginas que, sem precisar de roundtrips explícitas no servidor, podiam coletar e gerenciar informação complexa com uma boa velocidade.

Alguns meses depois, foi a vez do XML e XSL para facilitar a geração de fragmentos de página que pudessem auxiliar nas tarefas acima. E com o surgimento do XmlHttpRequest, a questão ficou ainda mais fácil.

Umas das primeiras aplicações que eu criei usando essa facilidade foi um fórum hierárquico em que os galhos das conversas eram carregados de forma dinâmica para criar uma experiência mais interativa para o usuário. Funcionou muito bem. Mais tarde, eu criei um editor de fluxogramas baseado na mesma idéia.

Para mim, XmlHttpRequest e TDC são faces da mesma moeda, tanto quando SOAP e REST. Atendem a propósitos iguais e só muda a complexidade e flexibilidade da implementação. O TDC era absurdamente simples mas me atendia quase tão bem quanto o XmlHttpRequest, que de melhor tinha somente a integração mais fácil com o mecanismo XSLT do navegador.

No final, como Hickson disse, não faz sentido tratar a coisa toda como se fosse um presente dos deuses. As limitações da Web continuam a existir e pender muito para esse lado dinâmico no cliente pode causar problemas. Acessibilidade, por exemplo, é notoriamente mais complicada em uma aplicação assim (falando por experiência própria).

Obviamente, como usuário freqüente dessas tecnologias, eu não sou contra o Ajax. Só acho que o que pode ser feito deve ser julgado à luz do que já aprendemos na Web e implementado com o cuidado necessário para não perder o que ganhamos em termos de acessibilidade e usabilidade com o aumento do uso correto dos padrões.

§ 2 Responses to Ajax hype"

  • Concordo com você quando diz que essas tecnologias não são novidades e que o Ajax é só um empacotamento para coisas que já estavam por ai a algum tempo, e outras que surgiram a não tanto tempo assim, mas quanto acessibilidade discordo de você.
    O uso dessas tecnologias permite criar sites mais similares a softwares desktop, com menos refresh e a redução de várias etapas para realizar uma única função, isso na minha opinião é ganho de acessibilidade, veja o exemplo do gmail, que abusa dessas tecnologias que o Ajax empacota, ele se parece muito mais com uma aplicação desktop do que com uma página web e isso que me faz gostar tanto dele não só o fato do espaço, porque nisso ele já foi superado.
    Admito que a implementação de sites com essas tecnologias é um pouco mais minuciosa pra não dizer trabalhosa, mas acho que se bem planejada pode sim aumentar a acessibilidade.

  • Ronaldo says:

    Oi, Cristóferson–

    Tudo bom? Muito obrigado pelo seu comentário.

    Sobre o que você descreve, eu vou ter que discordar. :-) O que você descreve, essa similaridade com aplicações desktop é usabilidade, ou seja, a capacidade de poder usar o conhecimento adquirido no uso de um sistema em outros.

    Acessibilidade, por outro lado, é tornar a aplicação disponível em condições de uso restritas — por exemplo, para cegos através de um screen reader. Nesse caso, usar Ajax implica em mais trabalho. Mas é possível também.

What's this?

You are currently reading Ajax hype at Superfície Reflexiva.

meta