Acid2

April 15th, 2005 § 3 comments § permalink

O Web Standards Project lançou anteontem o teste Acid2, cujo objetivo é expor falhas na implementação dos padrões em navegadores Web. Previsivelmente, todos navegadores falham no teste.

O Gecko, mecanismo de renderização por trás do Mozilla, apresenta uma implementação substanciamente incorreta, embora o resultado seja pelo menos visualmente aproximado do que deveria ser. Mas eu fiquei espantado foi com quão espetacularmente o Internet Explorer falha no teste. A renderização resultante não tem absolutamente nada a ver com o certo.

Impressionante.

Isso me faz pensar em quão pouco das características avançadas do CSS e HTML nós podemos usar, considerando as diferenças gritantes de implementação dos navegadores mais comuns (Mozilla, Internet Explorer, Opera e Safari).

O trabalho de correção já começou. Dave Hyatt, desenvolver primário do Safari, já corrigiu alguns problemas nesse navegador e explica o que fez no seu blog. O Mozilla provavelmente vai seguir essa liderança logo. Só resta saber o que vai acontecer com o IE, principalmente considerando a incerteza quanto ao aumento do suporte a padrões nele, mesmo considerando que a equipe que o desenvolve está ativa novamente.

De qualquer forma, a iniciativa é muito útil e interessante. O mercado de navegadores com certeza ganhará com isso, ainda mais pensando no crescimento de metodologias como o Ajax.

A propósito, se você quiser saber o que o teste faz e como funciona, há uma página com explicações detalhadas sobre o mesmo.

Chaves

April 14th, 2005 § 11 comments § permalink

Nas últimas três quarta-feiras, justamente o dia em que a mulher não está em casa na hora em que eu chego do trabalho, eu esqueci de levar as chaves quando saí de cada de manhã. Acho que o universo está querendo me dizer alguma coisa.

The Scar

April 13th, 2005 § Comments Off § permalink

Semana retrasada, eu terminei de ler The Scar, outro espantoso livro por China Miéville, o segundo em sua série livre sobre o mundo de Bas-Lag, especialmente sobre a cidade ou pessoas relacionadas à cidade de New Crobuzon.

Como o primeiro — Perdido Street Station — esse segundo livro é difícil de ser descrito. Mais uma vez, Miéville leva o leitor em uma impressionante viagem ao redor de um mundo magnificamente construído, povoado por personagens que variam do fascinante ao repelente, mas sempre interessantes.

Embora relacionado a Perdido Street Station por meio de um personagem e pela menção de alguns eventos, o livro conta uma estória substancialmente diferente e se passa em sua inteireza fora de New Crobuzon.

O livro começa com a fuga de Bellis Coldwine, uma lingüista de New Crobuzon que está sendo procurada pela milícia da cidade pelo seu possível envolvimento ou conhecimento dos fatos passados no primeiro livro — ela é uma ex-amante de Isaac Dan der Grimnebulin, o brilhante cientista cuja curiosidade insaciável causou os eventos descritos em Perdido Street Station. Ela embarca então em um navio, dirigindo-se para uma colônia remota da cidade, pensando em deixar algum tempo se passar até que ela possa voltar à cidade.

A viagem não é concretizada, porém, e o navio é capturado por piratas, os oficiais superiores executados, e o resto dos passageiros, prisioneiros e tripulação levados como cativos de Armada, uma cidade pirata flutuante construída com os cascos de navios capturados, dividida em seções comandadas por diferentes poderes. Na cidade, todos os capturados são considerados iguais, e recebem trabalhos ao serem integrados à sociedade de Armada. Mas mostrar deslealdade é morte e Bellis não está preparada para terminar os seus dias longe de New Crobuzon. Por causa disso, ela embarcará em uma tentativa de fuga que a colocará a par de segredos profundos e riscos além da sua compreensão.

Novamente, Miéville lida com temas profundos, alguns previamente explorados, outros novos recebendo um excelente tratamento por meios dos personagens e situações criados. E como New Crobuzon, Armada é uma personagem em si mesma, com seu próprio fascínio e complexidade. Miéville demonstra mais uma vez o seu comando estilístico de gênero, imergindo o leitor em uma experiência literária poucas vezes repetida em fantasia. O único defeito do livro talvez seja um certo exagero no linguajar de alguns personagens, onde a voz de Miéville acaba sobrepujando a voz dos personagens, embora isso não danifique a história de forma alguma.

Depois desses dois livros, Miéville definitivamente se tornou um dos meus escritores de ficção favoritos, rivalizando com Stephen R. Donaldson e Neal Stephenson no vigor literário. Assim que eu terminar a lista de livros que juntei nos últimos meses, quero comprar o próximo livro dele, Iron Council, que retorna à cidade de New Crobuzon algumas décadas depois. Julgando-se por esses dois primeiros, não vou ficar desapontado.

Where am I?

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