The Scar

April 13th, 2005 Comments Off on The Scar

Semana retrasada, eu terminei de ler The Scar, outro espantoso livro por China Miéville, o segundo em sua série livre sobre o mundo de Bas-Lag, especialmente sobre a cidade ou pessoas relacionadas à cidade de New Crobuzon.

Como o primeiro — Perdido Street Station — esse segundo livro é difícil de ser descrito. Mais uma vez, Miéville leva o leitor em uma impressionante viagem ao redor de um mundo magnificamente construído, povoado por personagens que variam do fascinante ao repelente, mas sempre interessantes.

Embora relacionado a Perdido Street Station por meio de um personagem e pela menção de alguns eventos, o livro conta uma estória substancialmente diferente e se passa em sua inteireza fora de New Crobuzon.

O livro começa com a fuga de Bellis Coldwine, uma lingüista de New Crobuzon que está sendo procurada pela milícia da cidade pelo seu possível envolvimento ou conhecimento dos fatos passados no primeiro livro — ela é uma ex-amante de Isaac Dan der Grimnebulin, o brilhante cientista cuja curiosidade insaciável causou os eventos descritos em Perdido Street Station. Ela embarca então em um navio, dirigindo-se para uma colônia remota da cidade, pensando em deixar algum tempo se passar até que ela possa voltar à cidade.

A viagem não é concretizada, porém, e o navio é capturado por piratas, os oficiais superiores executados, e o resto dos passageiros, prisioneiros e tripulação levados como cativos de Armada, uma cidade pirata flutuante construída com os cascos de navios capturados, dividida em seções comandadas por diferentes poderes. Na cidade, todos os capturados são considerados iguais, e recebem trabalhos ao serem integrados à sociedade de Armada. Mas mostrar deslealdade é morte e Bellis não está preparada para terminar os seus dias longe de New Crobuzon. Por causa disso, ela embarcará em uma tentativa de fuga que a colocará a par de segredos profundos e riscos além da sua compreensão.

Novamente, Miéville lida com temas profundos, alguns previamente explorados, outros novos recebendo um excelente tratamento por meios dos personagens e situações criados. E como New Crobuzon, Armada é uma personagem em si mesma, com seu próprio fascínio e complexidade. Miéville demonstra mais uma vez o seu comando estilístico de gênero, imergindo o leitor em uma experiência literária poucas vezes repetida em fantasia. O único defeito do livro talvez seja um certo exagero no linguajar de alguns personagens, onde a voz de Miéville acaba sobrepujando a voz dos personagens, embora isso não danifique a história de forma alguma.

Depois desses dois livros, Miéville definitivamente se tornou um dos meus escritores de ficção favoritos, rivalizando com Stephen R. Donaldson e Neal Stephenson no vigor literário. Assim que eu terminar a lista de livros que juntei nos últimos meses, quero comprar o próximo livro dele, Iron Council, que retorna à cidade de New Crobuzon algumas décadas depois. Julgando-se por esses dois primeiros, não vou ficar desapontado.

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