American Gods

May 30th, 2005 Comments Off on American Gods

Neil Gaiman é um autor que consegue prender completamente a minha atenção. Ele é provavelmente mais famoso pelos seus quadrinhos (Sandman) do que pelos seus livros, mas são justamente os livros que me atraíram em primeiro lugar. Dos quadrinhos, eu vi pouca coisa e não me interessei muito.

Esses dias, terminei de ler o seu American Gods, uma história fascinante de mito e fantasia que me manteve interessado do início ao fim. O livro já foi traduzido para o português, inclusive, e pode ser encontrado em qualquer livraria decente.

Do Gaiman, eu já tinha lido o Stardust, que é um encantador conto de fadas, capaz de agradar leitores de qualquer idade — embora, se você for ler para os seus filhos, considere-se avisado sobre a cena de sexo (quase) explícito no começo do livro que, não sei porque cargas d’água, foi incluída em uma estória que não tem qualquer outra referência sexual explícita depois.

Resolvi esses dias comprar um outro livro dele e fiquei em dúvida entre o Neverwhere e o American Gods. Acabei decidindo pelo último e, embora vá comprar o outro também, acredito que o American Gods certamente se mostrará superior pelo que eu já andei lendo sobre os dois.

Eu não vou estragar a surpresa de ninguém, contando muito sobre o livro, mas basta dizer que o protagonista se vê envolvido em uma luta entre os deus antigos da humanidade (nórdicos, russos, irlandeses, egípcios, praticamente todo o panteão do velho mundo faz uma aparição ou outra) e os novos deuses da era moderna (mídia, dinheiro, tecnologia e a misteriosa Agência — que deve existir porque todo mundo acredita que ela existe). Tudo, entretanto, é mais do que parece e Gaiman leva o leitor a uma exploração fascinante da cultura americana vista através dos olhos de um europeu. O resultado é muito interessante, ainda mais quando visto pelos olhos de uma terceira parte.

Para qualquer amante de mitologia, o livro é um prato cheio. As referências internas e surpresas se multiplicam em todas as páginas, incluindo sensacionais jogos de palavras que são um prazer de decifrar.

Gaiman é capaz de prover cada um dos seus personagens com uma voz própria que se encaixa perfeitamente no perfil para o mesmo. De Shadow, o protagonista — que sai da prisão para descobrir que sua mulher morreu em uma acidente de carro mas não ficou entre os mortos e resolveu visitá-lo, iniciando uma complexa relação ao longo do livro — ao velho Wednesday, seu misterioso empregador que esconde segredos em cada uma de suas revelações, os personagens se sucedem memoravelmente.

É um livro para ler novamente até pelo mero prazer de ouvir uma estória bem contada.

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