Erros no uso de Ajax

June 1st, 2005 § 6 comments

Alguns dias atrás, Alex Bosworth escreveu sobre problemas que resultam do uso indiscriminado do Ajax, listando alguns dos erros mais comuns em sites que utilizam as tecnologias relacionadas.

É uma boa lista e mostra que o Ajax deve ser usado com o mesmo cuidado que dedicamos aos padrões Web, procurando manter uma uniformidade de experiência que se traduz em usabilidade e acessibilidade. Como eu já disse em outras ocasiões, o Ajax faz com que alguns desses objetivos sejam mais complicados de se atingir — é muito fácil, por exemplo, esquecer da acessibilidade nessas horas, já que ela é traduzida em demandas mais complexas do que o usual.

Eu estou experimentando bastante com o uso de Internet em dispositivos móveis (escreverei mais sobre isso em breve) e a única aplicação Ajax que degradou bem, das que usei em alguns dispositivos diferentes, foi o Google Mail, que se manteve completamente usável e acessível.

O maior problema do Ajax, nesse sentido, é que ele requer mais um passo de degradação graciosa. Uma aplicação Web comum, construída com formulários e páginas normais, já possui suas próprias necessidades para degradar adequadamente (por exemplo, em navegadores que não suportam CSS ou JavaScript, ou que possuem resoluções bem menores que as normais). O Ajax acrescenta mais uma camada sobre isso, exigindo que a aplicação funcione em condições completamente diversas — por um lado, como uma página normal, construída com formulários normais, e por outro lado, como uma aplicação rica, capaz de se modificar dinamicamente, bem mais flexível.

Esses requerimentos conflitantes geram quase todos os problemas citados por Bosworth. Outros, como a quebra do botão “Voltar” são um resultado natural de aplicações Web em si, maximizados com o uso do Ajax. Inclusive, no caso do botão “Voltar”, eu ainda estou para ver uma biblioteca Web popular que trate isso adequadamente. Talvez seja a hora de esquecer desse botão e procurar alternativas mais interessantes como a possibilidade de desfazer alterações cumulativas em uma aplicação Web qualquer.

De qualquer forma, continua sendo interessante ver o Ajax ganhar popularidade como um novo nome para uma velha coleção de tecnologias que chega finalmente à maturidade agora, com o surgimento de bibliotecas, aplicativos e técnicas. Só espero realmente que o que ganhamos com os padrões não seja perdido.

§ 6 Responses to Erros no uso de Ajax"

  • Outro dia eu estava lendo esse mesmo artigo e me perguntando ainda sobre outra coisa: qual será o nível de acessibilidade de aplicações com Ajax…
    Acredito que nessa hora as coisas podem ficar um pouco mais complicadas… Estou para ver sites(e ainda mais sistemas) com um nível de acessibilidade bom(nem espero que eles estejam 100% em conformidade com o WAI), e com o Ajax, até onde eu posso vislumbrar, isso deve ficar mais difícil.

    Espero que a gente(desenvolvedor) possa pensar nisso também na hora de desenvolver aplicações…

  • Ronaldo says:

    Conhecendo os programadores, vai ser outra luta difícil. Nós tendemos sempre a projetar os sites para o que há de maior e melhor, testando em nossas máquinas de última geração e esquecendo de onde os programas vão rodar. Mas se aprendemos com os padrões Web, podemos aprender aqui também. Espero… :-)

  • Ainda bem que eu não trabalho com “isso”. Acho que um programinha em C+FLTK é mais funcional que um baseado em navegador e dá menos trabalho. :-)

    Falando sério agora.O pai do ‘Alex Bosworth’ também resolveu falar sobre Ajax.
    http://www.adambosworth.net/archives/000044.html

  • Ronaldo says:

    O engraçado é que tem dez anos que eu trabalho basicamente com Web. Poucas vezes tive que criar alguma aplicação desktop. E hoje em dia, é até difícil falar disso com um cliente, mesmo quando resolver melhor. Todo mundo parece encarar a Web como a solução mágica, sem se preocupar com o que está por baixo e com outros tipos de soluções mais interessantes.

    Interessante o link por sinal. E o Adam Bosworth trabalha no Google, não?

  • O C+FLTK era brincadeira, mas a minha história é oposta. Em mais de 10 anos tive que criar duas aplicações web (e estava mais para páginazinha do que ‘aplicação’). Mas qualquer um das duas metodologias possuem vantagens e desvantagens (o que significa que ambas possuem alguma coisa errada).

    Quanto ao Adam, não sei dizer. Mas na página principal tem um link para uma entrevista dele em 03/2003 e, pelo curriculum, seria interessante para o Google.

  • Ronaldo says:

    E eu achando que você estava mesmo criando aplicações minimalistas. :-) Concordo com a questão de vantagens e desvantagens. Tudo tem sua hora, e tudo tem o seu preço também.

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