De empregado a patrão

June 8th, 2005 § 9 comments

Começar uma empresa sua é um negócio complicado, com perdão do trocadilho. São tantas coisas preocupando a sua mente que você fica sem saber o que faz primeiro, tanto na questão da organização da empresa em si como no dia-a-dia do trabalho. Passar do mindset de um engenheiro para o mindset de um gerente é um desafio e tanto.

Nos últimos meses, eu venho tentando me adaptar a essa situação, lentamente estabelecendo as bases para o meu negócio. Acho que eu nunca tive um tempo tão apertado em minha vida, parecendo um malabarista que tenta equilibrar as demandas de administração de contas e gerenciamento de projetos.

Mas, a despeito das complicações, eu estou gostando muito da experiência. Existe, por um lado, a necessidade de ficar muito mais atento aos pequenos problemas que surgem diariamente e que demandam uma forte priorização para evitar que as demandas se acumulem, e, por outro lado, a liberdade de tomar suas próprias decisões no que concerne ao rumo dos seus projetos. É um aprendizado contínuo já que a prática da administração de uma empresa, em termos do tipo de problemas que surgem, é qualitativamente diferente da prática da análise de sistemas.

De certa forma, é a mesma diferença entre humanas e exatas. Você não lida com quantidade precisas que podem ser medidas e repetidas de acordo com a necessidade, mas com variáveis dinâmicas que oscilam entre fatores cujo balanço muitas vezes é bem delicado.

Existe também uma certa ironia quando você passa de empregado a patrão. Eu imagino que isso seja comum a todos empregados em qualquer parte do mundo e em qualquer período histórico, mas o fato é que estamos sempre reclamando das condições de trabalho. Algumas vezes com razão e outras vezes não, embora as coisas em que não temos razão acabem sempre mascaradas pelas reclamações válidas. Quando você passa para o outro lado dessa equação é que fica claro como é difícil manter todos os lados satisfeitos. Uma empresa tem tantas necessidades quanto seus funcionários e conciliar as duas coisas requer bastante trabalho.

Por outro lado, é possível ver também quantas decisões simples poderiam ser tomadas que facilitariam a vida dos funcionários com retornos bem interessantes. Como eu já estou precisando de funcionários, eu estou tentando criar um estilo diferente de trabalho que beneficie os funcionários e os mantenha satisfeitos. O objetivo é provar que, algumas vezes, o que vai contra o senso comum empresarial é, na verdade, o melhor caminho. Algumas experiências estão funcionando muito bem.

§ 9 Responses to De empregado a patrão"

  • TaQ says:

    Ei, boa sorte na sua empreitada!
    Algum dia eu faço isso também! :-)

  • Neto Cury says:

    Eu sei das responsabilidades, mas e iniciativa de usar alternativas em vez dos tradicionais conceitos é ótimo, tenho certeza que seus empregados são mais felizes que o normal…
    Abração e boa sorte.

  • C.E. Lopes says:

    E qual é a empresa (URL)? E quais experiências seriam essas? Fiquei curioso… :-)

    Conta mais aí!

  • Fico feliz em saber que estás gostando!!

    Já me meti a ter empresa há algum tempo, e constatei que sou incapaz de fazê-lo bem, por isso decidi deixar nas mãos de quem sabe fazer! :-)

    Sei o quanto é difícil gerir um negócio, e acredito que o fundamental para que o negócio ande, é ter um administrador que esteja gostando do que está fazendo… caso contrário seria um fracasso!

    Parabéns pela empresa, espero que tenhas muito sucesso, pois o Brasil precisa de empresas que dêm valor a seus funcionários e façam trabalho de qualidade!!! :-)

  • Ronaldo says:

    TaQ, ‘brigadão. Se Deus quiser, vai dar tudo certo — para todos nós.

    Neto, obrigado pelos votos. Eu realmente estou procurando mudar algumas coisas, principalmente as que me incomodavam quando eu era mais empregado que empregador. Como você disse, é uma responsabilidade grande. Se Deus quiser, e com muito trabalho, vai dar tudo certo.

    Lopes, tudo bom? A empresa se chama Bit Bucket. O site está ficando pronto ainda e deve entrar no ar nas próximas semanas. Assim que tiver alguma novidade, eu coloco no blog.

    Sobre as experiências, não se preocupe. À medida que eu for experimentando e errando ou tendo sucesso, eu vou colocando coisas no blog também. Eu tenho alguns textos já engatilhados e só dependendo do meu crivo pessoal mesmo para aparecerem por lá.

    Rafael, obrigado pelos votos e pela força. Eu estou apanhando muito, mas aprendendo também. Graças a Deus, eu tenho amigos que têm experiência e que têm me ajudado bastante.

  • Fernando da Silva Trevisan says:

    Ronaldo, fantástico descobrir isso sobre você. Passo pelo mesmo processo já há 4 anos e sei bem do que você está falando. Recomendo um livro que li recentemente, “Virando a própria mesa”, de Ricardo Semler. Apesar do título parecer aqueles “auto-ajuda empresarial” e ele perder alguma parte do texto falando sobre empresas familiares, há toda a experiência dele como um administrador que mudou muita coisa e ainda assim obteve sucesso. Vale a leitura ainda mais por ser a história de um brasileiro, nesse nosso cenário empresarial caótico (para dizer o mínimo)…

    Grande abraço!

  • Ronaldo says:

    Fernando, valeu pela dica do livro e pela força. Vou dar um jeito de comprá-lo. Qualquer coisa que me ajuda a ganhar mais experiência é bem-vinda. :-)

  • Aí, Ronaldo! Beleza?

    Boa sorte na empreitada. Mas lembre-se do seguinte: empresário não é o mesmo que patrão, e colaborador não é o mesmo que empregado.

    http://www.meiradarocha.jor.br/index.pl/abolicao_do_emprego

    Espero que você nunca seja patrão… 😉

    Abração, e sucesso!

  • Ronaldo says:

    Opa, Meira. Tudo bom? Muito tempo, hein?

    Bem, na entrada, eu tentei usar as palavras sem a carga que elas possuem normalmente, mas você tem razão. Da próxima vez vou ser mais cuidadoso. Eu estou, inclusive, escrevendo um manifesto que quero usar como política da minha empresa, estabelecendo claramente as bases de relacionamento e respeito. Assim que tiver alguma coisa “comentável”, envio para você. :-)

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