Mobilidade

June 10th, 2005 § 9 comments

Com o crescimento da minha (nano-)empresa, minha necessidade de mobilidade de dados está crescendo. Eu preciso gerenciar o meu servidor, ler e enviar e-mail, corrigir problemas em páginas e aplicações Web muitas vezes fora do meu ambiente de trabalho usual.

Como eu ainda não me sinto preparado para comprar um laptop (várias razões incluindo preço do que eu quero, tamanho, segurança e transporte), acabei optando por uma solução menor: um handheld e um celular que se conectasse ao mesmo, permitindo que eu acessasse a Internet via GPRS.

Como eu já tinha um Tungsten E, que não possui Bluetooth, fui forçado a escolher um celular com suporte a IrDA. No começo, eu pensei em comprar um Siemens CX65, que parecia interessante, mas acabei optando por um Nokia 6600 que consegui por um excelente preço.

O 6600 é um celular Symbian, ou seja, um smartphone capaz de fazer muito do que o meu Palm faz. A redundância compensa porque há horas em que eu estou só com o meu celular e algumas aplicações funcionam até melhor no 6600 que no Tungsten. Por exemplo, há uma versão do PuTTY, o excelente cliente SSH, para o 6600 mas não para o Palm.

(Falando em PuTTY, nada mais interessante que receber uma ligação de um cliente, entrar no seu servidor enquanto pelo próprio celular enquanto ele está falando com você, resolver o problema, e já dar o retorno na hora.)

O resultado dessa combinação, surpreendentemente, é uma boa mistura de flexibilidade e portabilidade. Os aparelhos são pequenos e fáceis de carregar e, embora ambos consumam energia o suficiente para precisar de recarga quase diária (ambos possuem cartões de memória e é no acesso aos mesmos que a maior parte da energia é gasta), a minha experiência com ambos tem sido muito boa.

A grande dificuldade de portáveis, em minha opinião, é a inserção rápida de dados. É a única hora, em minha opinião, que o tamanho reduzido prejudica.

No celular, você fica limitado ao sistema de previsão de escrita que o mesmo possui. O da Nokia é bom (não tão bom quanto o dos Motorola mais recentes, entretanto), e como o 6600 roda Symbian, as opções relacionadas para copiar, colar e editar texto são relativamente boas. Como o celular também é razoavelmente grande, é possível entrar texto com as duas mãos com facilidade, simplificando a tarefa. Mas existem sempre problemas como aplicações que não respeitam as convenções do sistema e a freqüente necessidade, da minha parte, de mudar entre dois idiomas dependendo do tipo de atividade que estou fazendo.

No Palm, o sistema de reconhecimento de escrita é a melhor opção e, com um pouco de prática, é possível ganhar uma boa velocidade na entrada de dados. Mas, para a edição de textos maiores, a velocidade é ainda baixa por causa das pausas freqüentes para a entrada de caracteres de pontuação, especiais e acentuados. O ideal talvez fosse ter um teclado infravermelho e eu estou considerando a opção, embora isso represente outra coisa para carregar.

Com o Palm e o 6600, eu estou coberto nas principais atividades que preciso desempenhar fora do escritório: envio e recebimento de e-mails, eventual navegação (internet banking, teste de sistemas), edição de documentos (texto, planilhas, apresentações), manutenção de listas de coisas a fazer, agenda de compromissos, acesso remoto ao servidor, leitura de e-books, instant messaging, controle financeiro e por aí vai. Até mesmo como plataformas multimídia ambos os aparelhos funcionam: eu posso ouvir música e livros em áudio e ver vídeos sem precisar de um desktop, além de poder também sincronizar informações, notícias e RSS para ler quanto estiver em trânsito.

Infelizmente, a velocidade de conexão via GPRS ainda é baixa — na maioria das vezes inferior a 56kbps — e o preço não é muito amigável. Até onde eu sei, nenhuma das operadoras que atuam aqui na cidade oferece um plano ilimitado por um valor decente.

Mas o mercado parece estar evoluindo e esse tipo de combinação está se tornando cada vez mais comum.

Eu vi esses dias o anúncio para um serviço de celular que ouve uma música qualquer que está tocando e depois devolve uma mensagem de texto para o usuário informando qual é a música provável. Esse serviço já estava disponível na Europa há um bom tempo, se eu não me engano, e chega agora no Brasil. Isso é interessante porque mostra que o mercado de celulares no Brasil está evoluindo rapidamente, algo que é corroborado pela forte oferta de aparelhos dos mais diversos níveis, incluindo vários tipos de smartphones e celulares equipados com conexões GSM/EDGE, com maior velocidade.

Um mercado crescente para smartphones pode eventualmente prejudicar o mercado de handhelds, mas a Palm parece estar se preparando justamente para isso como produtos como o Treo. As telas dos celulares estão ficando maiores, os programas estão aparecendo e com um pouco mais de esforço, até mesmo o problema de entradas de dados pode ser resolvido, como celulares recentes da Nokia estão demonstrando.

No geral, apesar das limitações, a combinação está literalmente salvando a minha vida, permitindo que eu fique a par da situação da empresa e resolva problemas mesmo com minha movimentação constante. Se as tecnologias melhorarem um pouco mais, eu vou acabar nem mesmo precisando do meu desktop para trabalho.

§ 9 Responses to Mobilidade"

  • ralobao says:

    Meu Palm é meu melhor amigo. Levo ele pra onde vou. Ele serve, basicamente, para jogar damas e ler ebooks.

    😛

    Abraços e sucesso com sua nova empresa.

  • Leo says:

    Voce sabe se as operadoras estão com planos de lançar EvDO ai ? Aqui a Sprint oferece em alguns mercados, mais ainda é caro (US$80/m). A conexão é bem boa, chegando a 1 mbps em algumas áreas.

    []
    Leo

  • Ronaldo says:

    Rolabao, obrigado pelos votos de sucesso! Sobre o Palm, sem dúvida, uma das atividades para a qual eu o uso mais é ler. Mas eu sou viciado em livros, então não sei se conta. 😛

    Leo, o EvDO é o mesmo que o EDGE? Eu sei que pelo menos uma operadora tem o EDGE aqui que vai até 1Mbps também. Mas não tem plano ilimitado e você geralmente precisa de trocar o aparelho para algum que suporte a tecnologia (embora os novos todos já venham com a mesma).

  • Elcio says:

    Que internet banking você usa?
    Sou cliente do Bradesco há dez anos e, quando abrimos a empresa, a solução natural foi procurá-los.
    Abri a conta da empresa lá para só depois descobrir que o internet banking de pessoa jurídica só funciona em Windows. :-(

  • Diego Eis says:

    Mobilidade…
    Dando uma de visionário, ano que vem vai ser a bola da vez.

  • Neto Cury says:

    Eu ia justamente perguntar-te se o Treo não seria uma opção melhor pra você…
    Abração

  • Ronaldo says:

    Elcio, eu uso o do Real que é excelente. Inclusive, abandonei o Bradesco justamente porque eles só arrumam problemas ao invés de arrumarem soluções.

    Diego, é o que parece. Todo mundo está falando, as soluções estão aparecendo. A coisa está realmente ficando boa.

    Neto, quando eu comprei o Tungsten, pensei em comprar o Treo. Mas na época, não precisava do que preciso hoje. E o Treo tem seus defeitos, além de ser bem caro.

  • jao says:

    tenta um tal de TuSSH pra palm, funciona mais ou menos 😉

  • Ronaldo says:

    É o mais ou menos que me amedronta. Tem o pSSH, mas como eles dizem que o lance não é 100% seguro, não uso. Pelo menos no celular, sei que o PuTTY é realmente garantido.

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