Neverwhere

June 22nd, 2005 Comments Off on Neverwhere

Como eu tinha mencionado em uma entrada anterior, não demorei muito e comprei o Neverwhere, do Neil Gaiman. Como eu tinha previsto também, gostei mais do American Gods do que dele.

O motivo não é nem tanto que American Gods é melhor construído, ou coisa assim. Tem mais a ver com o fato de que Neverwhere parece uma introdução, ou uma primeira tentativa do que mais tarde seria o American Gods. As estórias têm tanto em comum que ler as duas com um intervalo tão pequeno entre as mesmas tirou um pouco da diversão.

Dito isso, Neil Gaiman continua a mostrar o seu talento como autor de contos-de-fadas modernos, cuja mágica está explícita em cada página. É impossível não ficar surpreendido, não se fascinar com os personagens e situações. Mesmo sendo um livro bem menor do que American Gods, Neverwhere consegue atingir a mesma verossimilhança do primeiro em termos da construção de um mundo imaginário completo.

Em Neverwhere, nós temos a estória de Richard Mayhew, um inglês to interior que se mudou para Londres procurando um trabalho melhor e cuja vida pacata e comum parece estar se encaminhando na direção ideal. Seu trabalho é bom, sua noiva é perfeita e tudo está dando certa para ele. Até que, em uma noite, ele topa com uma jovem caída no passeio perto de sua casa. Ele ajuda a jovem, que está ferida e amedrontada, e sua vida se transforma completamente. De repente, ninguém mais o conhece e ele parece não mais existir, exceto para os misteriosos habitantes de uma outra Londres, a Londres Abaixo. Recrutado para uma causa em que ele não acredita, Richard Mayhew precisa aprender a lidar com o perigoso mundo em que se encontra se espera sobreviver por mais do que algumas horas.

Em sua Londres Abaixo, Gaiman cria uma versão convincente do subsolo da cidade, um lugar extraordinário, povoada de criaturas míticas cujas vidas se passam completamente às margens da Londres Acima. A exemplo de outras cidades famosas na literatura, Londres Abaixo é complexa e multifacetada, com surpresas que espreitam em cada canto. Obviamente, para um leitor londrino, as referências são bem mais óbvias, mas Gaiman tomou o cuidado de criar versões diferentes do livro para outros públicos, com mais explicações e passagens mais explícitas.

A vontade que me deu depois de ler o livro foi ver a séria de TV da qual o mesmo derivou. Mesmo sendo bem mais condensada, uma representação visual depois do livro certamente teria seus méritos.

Com mais um livro do Gaiman na coleção, é hora de comprar Coraline. Julgando-se pelos outros três, não há chances de que eu fique desapontado.

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