Jornada nas Estrelas: A Série Original

March 18th, 2006 § 9 comments

Esses dias estou assistindo Jornadas nas Estrelas: A Série Original em DVD. Comprei as caixas assim que saíram aqui no Brasil, mas não tinha visto mais do que uns poucos episódios até o momento. Acho que era um pouco medo de me decepcionar — afinal de contas, a série é realmente bem datada.

Eu me lembro de, adolescente, ficar acordado até altas horas da madrugada esperando que algum episódio passasse da Rede Record. Caindo de sono, lavando o rosto para conseguir manter os olhos abertos, eu esperava ansioso, sempre com medo de que o programa fosse removido da grade naquele dia porque outro demorara demais para acabar. E sempre ficava decepcionado quando, depois de esperar duas ou três horas, ia dormir sem ver Kirk e companhia vencendo mais uma batalha.

Eu até me espanto ao lembrar do sense of wonder que a série me causava na época. Hoje, vendo os episódios, é engraçado e fascinante ver como os produtos conseguiam fazer tanto com tão pouco. Há episódios em que dá vergonha ver as técnicas usadas para alcançar algum efeito especial. A ciência é bem babélica, misturando realidade e pseudo-teorias, mas funciona até bem.

Mas o que mais me interessava quando eu era mais novo, e o que mais me interessa ainda, é ver como a série quebrava barreiras — aos trancos e barrancos, às vezes, mas quebrando. Robert J. Saywer, na introdução de seu recente Boarding the Enterprise, escreve o seguinte:

“As William Marshall, who played cyberneticist Dr. Richard Daystrom in the episode ‘The Ultimate Computer’ (Season 2, Episode 24), said in an interview shortly before he passed away, it’s impossible to overstate the impact it had in the 1960s when white Captain Kirk referred to the black Daystrom as ‘Sir.’ Was it any surprise, two decades later, that NASA hired Nichelle Nichols, who played Lt. Uhura, to help recruit the first minority astronauts? Star Trek gave us an appealing vision of a tolerant future that included everyone.”
Sem dúvida, esse é a maior mérito da série. E é isso que continua a fazer da série algo interessante o bastante para ser vista quarenta anos depois de sua criação, a despeito das fantasias esdrúxulas, dos cenários de isopor pintado, e do modo comicamente exagerado de interpretação: o fato de que ela falava e ainda fala sobre a condição humana essencial, algo que nunca vai ficar data e que sempre vai ser necessário.

§ 9 Responses to Jornada nas Estrelas: A Série Original"

  • O que eu acho engraçado é que hoje em dia são poucos os seriados que conseguem realmente prender os telespectadores (comigo ultimamente só Lost e 24 horas).

    Será que os seriados que estão piores ou eu que to mais chato?

  • TaQ says:

    Me admira você com um “pacotinho” e ainda conseguindo assistir seus DVDs. Eu só assisto “Vida de Inseto”, “Monstros S/A”, “Procurando Nemo”, “Os Incríveis”, “Lilo & Stitch”, “Aladin”, etc. :-)

    Todos ótimos desenhos, mas depois da 546a. vez que assiste fica meio estranho. E, ah, não adianta eu assistir alguma coisa em outro DVD. Ela vai lá me pegar para assistir com ela o desenho ehehe. E eu acho um barato. 😀

  • Ronaldo says:

    Diego, acho que os seriados estão repetitivos demais. Dezenas sobre médicos, dezenas sobre policiais. Quantas variações de Law and Order, CSI, e NYPD Blue existem? Sempre tem um que se salva, mas a criatividade anda em baixa mesmo. E, a próposito, Lost rula mundos. Só não sei se vão conseguir terminar decentemente…

  • Ronaldo says:

    TaQ, e que horas você acha que eu vejo esses seriados? Madrugadas, hora do almoço quando o pacotinho está dormindo, só horários estranhos. :-)

    Mas é um barato ver desenhos com o filhote mesmo. Ele está na fase do “Que icho?” e estou dando boas gargalhadas.

  • TaQ says:

    E até que horas você acha que a minha fica acordada? :-)
    Eu durmo muito antes dela ehehe. Mas daqui a pouco dá para começar a se entender e negociar. :-)
    Btw, eu gostava era dos seriados de Domingo cedo na Globo, quando eu era molecão. :-)

  • Ronaldo says:

    TaQ, graças a Deus o meu dorme cedo. Sei lá, acostumou. Oito horas está na cama e geralmente só acorda lá pela meia noite para mamar. Depois disso, só de manhã. Mas parece que vai mudar logo. Ele está começando a não querer dormir tanto.

    Quanto aos seriados da Globo, só tenho uma onomatopéia: blergh! :-)

  • TaQ says:

    Ah, o McGyver era legal vá! :-)
    Coisas como, tipo, parar uma bomba atômica com chiclete e cadarço de sapato era muito louco para os meus anos de adolescência e preguiça dominical. 😀

  • Ronaldo says:

    Tudo bem. Há algumas exceções. Mas só nas séries mais antigas mesmo. :-)

  • Hunter says:

    Tá bom!!!… também sou fã da séria original (SPOK!!), mas gostaria de saber onde vc encontrou a série toda em dvd…(eu estou em São Paulo – Capital…valeu!

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