Apresentando aplicações

March 25th, 2006 § 2 comments

Recentemente, passei uma semana ajudando na apresentação de uma aplicação desenvolvida para uso interno de um cliente. O projeto, apesar de bem especificado, sofreu com a mudança de pessoal ao longo da implementação do mesmo e, por causa disso, eu não estava muito confiante no resultado da apresentação.

Felizmente, apesar das telas de erro nos momentos mais inapropriados da apresentação, a impressão geral do usuário foi bem positiva e acredito que as correções a serem implementadas na próxima fase do projeto serão suficientes para levá-lo a uma conclusão satisfatória.

O que mais me chamou a atenção na apresentação foi o uso de dados de teste na mesma. Depois de ver as dúvidas e problemas gerados por essa falha, minha lição primária para apresentações passou a ser: nunca, jamais, de forma alguma, use dados fictícios em uma apresentação. É um regra bem óbvia, mas eu acho que a ficha não tinha caído para mim até o momento. Além de confundir o usuário, por não dar uma idéia real do ssitema, há uma enorme possibilidades de que momentos bem embaraçosos ocorram se um desenvolvedor resolveu dar uma de engraçadinho e colocou o que não devia em algum dado de teste.

Outra coisa que me chamou a atenção em alguns pontos foi a explicitação de chaves primárias em alguns pontos do sistema. Isso também confundi o usuário ao ver um dado que não tem nada a ver com a parte externa da aplicação exposto. Se alguma tela precisa disso para funcionar, algo está errado.

Apresentar aplicações, como eu venho percebendo, é uma tarefa bem complicada para um engenheiro, por depender de habilidades que estão mais no âmbito gerencial. Mas a vida é assim: você geralmente só aprende de fato alguma coisa depois de quebrar a cara com ela.

No final das contas, pelo menos vi que a aplicação está cumprindo o seu objetivo: simplificar radicalmente o trabalho do usuário em sua área de atuação e promover mudanças processuais no modo como esse trabalho é realizado. Melhor do que isso, só se a aplicação fizesse tudo sozinha.

§ 2 Responses to Apresentando aplicações"

  • Boa Ronaldo. Por acaso, o projeto que estou envolvido atualmente passou pelos mesmo problemas. Trocaram analistas de negócio, o projeto já teve umas 3 equipes diferentes entre outros contras. Mas testar a aplicação na frente do usuário e ver que está fazendo o que ele precisa é sensacional.

    O problema é quando você chega com um resultado de 2 semanas trabalhando 15 horas por dia e sem final de semana e ele diz que não era nada daquilo. Dai dói.

  • C.E. Lopes says:

    O comentário sobre chaves primárias – suponho que você estava falando sobre chaves surrogadas e não chaves naturais – é perfeito. O usuário deve ver dados inerentes ao domínio de seu negócio e nada mais.

    Quanto a dados de teste, lembre-se que algumas vezes não é possível usar dados efetivos, porque eles são sensíveis e não podem ser apresentados ou mesmo obtidos antecipadamente.

    Finalmente, o talento de fazer apresentações como estas é importantíssimo – na minha opinião – principalmente se você é um consultor. Falar em público e bem, demonstrar domínio sobre o negócio do cliente, faz com que eles se lembrem de você. Ser requisitado pelo nome abre várias portas na empresa que você trabalha – e pode até abrir as portas para sua própria empresa.

    Continue com o bom trabalho!

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