Histórias de Programação

October 10th, 2006 § 0 comments

Antes de entrar para o CEFET-MG, para o curso técnico de Informática Industrial, meu contato com computadores havia sido mínimo.

Eu me lembro da primeira vez em que vi um computador na vida, quando tinha uns dez anos de idade, e de como fiquei maravilhado com aquela máquina que podia fazer o que quer que eu quisesse. Eu não me lembro o modelo, já que não conhecia muito bem as diferenças na época, mas lembro da sensação de ter algo programável ao meu alcance.

O dono do computador, um amigo meu, queria simplesmente jogar, mas eu, que já conhecia o potencial do aparelho das poucas revistas e livros em que eu conseguira botar as mãos, me cansei rapidamente de bolinhas pulando para lá e para cá na tela.

Em um dos livros que eu tinha, uma história ilustrada da computação que eu conseguira com um amigo, apresentava um programa em BASIC como seu único exemplo de código–a listagem compara dois números e dizia qual era o maior. Depois de alguns dias, eu finalmente consegui convencer meu amigo a me deixar experimentar com o interpretador BASIC e digitei o programa, mudando-o para que ele comparasse três números. Funcionou de primeira. O único programa sem bugs em toda minha vida.

Uns dois anos mais tarde, eu já lera um livro de Pascal, mas ainda não tivera oportunidade de experimentar com a linguagem realmente. Eu não tinha condições de ter um computador e também não conhecia ninguém que tinha–aquele amigo há muito se mudara. Um outro amigo recebeu então um computador de presente do pai.

Mais uma vez eu consegui cooptar algum tempo do computador ao invés de jogar Enduro. Escrevei meu segundo programa completo baseado em um exercício presente no livro: ordenar uma lista de números inteiros. Muitos problemas depois, consegui fazer rodar o programa. Eu me senti o rei do mundo ao resolver um problema de ordenação e imaginar que o algoritmo era ultra-eficiente. Só quando comecei a programar realmente é que descobri que implementara o Bubble Sort.

Anos depois, já no CEFET-MG, no segundo ano que era realmente o primeiro ano em que aprendemos a programar, a tarefa final do último bimestre era implementar um programa equivalente ao Paint em Pascal, usando rotinas gráficas VGA rodando sobre o DOS. Curioso que eu era, eu tinha avançado além da classe e já estava mexendo com isso há alguns meses e até ajudei a maioria dos outros alunos com as rotinas básicas de desenho e uso do mouse.

É claro que as melhores rotinas eu reservei para mim:rotinas para alterar o cursor do mouse de acordo com a ferramenta, compactar os arquivos para uso mais eficiente do disco e outras coisinhas mais.

Minha perdição foi ter topado com a seção de orientação a objetos em um livro de Pascal avançado. Quando eu terminei o meu sistema de janelas gráfico, completo com herança, filas de mensagens e outras amenidades, eu tinha menos que dois dias para a entrega do programa em si, algo que nem as técnicas “avançadas” que eu estava usando resolveram. Meu programa levou a menor nota entre todos os trabalhos. Mas pelo menos ganhei dois pontos mais pelo uso de orientação a objetos e ponteiros.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

What's this?

You are currently reading Histórias de Programação at Superfície Reflexiva.

meta