O primeiro Linux

January 18th, 2007 § 8 comments

O Sérgio escreveu outro dia sobre o primeiro Linux que ele usou. Eu me lembro do meu primeiro contato com o Linux. Foi em 1996, quando eu comecei meu estágio obrigatório do CEFET-MG em um provedor de Belo Horizonte.

Não me lembro exatamente dos detalhes–qual era a distribuição ou qual gerenciador de janelas–mas lembro da sensação de iniciar o X e brincar um pouco com a interface gráfica de um sistema misterioso do qual eu só ouvira falar em tons reverentes pelos über-hackers que eu conhecia então.

Aliás, eu só mexi na máquina porque era sábado, eu estava de plantão e não havia ninguém para me impedir. Se algo desse errado, eu estava perdido. Ninguém encostava na máquina, que era o servidor, proxy, gateway e medidor de gastos de usuários ao mesmo tempo, sentandoe na ponta de uma conexão de 64 kbps que atendia mais de mil usuários distintos ao longo de um dia.

Embora tenha sido este o meu primeiro contato, eu só me interessei realmente pelo Linux com uma alternativa ao Windows já em 1999, quando já estava há alguns anos no mercado de trabalho e começara a ler sobre a grande batalha ideológica entre o software livre e o “império proprietário” encabeçado pela Microsoft. Mas, como eu não possui ainda o meu próprio computador, não tinha como experimentar.

Em 2001, consegui meu primeiro computador em casa. Uma das primeiras providências foi conseguir uma distribuição Linux para rodar em paralelo com Windows, que continuava meu sistema operacional primário. Eu já conhecia uma série de distribuições comerciais, mas foi por acaso que comecei a usar o Mandrake 8.0, cujo CD de instalação em obtive em uma revista sobre o Linux. Uma das vantagens do Mandrake, que me estimulou a usá-lo, foi o fato de que os pacotes para o mesmo eram bem atualizados comparados com muitas das outras distribuições. Eu usei o Mandrake até a versão 9.2 (escrevi sobre essa versão e sua anterior aqui em anos anteriores), mas não me estabeleci propriamente no Linux. De tempos em tempos, instalava uma outra distribuição e nunca ficava completamente satisfeito.

Meus dois grandes problemas com o Mandrake naquela época–e com qualquer outra distribuição, na verdade–era a falta de drivers para alguns dos equipamentos que eu usava (o modem era um problema constante) e as complicações de um mundo baseado em pacotes RPM.

Por causa disso, continuei a pular de distribuição em distribuição. Red Hat era uma versão pior do Mandrake. O Debian era (eu achava na época) complicado demais para o desktop. O Slackware era feio. O Suse era enorme e estranho.

A situação mudou quando eu conheci o Ubuntu. Era o melhor de dois mundos: uma distribuição com tudo atualizado, versões lançadas regularmente e administração perfeita de pacotes. Gostei muito no meu contato inicial e muito melhor do que com sua distribução pai, o Debian. O Ubuntu rapidamente se tornou meu Linux de escolha e hoje eu passo a maior parte do meu tempo no mesmo. Meu trabalho profissional é ainda muito voltado ao Windows, usando o .NET, mas o Ubuntu me serve até mesmo nesse ponto. Quando estou viajando, o Ubuntu é que vai, rodando o Windows sob o VMWare se necessário.

A única exceção é o meu servidor onde, por disponibilidade do datacenter, rodo o Debian. A intenção é mudar futuramente para o Ubuntu também.

Minha experiência geral com o Linux é que ele realmente é uma alternativa muito melhor do que o Windows. Não posso dizer em relação ao Macintosh porque nunca usei este último por mais do que um par de ocasiões medidas em horas. Mas não preciso me esticar muito sobre estabilidade ou disponibilidade de aplicativos porque o ponto já foi elaborado aqui e em outros locais milhares de vezes. Só acrescento que, na minha opinião, o Ubuntu está provando ser o Linux por excelência, polido e refinado para todo tipo de usuário.

O Linux passou meu teste de fogo: no dia em que minha mãe exigiu que meu irmão instalasse uma distribuição decente, eu vi que a era do desktop Linux havia realmente chegado. Como o Sérgio disse na entrada dele, se você não experimentou não existe hora melhor do que agora. Você não vai querer perder para minha mãe, vai?

§ 8 Responses to O primeiro Linux"

  • Sergio Lima says:

    Eh eh!

    Eu, se nunca tivesse tentado instalar o Linux, o faria agora :-)

    No meiobit, se não me engano, se falou muito bem do suse 10 como desktop amigável!

    E você me lembrou como era frustante tentar instalar um RPM e receber a mensagem que tinha dependência de XXXX sem informar em que pacote encontrá-lo!

    E minha alegria ao conseguir compilar, (seguindo tutoriais) o drive do meu softmodem! Parecia uma criança que acertou a búlica num jogo de bolas de gude ou um menino que cortou uma pipa/papagaio no ar, sem cerol!

    []’s

  • Ronaldo says:

    Hehehehe. Belo incentivo, não é?

    O Suse 10 é amigável, mas não gostei do acabamento em si. Sempre me deu a sensação de ser grande demais. Cisma, acho. :-)

    Eu tenho memória vívidas de tentativas de resoler dependências RPM. Cruzes. Dá até calafrio.

    Agora, alegria em compilar esse trecos? 😛 Eu literalmente chorava de ódio de ficar até 3 ou 4 da manhã tentando fazer essas coisas funcionarem…

  • Eu só comecei a usar computador em 1997, e linux só em 2001.
    Tive experiências extremamente frustantes com Red Hat e Conectiva(7). Os malditos RPM quase me fizeram desistir de Linux.

    Quando em 2002 usei Debian, o meu mundo mudou. Foi a consolidação do linux no meu Desktop.

    Esse ano me rendi ao Ubuntu(em casa) mas ainda gostando muito do Debian(uso no trabalho, como server e estação).

    Realmente, quem quer experimentar a hora é agora! O Ubuntu é um show em usabilidade e facilidade pra usuários!

  • Ronaldo says:

    O Debian agora deu uma incrementada boa, mas ainda continua a me dar um pouco de desânimo pela velhice de alguns pacotes. Tudo bem a questão da estabilidade. Mas tem hora que é exagero. Sem contar as frescuras de IceWeasel e similares.

  • Walter Cruz says:

    Caramba!

    Está na minha lista escrever um artigo sobre meu primeiro Linux. Pô. você tirou o post da minha cabeça!

  • […] Original post by Ronaldo […]

  • […] Original post by Ronaldo […]

  • Ronaldo says:

    Demorei a responder, mas respondi. :-) O artigo veio na verdade do Sérgio, que escreveu primeiro sobre o assunto.

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