A rota para SOA

January 25th, 2007 § 6 comments

Convergência de aplicações distribuídas via SOA é uma das grandes “tendências” atuais. É claro que, para onde quer que se olhe, há mais problemas a serem resolvidos do que soluções, mas o mercado está seguindo uma direção razoavelmente consistente.

Hoje, durante uma conversa com um amigo no almoço, o assunto se desviou para aplicações desse tipo, aplicações que a empresa na qual ele trabalha está percebendo agora nessa arena. É sempre interessante conversar com uma pessoa de uma área completamente diferente–no caso dele, engenharia–porque a perspectiva distinta serve para balancear a sua própria. Trabalhando com Internet, como é o meu caso, tecnologias como Google Apps for Your Domains, S3, EC2 e muitas outras similares são conceitos naturais e, de certa forma, aceitas como naturalmente vantajosas a longo prazo.

A minha percepção atual está bem centrada na confiabilidade de tais serviços, não em relação ao uptime necessariamente, mas em relação a segurança a longo termo de informações necessariamente distribuídas. E minhas conversas tendem a confirmar esse ponto. É quase como se a indústria de informática tivesse um blind spot em relação a esse tipo de problema.

Quase no final da conversa, ele me perguntou qual o timeframe provável para aceitação de aplicações SOA de um modo geral. Eu ri, brincando que era uma resposta impossível sem uma máquina do tempo.

Depois, pensando no assunto, me ocorreu que provavelmente existe um ponto definido para a aceitação de tais aplicações. O principal problema por trás dessas aplicações está focada na disponibilidade de uma rota de acesso, que é mais importante do que banda–até porque a maioria dessas aplicações são naturalmente leves. Sendo assim, esse problema teria que ser resolvido por algo intrinsecamente ubíqüo.

Não vou arriscar uma previsão, mas acho que a chave para a aceitação dessas aplicações–seja daquelas hospedadas em server farms ou daquelas rodando nos próprios servidores de uma empresa–está na convergência da telefonia celular.

Não acredito que estamos a muitos anos da transformação definitiva do celular em outro aparelho que se tornará a ferramenta computacional básica de uma pessoa. É uma evolução que está em seu começo ainda, mas é certa. Um aparelho assim seria uma estação de trabalho permanente, um centro de mídia, e por aí vai. Lembra alguma coisa?

Somando isso com a expansão das redes já existentes, o maior problema do SOA fica resolvido. Reforçando o ponto, não é uma solução existente em termos gerais, mas já sabemos como a nossa indústria anda. É realmente só uma questão de tempo.

Faz sentido? Eu acho que sim.

§ 6 Responses to A rota para SOA"

  • Pois é, se os grandes dizem que é o melhor, vamos fazer. 😉

    Eu vejo um outro problema no processo. O fator humano. Conheço empresas que tentaram implantar um ERP e, após gastar um bom dinheiro, a coisa foi abandonada. Outras, ficou capenga. Outras, continuam implementando. Tudo bem, em algumas funciona.

    No SOA, o processo tende a ser entre empresas. Quando a gente depende de terceiros, as coisas podem ficar complicadas. Posso estar sendo apenas pessimista, sei lá.

  • Ronaldo says:

    Ah, com certeza existe o fator humano.

    Aliás, provavelmente, eu só acredito em SOA porque leio ficção científica em excesso–SOA me parece um crescimento natural de certas convergências tecnológicas. Okay, estou começando a parecer um desses analistas da Gartner.

    Bem, falando sério, até onde isso é possível, eu tem o mesmo problema com terceiros. Se não fosse o preço de infra aqui no Brasil, rodaria tudo por minha conta com redundância. Mas acho que a tendência é no sentido de um certo crescimento de estruturas autônomas com alta confiabilidade. O excesso de dados, de certa forma, torna o processo mais confiável. Mas, também não sei o que vai acontecer. É só um pouco da velha intuição.

  • […] O mundo está caminhando para aplicações distribuídas, mesmo que lentamente. Negligenciar essa tendência, acredito eu, não é a melhor estratégia. […]

  • Luiz Rocha says:

    Eu precisaria de alguns posts inteiros para explicar a minha visão sobre SOA. :-)

    De qualquer forma, acho que antes de chegar no mundo externo, na operação entre-empresas, acho que SOA tem um grande espaço para preencher na operação intra-empresa.

    E cito o exemplo do Guaracy. Empresas tem um problema enorme para implementar novas funcionalidades e lidar com as mudanças de requisitos constantes (independente dessas mudanças serem baseadas em devaneios ou necessidades válidas de negócio).

    Nesse caso, apesar de distribuída, a informação ainda estaria em um universo (supostamente) conhecido. No qual ela poderia ser reutilizada (como toda informação distribuída deve ser) e ainda assim, poderia ser considerada confiável.

    Mas essa é a minha opinião, claro. :-)

  • Ronaldo says:

    Se precisa de posts inteiros, o que você está esperando? Você tem blog para quê? 😉

    Eu também acho que o SOA vai seguir essa direção, intra-empresa para começar. Os serviços citados são exemplos disso, eu acredito. Muito disso está vindo de obrigações contratuais que exigem implementação de determinados serviços ao longo de plataformas discordantes, o que acrescenta uma boa motivação no processo.

    Aqui em Belo Horizonte, eu estou percebendo um grande grau de questionamento sobre o assunto, seguindo nessa linha de alta disponibilidade. Mesmo o pessoal de infra-estrutura já está pensando sobre o que fazer em muitas das empresas com as quais tenho contato. E é interessante notar como sempre tem a questão de equipamento envolvida: smartphones, handhels, placas de telefonia móvel, wifi, etc.

    De qualquer forma, o futuro vai ser interessante. Eu sinto um forte apelo pessoal em relação ao SOA. Como eu disse para o Guaracy, provavelmente de tanto ler ficção científica. :-)

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