Traduções e etiqueta

February 13th, 2007 § 4 comments

Freqüentemente, eu vejo entradas em blogs brasileiros que são traduções de artigos postados em blogs escritos em outros idiomas. Considerando o fato de que nem todo mundo pode ler um outro idioma, é bem óbvia a vantagem dessas traduções: disseminação de informação, mais visitas, praticidade, etc, etc.

Infelizmente, o que eu não estou vendo são duas coisas fundamentais nesse processo: atribuição e permissão. Raríssimas são as traduções que identificam a fonte de maneira apropriada e que mostram prova de que conseguiram permissão para a republicação do material. Blogs, por sua natureza dinâmica e velocidade de publicação, são os locais onde esses problemas mais se manifestam.

Por atribuição, eu não quero dizer um mero link para o texto original, perdido no meio da tradução. Tradução que muitas vezes começa com um comentário do tradutor, escondendo ainda mais a proveniência do texto–mesmo sem intenção. A atribuição deve ser extremamente clara, na minha opinião. Para o leitor da tradução, não deve haver dúvida alguma de que o texto não é originário daquele site e que ele está lendo algo que outra pessoa teve o trabalho de escrever.

O mesmo se aplica à permissão. Ainda que o texto original não exiba qualquer menção de copyright, as regras internacionais que se aplicam nesse caso garantem o mesmo automaticamente. Traduzir algum texto e postá-lo sem atribuição é uma violação clara do copyright detido pelo autor original e, quer haja intenção ou não, uma completa falta de ética. Não há necessidade de exibir um e-mail comprovando a permissão ou algo similar, mas a permissão tem que ser obtida e especificada. Mesmo nos casos em que o texto está sob uma licença que permite disseminação e tradução é necessário consultar as provisões feitas na licença para a situação. Pode ser necessário, por exemplo, atribuir e replicar toda a licença.

Eu sou um grande partidário do copyleft e essa crítica não é um repúdio ao mesmo, principalmente considerando que a maioria do material que tornei público na Web foi sob alguma licença embasada nesse princípio. Mas, como um autor e usuário, entendo que deve haver um respeito à originalidade e o trabalho envolvido na produção de um texto, vídeo, áudio ou qualquer outra obra qualquer. E sei que muitos dos que publicam essas traduções sem atribuição e permissão gritariam ao primeiro sinal de violação de seus próprios textos, como, inclusive, já vi acontecer.

Para não me sentir um hipócrita, decidi adotar uma atitude básica: sempre que vir algo que não estiver claro em nos termos acima, mandarei um e-mail discreto para a pessoa que fez a tradução. Se ela acatará ou não a sugestão, não é meu problema. Mas acho que com isso, terei feito a minha parte.

Atualização: Exemplo perfeito de como atribuir e mostrar que obteve permissão no blog do César Cardoso.

§ 4 Responses to Traduções e etiqueta"

  • TaQ says:

    Rapaz, estava pensando aqui com os meus botões … esse lance da atribuição eu sempre bati o pé, tem que ficar visível mesmo para que não se possa colher os louros de alguma coisa que você não ralou para fazer. E, como você disse, bem visível.

    Agora, uma coisa que eu não havia me tocado sobre essas traduções era justamente a permissão. Alguns textos mais longos se assemelham à artigos, e acho que em grande parte dos casos precisaria sim de uma autorização do autor, para deixar a coisa de uma maneira mais … civilizada, digamos. Ainda mais quando isso é uma coisa frequente.

  • Ronaldo says:

    E a questão de permissão é a pior de todas, por que é a parte realmente anti-ética. Esquecer ou ignorar uma atribuição pode até passar se não há o requisito para tal, mas ignorar a permissão é decididamente incorreto. Qualquer licença reconhece isso mesmo quando a permissão é explícita.

    Nos EUA, exista toda a doutrina do “fair use”, sobre citações, etc. O Brasil nunca estabeleceu algo similar e isso leva muitas pessoas a acharem que traduzir sem pedir não é nada demais.

  • Sergio Lima says:

    Olá Ronaldo!

    Até hoje só traduzi um texto, no caso um tutorial! E penso ter seguido todas essas suas indicações. Inclusive na pagina original, o autor criou uma seção: traduções, com um apontador para a minha tradução:-)

    Mas por aqui, parece existir uma cultura de que fazer o certo é coisa de chato e cri cri, infelizmente :-(

    []’s

  • Ronaldo says:

    Eu acho que autores sempre ficam contentes em dar permissão para esse tipo de coisa. É uma mostra que o texto deles vale a pena. E hoje é tão fácil: basta um e-mail e pronto. Mas é como você disse, fazer a coisa certa é perda de tempo para muitos.

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