Agruras de “empresário”

February 18th, 2007 § 4 comments § permalink

Enquanto (quase) todo mundo está folgando no Carnaval, os “empresários”–popularmente conhecidos como autônomos sem dinheiro–como eu estão correndo para longe do prejuízo tentando terminar projetos.

Eu me consolo apenas com o fato de que não preciso bater ponto mais.

Deadline

February 17th, 2007 § 0 comments § permalink

Antigamente, em inglês, deadline significava a linha limítrofe ao redor de uma prisão além da qual um prisioneiro não podia passar sob pena de ser morto pelos guardas. Pelo visto, a evolução de um idioma não é destituída de ironia. Só isso para explicar porque o termo agora equivale ao tempo limite de execução de uma tarefa.

Windows para quê?

February 16th, 2007 § 5 comments § permalink

Percebi uma coisa engraçada hoje. Como mencionei várias vezes aqui no blog, eu uso o Ubuntu como minha plataforma primária de desenvolvimento. Apesar disso, eu ainda uso bastante o Windows por razões puramente comerciais, já que faço muito desenvolvimento em .NET e mesmo no velho ASP.

O que eu não tinha percebido é que geralmente, quando preciso de um programa que, em tese, só funciona no Windows, eu não me preocupo e baixo no Linux assim mesmo–com ou sem instalação. Eu passei a confiar tanto na capacidade do Wine para rodar esses programas que não penso duas vezes em tentar instalar no Linux programas cujos desenvolvedores talvez jamais pensaram em portar para outra plataforma.

O mais interessante é que, pelo menos no Ubuntu, o Wine está configurado como o programa a executar para a extensão .exe, e, dependendo do modo como o programa criar seus ícones, um atalho para o mesmo aparece no desktop do usuário. Isso implica que muitas pessoas poderiam usar o Linux e baixar programas Windows sem precisarem se preocupar com a diferença.

Por outro lado, o título dessa entrada é obviamente irônico, já que nem tudo roda tão bem. Programas mais complexos, com chamadas exóticas a drivers especiais geralmente falham e falham rápido. Mesmo assim, é uma medida da excelência do Wine o fato de que eu não tinha atentado para esse detalhe de uso até o momento.

Imagem de desenvolvimento Squeak

February 15th, 2007 § 2 comments § permalink

Depois de muitas tentativas frustradas, consegui criar uma imagem de desenvolvimento mínima para o Squeak com o Seaside e o Glorp. Em outras palavras, desenvolvimento Web com banco de dados para Smalltalk. A imagem é para a versão 3.9 do Squeak e foi testada sob Linux e Windows.

O Glorp deu bastante trabalho e precisou de alguns patches para funcionar e, mesmo assim, ainda não passa em alguns testes. O resto dos testes (de setecentos e poucos, apenas três falharam) mostraram, entretanto, que o acesso a banco está aparentemente funcional. Essa versão requer o PostgreSQL 8.2 com autenticação plaintext habilitada.

Se você tem interesse em testar Smalltalk usando o Squeak, baixe a versão 3.9 do site oficial e use a imagem para testar. Seria interessante ver se há problemas extras.

Vida além do beta

February 14th, 2007 § 2 comments § permalink

Depois de passar oito horas tentando fazer uma biblioteca funcionar em um ambiente que, segundo a documentação, estava exatamente como deveria estar, eu desisto.

Algumas linguagens e bibliotecas parecem ter uma cultura de alfas e betas: tudo funciona em condições mínimas, mas falha miseravelmente quando alguma variável a mais é introduzida. Eu não sei o que adianta chamar alguma coisa de release final quando o flag --version retorna um belo alpha.

Tudo bem, eu estou meio revoltado hoje. Passa daqui algumas horas.

Traduções e etiqueta

February 13th, 2007 § 4 comments § permalink

Freqüentemente, eu vejo entradas em blogs brasileiros que são traduções de artigos postados em blogs escritos em outros idiomas. Considerando o fato de que nem todo mundo pode ler um outro idioma, é bem óbvia a vantagem dessas traduções: disseminação de informação, mais visitas, praticidade, etc, etc.

Infelizmente, o que eu não estou vendo são duas coisas fundamentais nesse processo: atribuição e permissão. Raríssimas são as traduções que identificam a fonte de maneira apropriada e que mostram prova de que conseguiram permissão para a republicação do material. Blogs, por sua natureza dinâmica e velocidade de publicação, são os locais onde esses problemas mais se manifestam.

Por atribuição, eu não quero dizer um mero link para o texto original, perdido no meio da tradução. Tradução que muitas vezes começa com um comentário do tradutor, escondendo ainda mais a proveniência do texto–mesmo sem intenção. A atribuição deve ser extremamente clara, na minha opinião. Para o leitor da tradução, não deve haver dúvida alguma de que o texto não é originário daquele site e que ele está lendo algo que outra pessoa teve o trabalho de escrever.

O mesmo se aplica à permissão. Ainda que o texto original não exiba qualquer menção de copyright, as regras internacionais que se aplicam nesse caso garantem o mesmo automaticamente. Traduzir algum texto e postá-lo sem atribuição é uma violação clara do copyright detido pelo autor original e, quer haja intenção ou não, uma completa falta de ética. Não há necessidade de exibir um e-mail comprovando a permissão ou algo similar, mas a permissão tem que ser obtida e especificada. Mesmo nos casos em que o texto está sob uma licença que permite disseminação e tradução é necessário consultar as provisões feitas na licença para a situação. Pode ser necessário, por exemplo, atribuir e replicar toda a licença.

Eu sou um grande partidário do copyleft e essa crítica não é um repúdio ao mesmo, principalmente considerando que a maioria do material que tornei público na Web foi sob alguma licença embasada nesse princípio. Mas, como um autor e usuário, entendo que deve haver um respeito à originalidade e o trabalho envolvido na produção de um texto, vídeo, áudio ou qualquer outra obra qualquer. E sei que muitos dos que publicam essas traduções sem atribuição e permissão gritariam ao primeiro sinal de violação de seus próprios textos, como, inclusive, já vi acontecer.

Para não me sentir um hipócrita, decidi adotar uma atitude básica: sempre que vir algo que não estiver claro em nos termos acima, mandarei um e-mail discreto para a pessoa que fez a tradução. Se ela acatará ou não a sugestão, não é meu problema. Mas acho que com isso, terei feito a minha parte.

Atualização: Exemplo perfeito de como atribuir e mostrar que obteve permissão no blog do César Cardoso.

Pequenos, e bons de briga

February 12th, 2007 § 8 comments § permalink

Nessa era de aplicativos cujas instalações são medidas em termos de multi-gigabytes, é impressionante como algumas ferramentas pequenas são suficientes para grandes tarefas.

O SQLite é um dos melhores bancos relacionais em existência e é implementado como uma biblioteca dinâmica de 250KB. O TinyCC é um compilador e interpretador C completo, que pode ser usado por si só ou como uma biblioteca dinâmica, com suporte completo ao padrão ANSI, não passa de 70KB (não incluindo as bibliotecas de apoio). É menor que o TiddlyWiki, um wiki de uma página só cuja página básica ocupa 200KB.

Esses são alguns dos meus exemplos favoritos de aplicativos que excedem qualquer expectativa e tornam a vida muito mais fácil para seus usuários. Menos é sempre mais.

Solução GTD

February 11th, 2007 § 20 comments § permalink

Estou procurando um aplicativo ou alguma solução GTD que possua as seguintes características:

  • Roda no Windows e Linux (neste último, se for o caso, pode ser até sob o Wine)
  • Implementa os cinco princípios
  • Integra com clientes de e-mail (via referência, importação ou contas especiais)
  • Suporte cliente móveis

Não achei nenhuma ainda. Alguém tem alguma dica?

Software deveria ser bonito

February 10th, 2007 § 5 comments § permalink

Eu já escrevi aqui algumas vezes sobre estética e estilo em código como objetivos importantes do desenho e desenvolvimento de qualquer aplicação. Como várias pessoas comentaram, e acredito que a maioria dos programadores concorde, ambos são critérios relevantes para se julgar a qualidade de um trecho de código qualquer. Obviamente, o gosto pessoal influencia bastante as duas áreas, mas, como em matemática, há um qualidade subjacente a esses critérios que pode ser percebida independentemente das preferências individuais.

Estética e estilo em código, eu acredito, são apenas uma parte da equação. A qualidade geral de um software qualquer também é refletida na qualidade de sua interface, ou seja, aplicações bem desenhadas possuem o código elegante e são também agradáveis em termos de uso.

Isso é um conclusão natural, eu acredito, considerando a experiência que temos com produtos como o iPod e o iPhone. Esses produtos são esteticamente interessantes não só pelo design físico como também pela usabilidade do seu software. E isso, é claro, vale mesmo para aplicativos que não possuem uma contraparte física. Produtos como o Basecamp, Blinksale e Wufoo são bem sucedidos porque funcionam muito bem e porque são visualmente interessantes.

Chega a ser algo irônico: a vasta maioria dos programas rotineiramente humilhados pelo seu péssimo desenho no conhecido The Daily WTF possui interfaces deploráveis.

É claro, eu não estou dizendo que isso vale para todas aplicações. Existem exceções gloriosas como o Emacs, que possui uma interface arcaica comparada com outros editores de texto e é um dos programas mais poderosos e usáveis em existência. O que eu estou dizendo é que, de uma maneira geral, cuidado com a interface implica também em cuidado com o código. Facilidade, usabilidade, intuição andam de mãos juntas com estabilidade e funcionalidade. Se forma segue função ou vice-versa, não importa. O que importa é que qualidade é algo que permeia toda aplicação. Não adianta um código perfeitamente funcional e elegante se ninguém consegue usar o seu produto.

Como um programador sem qualquer talento artístico, eu acho extremamente difícil conceber interfaces agradáveis. Por isso, delego isso a quem consegue. Os clientes sempre agradecem. E quando os clientes estão satisfeitos, obviamente é você que ganha. Ou seja: software bonito vale a pena em todos os sentidos.

Presente de natal

February 9th, 2007 § 2 comments § permalink

Caramba, estamos em fevereiro e eu já descobri qual presente de Natal quero ganhar: The Greenwood Encyclopedia of Science Fiction and Fantasy: três volumes, e mais de mil e seiscentas páginas de pura informação sobre o gênero.

Uma coisa engraçada sobre fãs de ficção científica é que eles geralmente tem um amor imenso aos fatos triviais sobre o gênero. Um livro assim, então, é uma mina de ouro para qualquer fã mais interessado. O preço desse objeto de desejo não é muito caridoso–350 doletas do Tio Sam–mas, pelo que o site fala sobre o conteúdo, vale cada centavo.

Só não posso contar a minha esposa que já comecei a guardar o dinheiro. :-)

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