Peopleware

March 3rd, 2007 § 4 comments

Terminei de ler ontem Peopleware, por Tom DeMarco e Timothy Lister. O livro é considerado um dos clássicos na área de tecnologia de informação, discorrendo, como seu sub-título diz, sobre equipes e projetos produtivos. O livro é de 1987, mas eu comprei a segunda edição, publicada em 1999, que contém alguns capítulos novos detalhando o que os autores aprenderem na década entre as duas versões do livro.

O livro é excelente, mas a leitura não deixa de ser quase um exercício em desespero considerando a situação na qual muitas empresas se encontram comparada com o ideal que o livro descreve, o tipo de organização que é condutiva em relação a um processo produtivo de desenvolvimento. O leitor, principalmente aquele que trabalha em organizações com as descritas pelo livro se sente como Dante diante da Porta do Inferno: “Abandonai toda esperança, vós que aqui entrais”. Equipicídio, mudanças de contexto freqüentes, insegurança gerencial, ambientes não-produtivos e dezenas de outros tópicos são tratados em detalhe.

Um exemplo citado pelo livro é o de uma empresa em que um memorando é passado para os desenvolvedores dizendo que os mesmos deveriam atender qualquer ligação até no máximo a terceira chamada para que a ligação não voltasse paras as secretárias; caso contrário, elas não fariam nada durante todo o dia. Situações como essa dão até vontade de chorar, principalmente pelo fato de que qualquer desenvolvedor já passou ou já viu alguma situação similar em sua carreira.

Embora eu tenha a minha própria empresa e possa, de certa forma, evitar os problemas que o livro apresenta, eu ainda trabalho em muitos projetos cuja realidade é a pior possível descrita no livro. Enquanto eu lia o livro, eu me peguei pensando na situação em geral da área de tecnologia de informação do Brasil e, pelo que o livro descreve, a média brasileira é muito pior do que a média apresentada pelo livro–as organizações e projetos no Brasil ultrapassam, em geral, as piores situações descritas no livro.

Existem é claro, organizações e projetos–e eu trabalhei em vários assim–que estão, conscientemente ou não, seguindo muitas das boas práticas apresentadas pelo livro. Mas a realidade é desumana, com um desenvolvedor recentemente comentou comigo, ao descrever as condições e prazos sobre os quais tinha que trabalhar.

O livro é um tanto ou quanto irônico no sentido de que os autores dizem como as coisas devem ser feitas, mas sempre com uma sub-corrente de certeza–ditada pela experiência e conhecimento do mercado–que as empresas falhando vão continuar falhando.

Depois desse comentário, pode parecer que eu considero o livro inútil. Pelo contrário, eu acho que deveria ser uma leitura obrigatória para todo e qualquer gerente trabalhando em uma empresa de tecnologia. Implementar qualquer uma das mudanças especificadas no livro pode melhorar consideravelmente o ambiente de qualquer área de desenvolvimento. Acho, inclusive, que os programadores deveriam comprar o livro e dar de presente para seus gerentes. O livro é bastante focado na área gerencial mas é uma boa leitura até mesmo para aqueles que somente programam para comparar a sua situação com o ideal do livro.

Nas próximas semanas, eu vou tentar comentar um pouco mais sobre algumas lições do livro aqui, mas fica a recomendação de leitura.

§ 4 Responses to Peopleware"

  • Gobr says:

    [OFF] Onde você consegue tantos livros? Compra todos? Mora dentro de uma Biblioteca?

  • Ronaldo says:

    Atualmente, minha maior fonte de livros é a Fictionwise:
    http://www.fictionwise.com

    A maioria dos livros custa relativamente pouco. Tem DRM, mas como é basicamente a única maneira de obter novidades em livros sem pagar um horror, é uma opção que eu uso bastante.

    Peopleware eu comprei na Barnes & Noble. Foi uma gracinha porque a importação fica cara com o frete, mesmo não tento importo. Isso eu só faço de quando em quanto.

    No resto, Submarino, aproveitando as promoções. De quando em quando sai um mega-desconto em comparação com outras livrarias e eu pego.

    Gastamos realmente mais do que o normal com livros. Raro é o mês em que não compramos pelo menos dois ou três, mesmo que sejam aqueles de 10 reais da coleção Martin Claret. :-)

  • Desenvolvedor com comunicação ao mundo exterior é um crime contra a produtividade. Um telefonema de dez segundos acaba com um raciocínio de meia hora…

  • Ronaldo says:

    Pois é. Isso é o mais básico do básico e praticamente nenhuma empresa consegue entender. Eu cansei de falar isso para os meus gerentes e eles só riam amarelo como se eu estive contando uma piada particularmente sem graça.

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