Shyamalan e seus não-filmes

March 7th, 2007 § 3 comments

Vi no CinePop que o M. Night Shyamalan vai continuar a insistir no sucesso, conseguindo que a Fox produzisse o seu novo filme, The Happening. Provavelmente vai conseguir a mesma fanfarra dos filmes anteriores, e afundar nos cinemas.

Coitado do Shyamalan: depois de seu primeiro filme, o cultuado O Sexto Sentido, ele não emplacou mais nada, nem com a ajuda de excelente atores nos seus filmes. E realmente é difícil superar um filme como aquele, que está até entre os 250 melhores do IMDb, e dá até dó ver o cara insistir. Mas, se O Sexto Sentido foi a exceção que faz a regra, ele está perdido.

§ 3 Responses to Shyamalan e seus não-filmes"

  • Luiz Rocha says:

    O problema dele é que ele ouve os produtores. E produtores de Hollywood são uma espécie bem peculiar de seres humanos que, se deixados em um restaurante por kilo, com comida quente à vontade mas sem garçons, morrem de fome.

    Sinais é um filme bacana até o ponto onde tem um dedo óbvio de produtor. A cena do ET passando em frente a câmera de TV. O mesmo deve ter pensado alguma coisa do tipo: “_Hey, não seria supimpa se a gente aproveitasse o momento e explicasse a trama toda? De uma maneira bem óbvia, para todo o mundo entender?”_.

    Se um produtor fala isso pro Robert Rodrigues acorda no México preso num cactus. Se é pro Clint, perde os dentes. Simples assim.

  • Ronaldo says:

    Quáquáquáquáqua. Dureza essa do Eastwood e do Rodriguez. O pior é que é verdade mesmo. :-)

    O Shyamalan tem idéias excelentes, mas a execução fica muito a desejar. Eu acho muito interessante que ele lide com clichès e com esses lances de estórias dentro de estórias, mas sempre em uma realização inferior. O Sexto Sentido foi muito bem cortado, algo que eu não vi nos outros filmes dele.

    Eu fico lembrando do George Lucas, que disse que o único filme mal-dirigido da série foi o que ele não dirigiu. O Shyamalan devia deixar outro dirigir e ver no que dá. Se o próximo dele fracassar, duvido que o vejamos novamente.

  • Ed says:

    O melhor filme do Shyamalan, para mim, é Corpo Fechado. Roteiro brilhante, pefeita analogia entre a vida e as HQs, personagens com fortes motivações e o diálogo final entre o herói e o ‘vilão’ é de uma síntese e profundidade ímpares.

    Só não precisava daquela licãozinha de moral no final:”O malvadão agora está em uma instituição para perturbados mentais…etc e tal” (parece mesmo dedo de produtor, como foi dito acima).

    O Sexto Sentido só foi sucesso devido ao seu final surpresa, coisa que nerd adolescente viciado em pegadinha pop adora. Um filme apenas correto, nada de mais. Não fosse o “twist” teria passado batido nos cinemas.

    “Entregue um final arrebatador e o público esquecerá de todo o resto” é uma frase brilhante.

    Todos os outros filmes dele têm algo mais a dizer (o que não significa que sejam necessariamente filmes bons, mas são relevantes pq geram discussões profundas e interessantes, como bem atestam os sites Contracampo e Revista Cinética, ou Arnaud Desplechin, segundo o qual Corpo Fechado é uma metáfora sobre o racismo (!)).

    O “problema” dos filmes do Shyamalan é que em geral eles não são “apenas” filmes, são obras bastante pessoais, metáforas sobre nossa natureza e, mais ainda, sobre o cinema em si, o que os torna bastante peculiares mas distante de um esquema clássico e quadrado que todo mundo gosta e está acostumado a assitir.

    Afinal, o público não gosta de parar e pensar em nenhum assunto. O público quer pegadinhas pop e sempre “mais do mesmo” para sair do cinema feliz, comer uma pizza e falar sobre a novela das oito ou sobre quem adivinhou o final primeiro.

    Por isso aplaudo a coragem do Shyamalan em ser ele mesmo em uma Hollywood onde os novos diretores em geral querem ser o novo “rei do pop” Tarantino ou criar um novo Titanic. Ser autêntico a si mesmo é infinitamente mais difícil.

    Se Shyamalan realiza “não-filmes”, que continue assim, desafiando o sistema e gerando discussões relevantes, o que é mais difícil e requer muito mais coragem de se expor do que fazer cinema no molde clássico que nos entrete por duas horas e some das nossas mentes assim que deixamos a sala de projeção.

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