O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (Versão Estendida)

March 8th, 2007 § 8 comments

As versões cinematográficas de O Senhor dos Anéis foram suficientemente diferentes para suscitar a ira de muitos fãs. Eu, mesmo sendo fã de longa data dos livros, nunca liguei tanto para essas mudanças.

Minha prática nesses casos é considerar que a obra cinematográfica não é uma mera adaptação, mas uma re-interpretação da obra original, com um novo conjunto de idéias e premissas. Isso sempre me permitiu aproveitar basicamente qualquer adaptação de um livro sem me importar com mudanças por mais estranhas que fossem. Dentro dessa prática, existem livros cujas adaptações eu jamais veria no cinema porque quero preservar a imagem mental que eu formei nos livros, mas O Senhor dos Anéis não é um desses.

Eu já tinha visto os filmes originais algumas vezes, mas não dá para considerar ter realmente visto os filmes até ver a versão estendida dos mesmos.

A versão estendida do primeiro filme, A Sociedade do Anel, aumenta o tempo de duração do mesmo em 30 minutos que ajudam a dar uma finalização muito maior à história e explicar melhor algumas mudanças feitas pelos produtores do filme. Algumas cenas ganham pequenos detalhes e outras ganham uma profundidade extra que tornam o filme bem mais interessante.

Dentre os pequenos detalhes, eu gostei especialmente da hora em que os hobbits, acompanhando Aragorn, chegam aos trolls que Gandalf transformara em pedra quando da aventura com Bilbo em O Hobbit. Muito simples, mas bem dentro do contexto geral da estória, ligando com o passado. Gostei também dos aumentos nas exibições dos cenários, como os detalhes mais extensos sobre Lothlórien.

Mas o que eu realmente gostei foram as expansões que focaram em personagens. Boromir sempre foi um dos meus personagens preferidos e o tempo adicional que ele ganha na versão estendida serve para mostrar um personagem muito mais rico e conflituoso. Eu gostei tanto da interpretação de Sean Bean que virei um fã definitivo do ator. Um misto de honra e fraqueza que rendeu uma atuação muito superior à de Viggo Mortensen no papel de Aragorn.

O momento em que Gandalf recita a inscrição do Anel em autêntica Black Speech no Conselho de Elrond foi magnífico em termos de filmografia. O céu escurecendo, os elfos literalmente se sentindo mal com a expressão da linguagem, o Anel “conversando” ao fundo como se participasse da recitação tornam essa parte memorável.

Por fim, a passagem da companhia por Lothlórien é muito melhor. Mais cenários, mais conversas e mais detalhes. Celeborn, que na versão original parecia pouco mais do que um mero co-adjuvante da Galadriel, aparece em uma posição bem interessante dando conselhos à Aragorn e conversando com outros dos membros restantes da Sociedade. O momento em que os presentes são dados à Sociedade também aparece em flashback, adicionando mais impacto ao uso dos mesmos depois.

No geral, todos esses pequenos detalhes, que levam o filme a três horas e meia de duração, tornam essa versão realmente uma nova experiência, principalmente se você acabou de ler os livros e pode comparar os detalhes com lembranças mais recentes.

Infelizmente, eu acho muito difícil que essas versões saíam no Brasil considerando o material adicional que elas apresentam. Há não só a versão estendida do filme, mas dois novos discos com dezenas de horas de comentários, notas de produção e explicações que vão deixar qualquer fã de carteirinha sentado horas da frente do DVD.

O preço na Amazon, da última vez que eu vi, estava tentador o suficiente para merecer uma consideração séria–lembrando, é claro, que, nesse caso, o filme só tem legenda em inglês e que o material adicional não possui qualquer sub-título.

Em próximas entradas, comentários sobre os outros filmes.

§ 8 Responses to O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (Versão Estendida)"

  • C.E. Lopes says:

    Correção:

    Eu gostei tanto da interpretação de Sean Bean como Boromir que virei um fã definitivo do ***ator***.

    não do autor.

    :-)

  • Grande texto Ronaldo, meus parabéns!

    Eu iniciei a leitura dos livros depois de ter assistido aos filmes e por isso as mudanças no enredo do filme com relação ao livro não foram tão impactantes para mim.

    Até o presente momento a única mudança no enredo que considerei negativa foi o fato de que, no filme, Frodo é quem trava o combate mortal com Laracna, após dispensar Sam durante a subida da escada tortuosa, em Cirith Ungol, graças ao jogo sujo de Gollum.

    No livro esse acontecimento é bem mais emocionante, tendo Sam como um verdadeiro guerreiro, quase matando Gollum e ferindo gravemente Laracna para proteger o seu mestre.

    Esse foi o ápice das grandes ações de Sam durante toda a história e infelizmente essa cena ficou de fora no filme. Isso terminou por tirar um pouco o brilho desse personagem na versão cinematográfica.

    Hoje iniciei a leitura do terceiro livro da série, O Retorno do Rei, e certamente terei mais surpresas no decorrer da leitura.

    O seu texto foi muito bem escrito, estou curioso por ler os próximos, que irão tratar das outras duas partes da versão estendida dos mesmos.

    Grande abraço!

  • Ronaldo says:

    Opa, Lopes! Corrigido. Fiz esse texto correndo e acabei deixando passar um monte de erros. Valeu. :-)

    André, obrigado pelas palavras. Prometi, e agora estou cumprindo. :-)

    Sobre as mudanças, eu realmente só fiquei incomodado com uma: a quase transformação do Faramir em um vilão, quando no livro ele sempre é apontado como uma pessoa super-honrada que jamais cometeria os mesmos erros do Boromir. Fiquei com pena de não terem mostrado o Tom Bombadil, mas ele realmente não acrescenta nada na estória.

    Quanto ao Sam, eu sempre comento que o considero o verdadeiro herói da estória. Ele foi o único de todos os personagens a não ser tentando pelo Anel. Quando o carregou, devolveu sem problemas e nunca quis nada a não ser ajudar o Frodo. Sempre gosto de imaginar que ele poderia ter carregado o Anel até as Montanhas da Perdição sem ser afetado, verdadeiramente incorruptível. :-)

  • Opa! Eu também prometi um artigo sobre o meu uso particular do Remember The Milk com a metodologia GTD e a promessa já foi cumprida, conforme você viu em meu blog! :)

    Eu também fiquei curioso em saber como seriam as versões cinematográficas do Tom Bombadil e da bela senhora Fruta d´Ouro, alguns dos personagens mais excêntricos de toda a trama.

    E, de fato, o Sam foi absolutamente incorruptível. Resta saber se ele continuaria íntegro para com a demanda caso fosse eleito o Portador do Anel. É difícil dizer.

    Manda ver aí, ainda restam dois filmes para serem comentados.

    Grande abraço!

  • Gobr says:

    Cenas muito boas também são as do Gimli e do Legolas discutindo quantos mataram nas batalhas.

    Ou mesmo aquela disputa de quem bebe mais cerveja XD

  • Ronaldo says:

    Hehehehe. Essas partes são legais. O Gimli do livro é totalmente diferente, mas a escolha no filme de colocá-lo como “comic relief” para balancear foi acertada, eu acho.

  • AkitaOnRails says:

    Hm, interessante, estava lendo o post anterior sobre frequência de posts e bato justo com um anterior sobre LotR. Eu e minha mulher simplesmente adoramos a trilogia. Já assistimos cada um várias vezes nos últimos anos.

    E as versões extendidas são muito boas. Comprei cada uma das extensões pela Amazon no dia de cada lançamento. Foi caro (odeio os impostos de importação brasileiros, quem inventou isso deveria ser enforcado) mas, no fim, acho que valeu cada centavo.

    Infelizmente, como vocês já apontaram, não existe versão em português, e como minha mulher não entende inglês (preciso corrigir isso), somente eu assisti.

    As extensões se tornam maiores. Se não me engano, no RotK tem quase uma hora a mais de filme (50 min?) e é a versão que eu acho que fez mais diferença na história como um todo. RotK já era o mais longo da trilogia e com 250 min na extendida, acho que não lembro de ter assistido filme tão longo desde Schindler. Vale cada minuto.

    Não sou muito chegado a ser um purista, li os livros mas confesso que gosto muito mais da reinterpretação de Jackson para o cinema. O impacto é muito maior e – o principal – a diversão é garantida. Minha mulher leu os livros depois de ter assistido à trilogia e ela realmente não gostou muito do estilo da narrativa, voltando imediatamente aos filmes :-)

    Excelente compra. Quem estiver em dúvida: compre. Eu só esperaria se for para comprar uma futura versão extendida em HD-DVD (a batalha em Minas Tirith, em full HD 1920×1080, deve ser matador).

  • Ronaldo says:

    As edições realmente valem a pena. Eu ainda não animei a compra pelo meor motivo que basicamente todo o meu dinheiro reservado para essa área vai para livros. Vício mesmo.

    RotK tem realmente 50 minutos a mais e é o que mais melhora. Por mim, podia ter ainda mais uma hora e eu não ligava. Aliás, um dia alguém ainda vai fazer um filme com três horas para cada livro inteiro do LotR. Imagine: 18 horas de filme. Aliás, melhor fazer uma série de TV.

    Eu tendo sempre a gostar mais de livros e no caso dos filmes do Jackson ainda mantenho a preferência. Livros são um meio que, para mim, propiciam uma experiência mais profunda. Visualmente, é sempre interessante, mas eu gosto de world-building e o milieu do Tolkien é um dos mais fascinantes. É por isso que gosto mais de Silmarillion e Contos Inacabados do que dos três livros principais.

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