BarCamp, descomprimindo

March 27th, 2007 § 5 comments

O Sérgio Lima e o Luiz Rocha já fizeram suas respectivas descompressões do BarCamp e eu achei apropriado dar uma finalizada naquilo que experimentei também. O evento teve uma repercussão imensa (1, 2) na blogosfera brasileira e como não poderia deixar de ser, teve gente que gostou e teve gente que odiou.

Como eu nunca tinha participado de um evento similar, eu tive uma experiência ótimo. Os motivos que me levaram a ir foram duplos: primeiro, eu queria conhecer o pessoal que ia, gente que está no meu blogroll há muito tempo e que eu nunca tinha visto pessoalmente; segundo, a idéia do evento, um conferência sem palestrantes e sem tema, me atraía bastante.

O resultado é que eu achei a experiência incrível. Conheci muita gente que eu queria conhecer, e até quem eu não queria; ouvi discussões interessantes; participei de outras também interessantes; e, de uma maneira geral, me diverti muito.

O Sérgio apontou inicialmente o que o Luiz disse, mas não custa repetir aqui:

[O BarCamp passa] longe de ser um oráculo, diga-se de passagem. Nenhuma resposta apareceu durante o evento. Mas muitas vezes, é muito mais importante refinar e melhorar a pergunta do que simplesmente fazer uma masturbação mental tola em busca da resposta.

Concordo plenamente. O BarCamp não era um evento para quem estava achando que haveria algo mais do que a sabedoria (ou imbecilidade) coletiva dos participantes. Dito isso, alguns pontos específicos:

Não tinha gente de peso
Sinceramente, eu fico até feliz que o evento não tenha sido dominado por gente de peso. Tudo bem, havia os famosos da blogosfera e, de certa forma, eles dominaram algumas sessões. Mas de resto, o evento foi realmente comunitário. Tinha gente que queria ver luminares da publicidade, ciência, educação. Se fosse para ver esse pessoal repetir conceitos ultrapassados, eu não teria me dado ao trabalho de sair de Belo Horizonte. Caramba! Na verdade, vai até além disso. O BarCamp foi criado como uma resposta ao FooCamp, que também é uma desconferência, mas elitista. Se houvesse gente de peso, provavelmente eu não teria nem conseguido entrar, mero blogueiro que sou. Para bem ou para mal, eu queria ouvir o que meus peers pensam. Se a visão que eles tem das coisas pelas quais me preocupo bate com a minha ou não. E não, por quê. Eu não quero ficar sentando uma palestra ouvindo um publicitário famoso dizer como está usando blogs para promover seus produtos. Been there. Done that.
As palestra foram dominadas por assuntos pelos quais eu não me interessava
Confesso que eu mesmo reclamei disso. Foi necessário um comentário do André Avório para que eu parasse e pensasse que, se não houve palestras sobre os assuntos que eu queria ouvir, foi porque eu não corri atrás e fiz acontecer. Ironicamente, como respondi a ele em outro comentário, até o nome do meu blog deveria ter me alertado para meu erro. Eu dei esse nome ao blog porque sempre vi a blogosfera como um imenso salão de espelhos, onde as imagens se repetem, se contorcem, se fundem, se transformam e criam algo novo no processo. O BarCamp também é um salão de espelhos e a experiência que se tira dele está diretamente ligada à sua própria ação no mesmo. Não há nada de místico aqui. No segundo dia, eu juntei um pessoal que queria falar sobre desenvolvimento Web, algo que não tinha surgido no primeiro dia, e aconteceu uma boa discussão. Pelos comentários, relatos e e-mails que recebi depois, várias pessoas acharam excelente a nossa pequena conversa. E isso provou, pelo menos para mim, que o BarCamp funciona.
Os melhores papos rolaram do lado de fora
Ótimo! Se o evento é uma desconferência, essas reuniões do lado de fora são despalestras. A natureza ad-hoc do evento tinha justamente a intenção de criar o clima necessário para esse tipo de intercâmbio. Pensando nisso depois, eu percebi que, para muitas das palestras sobre as quais o pessoal reclamou, houve uma contra-palestra do lado de fora. Mais um motivo para eu ter gostado, a despeito das minhas reclamações iniciais.

Esse texto não é uma tentativa de dizer que o BarCamp foi isento de problemas. Mas, mesmo considerando os problemas, o resultado foi fantástico. Meu irmão (não consigo que o dito cujo se anime a ter um blog de jeito nenhum) organiza várias conferências por ano e ficou bem empolgado com a idéia porque ela dá uma voz ativa a todos os participantes. Concordo. Além disso, várias sessões aconteceram com o único propósito de melhorar o formato, facilitar a ignição das conversas e fornecer ferramentas mais ágeis para os participantes.

Tampouco é uma tentativa de criticar quem achou que o evento foi ruim. É só uma tentativa de apontar algo da compreensão que eu ganhei sobre o evento. Fabião, não fique bravo!

Resumindo algo que já está mais longo do que eu gostaria, espero ter a oportunidade de participar de outros eventos similares e, quem sabe, organizar ou ajudar a organizar um deles aqui em Belo Horizonte. Se apenas eu pudesse evitar as fotos, principalmente as que deixam sua incipiente careca à mostra…

§ 5 Responses to BarCamp, descomprimindo"

  • debora says:

    Ei Ronaldo, esse post para mim parece que contém reclamação subliminar. :-)

  • Ronaldo says:

    Oi, Débora! Tudo bom?

    Reclamação subliminar tem sim, uai… A careca está sempre presente nesse caso. :-)

    Falando sério, eu não disse que não tive reclamações. Pelo contrário, até admiti várias. O texto foi justamente uma forma de purgar essas reclamações e expressar que, em um evento gratuito, feito por participantes, que deriva seu valor desses mesmos participantes, fica difícil reclamar do que poderíamos ter resolvido por conta própria.

  • Bruno Torres says:

    Po, cara, foi mal. 😉
    Na verdade eu ia tirar a foto quando você olhou pra camera, mas aí você virou logo, achei que quisesse mesmo era mostrar a careca…hehe

    Sobre o evento, concordo contigo. O formato é ótimo, conhecer as pessoas foi muito bom, o barcamp tem futuro.

    Nas próximas talvez seja bom nós que achamos que faltaram boas sessões com assuntos que nos interessam de verdade, levantar nossos traseiros gordos da cadeira e fazer acontecer.

  • Ronaldo says:

    Opa, Bruno! Sem grilo, eu já fiz as minhas pazes com a careca. Minha mulher é que ainda debate o futuro dela, querendo que eu use produtos de origem pouco recomendada. :-)

    Sobre o BarCamp, acho que esse é o espírito. Eu sou um cara bem tímido e tive que forçar um pouco a barra para organizar a sessão de desenvolvimento e começar a conversa. Mas funcionou e o caminho é mesmo por aí. Fico pensando se isso não tem a ver com a dicotomia entre humanas e exatas…

  • Sergio Lima says:

    Descomprimindo :-) Foi ótimo!

    Isso é que é legal… só em falar sobre as idéias …elas clareiam

    Barcamp é puxar conversas (ou desconversas)… é primeiro criar o clima depois envolver-se (até vencer timidez)…

    Como disse o Bruno Torres:

    Nas próximas, talvez, seja bom nós que achamos que faltaram boas sessões com assuntos que nos interessam de verdade, levantar nossos traseiros gordos da cadeira e fazer acontecer.

    A idéia de Barcamps menores e locais tem tudo a ver…

    Espero que role o Barcamp-RJ, Barcamp-BH e etc…

    []’s

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