BarCamp Sampa III

March 25th, 2007 § 4 comments § permalink

A última conversa que participei no BarCamp Sampa ontem foi sobre Rails, que infelizmente, foi interrompida pelo fim de período. Mesmo assim, foi legal conhecer um pouco sobre o Blogamundo, a misteriosa start-up para a qual o Jonas Galvez trabalha. Eu queria conversar um pouco sobre heresias em desenvolvimento Web, mas o tempo acabou. Quem sabe um pouco mais hoje.

Depois a conversa migrou em um bar perto do MASP e continuou igualmente interessante. Na mesa, eu, meu irmão, Luiz Rocha, Sérgio Lima, Alexandre Fugita, Nando Vieira, George e mais alguns outros (eu sou péssimo para nomes; precisamos mesmo andar com algum tipo de crachá para identificar os participantes). A discussão continuou sobre alguns assuntos do dia (start-ups,; blogs, sem a parte de monetização) e depois passou para outros como vida digital, upload de consciência, choque futuro, organização do conhecimento, singularidades tecnológicas, e outras assuntos movidas a cerveja (e eu nem bebo, hein).

Ironicamente, só um evento assim para me fazer dormir mais do que o normal. Fazia tempo que eu não dormia mais do que oito horas em uma noite. :-)

BarCamp Sampa II

March 24th, 2007 § 8 comments § permalink

Blogando novamente aqui do BarCamp em São Paulo. Quase no final de tarde, participei parcialmente de mais duas conversas: uma sobre blogs e outra sobre start-ups.

Como esperado, as conversas sobre blogs passaram quase que imediatamente para monetização, focando muito na questão de publicidade e como passar de um mero desconhecido a uma máquina de produzir dinheiro, tema que, confesso, não me interessa muito. Não que eu seja contra, como já mencionei em outras ocasiões e locais, mas não é algo que me atrai na atividade. O que eu acho interessante é que isso mostra uma certa dicotomia entre o formato e a atividade no que tange aos blogs.

A conversa sobre start-ups foi muito engraçada, principalmente pelo fato de que ninguém podia falar nada sobre seus próprios projetos, tudo muito secreto. Uma coisa interessante é que grande parte dos projetos brasileiros está focada em “clonar” sistemas já provados como funcionais “lá fora”. Faz um grande sentido, já que o Brasil possui uma enorme base de usuários mas a barreira do idioma impede o aproveitamento das soluções já existentes. Mais uma vez, não há nada de errado nisso. Mesmo patentes reconhecem que idéias não podem ser tornadas propriedade privada (embora essa doutrina não esteja sendo seguida à risca na maior parte das patentes de tecnologia atuais).

As conversas por fora das salas estão se provando bem interessantes. Topei com o Sérgio Lima, o Bruno Torres, o Luiz Rocha, o Jonas Galvez, o Nando Vieira e outras figurinhas. Muita coerência das opiniões e muitos assuntos interessantes.

De uma maneira geral, a experiência do BarCamp está se provando bem interessante. Fiquei bem interessado na possibilidade de organizar um em Belo Horizonte, embora reconheça que a pequena movimentação da cidade pode se provar um problema.

BarCamp Sampa I

March 24th, 2007 § 1 comment § permalink

Blogando aqui do BarCamp em São Paulo, depois da apresentação inicial pelo André Avório, participando de uma sessão sobre Web 2.0, cheia de figurinhas conhecidas na blogosfera brasileira. Primeiro evento desse tipo que eu participo, e o formato é decididamente interessante.

Acabaram de aparecer por aqui o Sérgio Amadeu e Mr. Manson do Cocadaboa, que, surpreendemente, é mais normal do que parece no seu blog. :-)

Mais informações, se alguém estiver lendo, enquanto o evento continuar acontecendo.

Eu leio Paulo Coelho

March 23rd, 2007 § 10 comments § permalink

Quando se fala em ler, poucas pessoas admitem seus gostos estranhos e, para outros, muitas vezes duvidos. Eu quero dizer, o Paulo Coelho vende milhões de livros todo ano mas não conheço nenhum leitor seu. Paulo Coelho? De jeito nenhum! Só lixo. O cara devia ter continuada a fumar maconha e fazer letra de música.

Eu não tenho vergonha nenhuma em admitir que já li vários livros do Paulo Coelho. Os primeiros livros dele, com algumas exceções, contavam boas estórias. O Alquimista é um bom entretenimento. Se você acredito ou não no que ele escreve, isso é problema seu. Eu leio pelo bom ficcionista que ele é. Ele sabe muito bem o que escreve, no sentido de que escreve propositadamente daquele jeito porque sabe que vai entreter e dar dinheiro, e é isso que eu espero dele.

Eu adoro os pockets de Star Trek. São uns livrinhos bem descompromissados, com uma estória simples dentro de um universo que eu gosto, e que servem como excelente entretenimento para um momento de leitura relaxada. Há momentos em que eu quero ler para descansar a mente e nada melhor que livrinhos como esse. Nenhum surpreende, ensina qualquer grande lição ou muda seu modo de pensar sobre algo. Mas são bem divertidos.

Eu já vi gente escondendo capa de livro em ônibus e outros locais por terem vergonha de admitir que lêem o que para outros seria considerado literatura trash. Nada mais bobo. Leia o que quiser e não tenha vergonha disso. Pode não acrescentar nada à sua vida, mas se divertiu, cumpriu o propósito.

Então, eu leio Paulo Coelho. E você?

Motivação e segurança de dados

March 22nd, 2007 § 5 comments § permalink

Cheguei a conclusão que morro de pavor de aplicações hospedadas em servidores sobre os quais não tenho controle. Para alguém que acha que o futuro está em SOA/ASP, isso é bastante irônico.

O engraçado é que não tem muito a ver com a confiança na “honestidade” dos provedores de tais aplicações. Obviamente, sempre existem possibilidades de vazamentos de informação, mas de uma forma geral, a maioria dos provedores de aplicações distribuídas não tem muito interesse ou capacidade em vasculhar informações pessoais de uma maneira que sirva para prejudicar o usuário diretamente. A maior parte dos problemas nessa área, pelo que eu tenho observado, tem mais a ver com a interferência governamental (vide Google vs Polícia Federal, por exemplo, ou os [processos contra o YouTube]).

O meu maior problema mesmo é com o desaparecimento dos dados. Um artigo recente considerava o fato de que a maioria dos provedores de serviços de backups online não possui qualquer garantia de responsabilidade pelos dados. Se nem serviços cujos propósito é justamente garantir a existência de dados o fazem, como eu posso garantir que meus gigas de fotos, vídeos, livros, documentos, código, etc, etc, serão preservados em caso de falhas catastróficas?

Se eu controle meus dados, pelo menos só tenho uma pessoa a culpar se perder os dados. Poderia ser argumentado que individualmente eu possuo muito menos capacidade de preservar meus dados do que deixar que uma empresa muito maior faça isso. De certa forma, isso é correto. O problema é que, na hora que você realmente precisa, esses recursos geralmente não valem nada–pelo simples motivo de que a motivação não existe no caso dessas empresas. Falhas são esporádicas e um ou outro usuário com problemas não fazem diferença no grande esquema das coisas. Individualmente, minha motivação é muito maior para garantir a integridade dos meus dados.

Podem me considerar um desconfiado, mas eu ainda prefiro meus próprios serviços. Até existir uma forma descentralizada e automática de garantia de dados–algo que eu acredito piamente que vai existir, e em relativamente pouco tempo–eu aposto minhas fichas nos meus backups redundantes. E de quebra, com um segurança relativa maior, já que eu posso guardar meus dados criptografados também.

O desafio do CSS puro

March 21st, 2007 § 0 comments § permalink

Hoje, a equipe de desenvolvimento aqui terminou o refinamento de um layout particularmente complexo, realizado quase que completamente em um markup semântico e tableless. Eu digo quase porque alguns detalhes do layout, particulamente algumas curvas e reposições de textos exigiram alguns poucos elementos sem significado direto, apenas para apoiar alguma composição em CSS.

Para um observador externo, o trabalho de desenvolver este layout provavelmente pareceria um desperdício de tempo. É muito mais fácil usar ao velho e provado conjunto de tabelas aninhadas para executar qualquer elemento e composição possíveis na aplicação sem ter que recorrer a técnicas complicadas como Sliding Doors, Onion Skins (sem contar tentar fazer bordas arrendondadas com as duas técnicas anteriores em puro CSS).

A idéia que me ocorreu ao fazer esse layout é que o tableless ganhou tanta ascendência não só pelo aspecto de limpeza semântica, mas também pelo desafio envolvido. A aplicação em questão aqui possui um layout relativamente fixo e mantê-la com tabelas seria bem simples; além disso, o cliente final não poderia se importar menos com o código gerado, desde que ele fosse exibido bem nos navegadores que ele usa. Apesar disso, é satisfatório pegar uma página qualquer e dobrá-la da forma desejada, sem se importar com o que ela contenha, sabendo que a visualização da mesma pode ser feita de qualquer maneira possível e desejada.

No final das contas, foi um desafio. Um ponto de honra: fazer o layout passar perfeitamente por validações XHTML e CSS, além de exibir corretamente nos navegadores principais. Além do benefício de ser um código mais fácil de ler, não existe basicamente qualquer outro interesse no mesmo. Mas valeu a pena. :-)

Twitter

March 20th, 2007 § 9 comments § permalink

É engraçado como o hype faz uma coisa realmente inútil se transformar na sétima e última grande maravilha da Web. O Twitter, além de provavelmente ser um dos maiores propiciadores de ego-trips já inventado, é ativamente detrimental à produtividade e às relações. À produtividade, porque só tem utilidade se a pessoa usar continuamente, o que acaba quebrando a atenção toda hora. Às relações por causa do falso senso de proximidade gerado.

A desculpa para usar é que ele torna seus usuários (especialmente aqueles dentro de um mesmo círculo social), mais conectados. Eu acho que nunca vi tanta besteira junta em um só lugar. Como se o fato de você saber o que uma pessoa está fazendo no momento torne você e ela mais próximos, entre outros detalhes. Exceto talvez em alguns casos bem-específicos, o efeito é justamente mascarar isso, como mencionei acima.

Tudo bem, eu estou exagerando no veneno. Mas só um pouquinho. :-)

Atualização: Para quem está interessado, Kathy Sierra, do famoso Creating Passionate Users, escreveu um artigo bem interessante sobre o Twitter, considerando os aspectos psicológicos e produtivos da aplicação, tanto positivos quanto negativos.

Conspiração

March 19th, 2007 § 10 comments § permalink

Eu acho que estou sendo vítima de uma vasta conspiração: quando o meu número de telefone é detectado no suporte de alguma empresa, os atendentes do outro lado já sabem o que fazer: fingir que vão me atender, me deixando na linha durante minutos a fio e depois deixar a linha muda, como se algo tivesse dado errado. Sério.

Hoje, tentando falar com a NET sobre um problema no meu plano de TV a cabo, tive que tentar oito vezes antes de conseguir falar com um atendente. E haja paciência, sem contar o dinheiro. Primeiro, a mensagem fixa que já gasta um minuto de telefone. Depois, o menu de opções ditado lentamente. Você até decora as opções, mas o software é tão burro que você precisa esperar os momentos certos para digitar a opção. Depois chama, chama, chama, até você achar que não vai atender. Então, transfere e você fica cinco minutos escutando a música retardada de fundo. Depois caí. Oito vezes isso.

Depois foi a vez do Submarino Viagens. Primeira vez que usei, achando que provavelmente teria alguma vantagem por já ser cliente antigo do Submarino. Não tem. O cadastro de clientes não é o mesmo; os preços são os mesmos de se comprar direto; nenhum e-mail é enviado como confirmação; não existe um cadastro de pedidos para verificar se a compra deu certo e por aí vai. Resultado: você precisa de ligar e ligar para o número (interurbano) de atendimento para conseguir alguma resposta. Mesmíssimo processo anterior.

Não estou dizendo? Conspiração… 😛

Asteróides assassinos e os confins da galáxia

March 18th, 2007 § 1 comment § permalink

Uma matéria dessa semana na Isto É fala sobre a possibilidade de cometas e asteróides impactarem a Terra, causando os conhecidos cenários de destruição em massa. A matéria é até interessante, com alguns comentários rápidos sobre os efeitos de um impacto assim, as probabilidades recentemente calculadas desses eventos e até os planos da NASA para resolver a questão. Fiquei espantado com a citação do plano de Edward Lu (PDF, 144KB), físico da NASA, que é brilhantemente simples: usar a ação gravitacional de uma nave de 20 toneladas para desviar um asteróide de 200 metros de diâmetros sem qualquer contato com o mesmo. Muito melhor do que mandar um bando de gente incompetente em uma nave cheia de ogivas nucleares que sempre tem que se sacrificar para salvar o mundo.

Como é usual nesses casos, porém a matéria peca muito ao confundir certos conceitos mais básicos. O artigo usa cometa e asteróide várias vezes como se fossem exatamente a mesma coisa. Lá pelas tantas, fala sobre como os telescópios atuais não conseguem enxergar os cometas nos confins do universo. Caramba, acho que a até o Hubble teria alguma dificuldade em fazer isso. :-) Quase no final, repete o mesmo erro ao falar que um telescópio novo poderia enxergar as regiões limítrofes da nossa galáxia onde ficam os últimos planetas. Eu não tinha idéia de que o nosso sistema solar era tão enorme. 😛

Apesar disso, é sempre bom ver alguma divulgação científica que mostra soluções não-fantasiosas para problemas possíveis.

A história com fim

March 18th, 2007 § 11 comments § permalink

A história se repete vez após vez:

A empresa começa pequena, apenas um punhadinho de funcionários trabalhando duro para colocar o produto no ar, manter os sistemas funcionando, polir a entrega daquele sistema customizado e por aí vai. O clima de camaradagem é excelente ao longo dos rápidos meses seguintes, com todos dando o máximo por uma empresa à qual se sentem orgulhosos em pertencer. O tempo passa e o trabalho duro dá resultado. A empresa cresce, os clientes aumentam e mais e mais funcionários são contratados. A camaradagem continua forte, as horas extras são comuns mas sempre finalizadas por uma passagem no barzinho da esquina para uma relaxada no fim de noite.

Um belo dia de verão, com o sol forte brilhando lá fora e todo mundo andando em um ritmo um pouco mais lento, se preparando para o fim de semana, o gerente de desenvolvimento anuncia que a chefia está passando novas regras: práticas corporativas. Nada sério, ninguém precisa se preocupar. É só uma modernização para entrar em linha com as melhores práticas para empresas bem-sucedidas. A partir da próxima semana, todo mundo vai andar de crachá, chegar e sair no mesmo horário, nada de bermudas durante a semana porque o cliente pode aparecer e achar a atitude pouco profissional, nada de conversas via IM durante o trabalho porque isso atrapalha a produtividade, Internet só na hora do almoço. Nada sério.

Tudo parece normal na semana seguinte. As brincadeiras ainda acontecem, o pessoal trabalha com o mesmo entusiasmo, mas um observador externo notaria que o clima não é o mesmo. As semanas se passam e alguns funcionários deixam a empresa. Geralmente os mais velhos, que se lembram do tempo em que a empresa ainda era pequena. A chefia não se preocupa. O mercado está cheio de novos profissionais querendo trabalhar em uma empresa de sucesso e estes geralmente já se acostumam com as novas regras imediatamente. É claro que eles nunca ficam por muito tempo, mas treinar um funcionário é fácil, não? Duas semanas com outro e ele está rendendo a toda vapor.

Algum tempo depois a empresa nota que seus custos com funcionários estão ficando altos demais e que os sistemas estão apresentando uma taxa de problemas altíssima. Nada fica pronto no prazo, nada parece funcionar bem de primeira, mas esse é o custo de fazer negócios em uma empresa moderna.

Parece familiar? Essa é, essencialmente, a história que Peopleware conta, repetida vez após vez. Poucas companhias parecem seguir o caminho inverso, tendendo a manter o que as levou ao sucesso em primeiro lugar. Na maioria das áreas de produção, o moto é sempre “em time que está ganhando não se mexe”. Em tecnologia da informação, o praticado é o contrário. Existe talvez uma certa similaridade no fato de que a área está sempre em mudança e poder-se-ia pensar que isso incentiva tentativas constantes de reestruturação. Mas isso não é o correto porque a tendência é geralmente em reestruturar em uma direção que favorece o assim chamado padrão de mercado, seja quais forem as conseqüências para a equipe.

Peopleware tem um nome para esse conjunto de práticas destrutivas: equipicídio. As mudanças acima, por melhores que pareçam de um ponto de vista global para a empresa tem um efeito detrimental muito direto na equipe. E isso se aplica não só a “prender” os desenvolvedores em uma jaula de regras, mas a qualquer coisa que fixe a equipe dentro de um padrão estrito de comportamento.

Houve sempre uma discussão na área de desenvolvimento se o que fazemos é ciência (engenharia de software, ciência de computação) ou arte. A tendência, como os nomes anteriores indicam é sempre para a primeira embora a prática mostre claramente que não é possível desprezar os elementos da segunda. E Peopleware, talvez acidentalmente, demonstra a importância desse componente de arte. Há algo no processo que depende do que se poderia chamar a liberdade do artista, a necessidade de uma ambiente que deixe que o desenvolvedor se isole em um conjunto de circunstâncias favoráveis à sua produtividade que tem um certo quê da “inspiração” necessária ao artista.

Em última instância, a grande lição de Peopleware é que desenvolvimento é uma área sem paralelos entre as áreas de produção humana. É uma área mais artesanal e dependente de fatores que não são tão tratáveis pelos processos gerenciais comuns, por mais sofisticados que esses sejam para lidar com as situações normais de produção. Programadores e gerentes igualmente poderiam se beneficiar muito dessa lição. O risco é continuar sempre abaixo da média.

Where am I?

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