Star Trek, Reloaded

March 16th, 2007 § 3 comments § permalink

O novo filme de Star Trek parece que vai sair mesmo e, ao contrário do que se pensava, não será centrado no cânon usual, mas será uma re-imaginação do universo da série, começando, é claro, com a série clássica.

Reiniciar uma série tão bem sucedida como Star Trek é uma proposição bem perigosa, já que, a exemplo de Star Wars, os fãs são extremamente leais. Mas pode ser uma boa idéia, considerando o desgaste da série ao longo dos últimos anos. Battlestar Galactica passou pelo mesmo processo, em linhas gerais, e está experimentando um grande sucesso.

A comparação não é toda precisa, considerando que a franquia Star Trek é muito maior e mais diversificada do que Battlestar Galactica, mas há um certo sentindo em injetar sangue novo e conquistar um público novo, aproveitando o interesse recente em séries com elementos de fantasia ou ficção científica. Além disso, sucesso da remasterização da série clássica também é um bom indicador de que estratégia pode funcionar, principalmente entre os fãs já existentes.

Pessoalmente, eu sempre gosto de atualizações. A tecnologia muda, fornece mais recursos, e tudo fica mais fácil e mais interessante. Enterprise é uma boa mostra disso. Ficou dissonante da série clássica, mas os novos efeitos abriram um mundo novo de possibilidades para apoio às estórias.

Vamos ver no que dá. No final das contas, o risco é sempre de uma direção horrível acabar com qualquer sonho. Mas não custa esperar pelo melhor. É para isso que fãs servem afinal de contas. :-)

Cat Blogging

March 14th, 2007 § 0 comments § permalink

Uma pesquisa por cat blogging no Google retorna mais de 6 milhões de resultados. São só 4 milhões de resultados a mais do que para cachorros. 😛

Eu nunca bloguei sobre gatos, embora essa pareça ser uma atividade mandatória para os amantes dessas bolas de pêlos sacanas. Bem, é hora de remediar isso, mesmo que indiretamente. Com vocês: Kittenwar. Esbaldem-se. 😀

Quanto se deve atualizar um blog?

March 13th, 2007 § 12 comments § permalink

O André Valongueiro escreveu uma entrada interessante sobre a freqüência de atualização de um blog e se há a necessidade de atualizações diárias. Vá e leia o texto primeiro, vale a pena.

A questão do André está condensada nesse parágrago:

É realmente necessário atualizar nossos blogs diariamente? Entendo que para alguns blogueiros, mais especificamente os que ganham dinheiro com isso, não atualizar o blog por um dia sequer significa prejuízo. Mas e quanto aos blogueiros “livres”, que optaram por administrar um blog simplesmente pela vontade de blogar e que visam, antes de qualquer coisa, relevância de conteúdo, no melhor sentido da palavra? É mesmo necessário?

Como um blogueiro “livre”, a minha resposta é que não há nenhuma necessidade, é claro. A freqüência de atualização de um blog é algo inteiramente subjetivo, ou seja, não passível de parametrização. O interesse em uma possível quantificação do efeito que entradas diárias, mais do que diárias ou esporádicas podem ter sobre um blog está no eterno narcisismo blogueiro, na sempre existente vontade de receber mais leitores e mais comentários.

Recentemente, Darren Rowse publicou uma lista de razões que levam as pessoas a pararem de ler um blog. Não sem um bocado de ironia, as razões mais freqüentes são: primeiro, muitas atualizações, e, segundo, poucas atualizações. A dualidade das respostas mostra o fato óbvio de que, seja lá qual for a sua freqüência de atualização, há pessoas que vão continuar lendo depois de observarem sua freqüência e há pessoas que não vão.

Mais adiante em seu texto, o André coloca que pausas podem levar a conteúdo mais relevante, de maior qualidade. Qualidade, eu acredito, também não é muito relevante por causa das diferenças de interesse entre leitores e, principalmente, entre o leitor e o escritor do blog. É claro que entradas escritas apressadamente, sem qualquer cuidado por uma mínima conferência do texto provavelmente não serão tão satisfatórias como algo que claramente foi pensado e digerido. E, ainda assim, existem blogs extremamente bem sucedidos que não passam de pequenos textos escritos no impulso do momento pelo blogueiro e que nem por isso são menos interessantes e relevantes.

Pessoalmente, eu escolhi publicar em média uma vez por dia. Eu entendo que isso leva algumas pessoas a pularem alguns textos e eu procuro compensar fornecendo textos curtos que possam ser pulados. Estes textos me ajudam a continuar escrevendo e ao mesmo tempo me dão as pausas entre um texto reflexivo e outro. Não sei se está funcionando, por ter retornado ao blog há pouco tempo, mas me parece uma estratégia interessante. Os comentários realmente diminuem com um freqüência maior, mas isso acontece na média. Em termos de entradas “importantes”, a tendência é que permaneçam iguais até onde eu pude constatar.

No final das contas, o que eu quero dizer é que nenhum padrão externo serve como referência para essa questão. E como o próprio André diz em sua entrada, a menos que você seja um blogueiro profissional, provavelmente não faz a menor diferença a longo prazo. Se o seu blog está lhe satisfazendo, sempre haverão pessoas com o mesmo interesse. E isso é o mais importante.

Rails no IDG Now!

March 12th, 2007 § 0 comments § permalink

Mais uma matéria sobre o Rails na mídia, dessa vez no IDG Now! A matéria detalha um pouco do desenvolvimento, motivações e vantagens do Rails e conta com comentários de alguns usuários, este que lhes escreve incluído.

Só esclarecendo, no último parágrafo da terceira página, a intenção era dizer que, embora entre os dois projetos citados a diferença tenha sido de quatro para um no geral, algumas tarefas deram uma diferença de dez para um. O texto ficou meio estranho na formulação nesse ponto.

Como sempre, é muito bom ver o Rails ganhando ainda mais divulgação.

Profissionais insubstituíveis

March 11th, 2007 § 2 comments § permalink

Como tinha mencionado no final do meu comentário sobre o livro Peopleware, eu pretendia escrever um pouco mais sobre o mesmo. Demorou um pouco, mas consegui fazer isso.

Peopleware não é um livro muito conhecido aqui no Brasil, apesar de ter conseguido um status quase místico nos Estados Unidos e Europa. A maioria dos profissionais para os quais eu menciono o livro nem sequer ouviram falar sobre o mesmo, embora os assuntos dos quais ele trate tenham uma relação direta com seu dia-a-dia.

Depois de refletir um pouco, eu penso que a mensagem básica do livro é a seguinte: nenhum profissional realmente capacitado e motivo é substituível. O argumento básico dos autores é que profissionais intercambiáveis podem até fazer sentido em áreas de produção em massa, mas não para áreas onde o trabalho intelectual é dominante.

Isso é algo que vai contra a sabedoria adquirida da maioria dos gerentes e mesmo profissionais de tecnologia de informação. Fale sobre isso com um gerente qualquer e ele dirá que é exatamente o contrário, que o mercado possui profissionais em excesso, todos basicamente equivalentes e que ele pode substituir toda a sua equipe sem impactar a sua área.

Tendo trabalhado em várias firmas de tecnologia ao longo da minha carreira, e tendo prestado serviço para dezenas de outras, é fácil confirmar esse padrão. Raras são as empresas que consideram os seus funcionários um verdadeiro capital humano muito mais valioso para o negócio do que qualquer outra coisa dentro da empresa. A individualidade nas condições de trabalho é algo considerado abominável em um tempo de padronização de recursos–palavra, aliás, que eu considero extremamente desagradável quando aplicada a seres humanos, embora não seja tão hipócrita quanto chamar funcionários de colaboradores em uma tentativa banal de motivar um senso de equipe em um grupo de outra forma disperso.

Os resultados desta atitude de que cada profissional é descartável são óbvios: um turnover altíssimo, funcionários sem qualquer lealdade para com a empresa e custos enormes de treinamento. É de se admirar que tão poucos gerentes consigam fazer essa corelação.

Em essencial, Peopleware é um livro que procura educar os gerentes no sentido de maximizar as condições propícias para a produtividade dos profissionais de tecnologia de uma empresa. Um programador, lendo o livro, pode, por vezes, chegar a ficar ofendido com algumas das analogias que os autores fazem. Mas a lição é sutil: apelando para um certo senso de posição inata no assim chamado middle management, os resultados são duplos: programadores satisfeitos e resultados maiores para empresa. O reconhecimento disso é fundamental para as lições do livro.

O momento em que uma empresa reconhece que cada profissional em sua equipe é único e valioso–não por razões humanitárias, mas por um senso real de negócio–é o momento em que a mesma passa de uma mera diletante para uma força a ser reconhecida. É o momento em que a empresa deixa de fazer a pergunta de porque essa ou aquela empresa se tornaram forças dominantes de mercado e passar para a mesma posição.

Infelizmente para os profissionais, isso não é algo que provavelmente vai acontecer na empresa onde ele trabalha. As estatísticas apresentadas no livro são abismais nesse sentido, reconhecendo que pouquíssimas empresa possuem o mindset necessário para a transição. A maioria das empresas vai passar sua existência inteira batalhando por uma forma de subsistência mínima sem perceber aquilo que a está travando. E os profissionais que trabalham nessas empresas vão passar anos tentando entender o que está errado com suas carreiras.

Os autores do livro notam que os profissionais tendem a ter uma certa uniformidade nas empresas para as quais trabalham, ou seja, o ambiente de uma empresa tende a reduzir o profissional ao menor denominar comum, criando um abismo muito grande entre as melhores e as piores empresas do ramo. A curva normal de distribuição é muito puxada para a esquerda nesse caso.

A solução, eles apontam, é simples: a solução está nas mãos do profissional, que deve se recusar a trabalhar em condições que considera inadequadas. É claro que existem dezenas de circunstâncias que podem se estabelecer como empecilho, mas, em última instância, é realmente uma decisão pessoal, considerando a imobilidade inerente das empresas. No mais, o profissional pode tentar dar o livro de presente para o seu gerente e esperar pelo melhor.

Em próximas entradas, equipicídio e ambiente de trabalho.

Randômicas: Filmes

March 11th, 2007 § 3 comments § permalink

Comentários rápidos:

  • Assisti ontem Deu a Louca na Chapeuzinho, uma releitura incrivelmente divertida da clássica estória para crianças. Como é o usual atualmente nessas animações, o filme é mais para adultos do que para crianças e possui momentos antológicos. A estória é relativamente simples, mas o que realmente diverte são as variações maldosas. Mais do que isso entrega o filme, mas recomendo bastante. Melhor até do que Os Sem-Floresta, meu anterior titular para filmes de animação.

  • 300 está chegando. Pelo que eu andei lendo, o filme estréia aqui em 30 de março. Mal posso esperar. Madness!? This is Sparta! Woohoo!

  • O Ilusionista me decepcionou um pouco. Sempre fui um fã do Edward Norton, mas ele estava bem insosso nesse filme. A representação tinha um quê de mecânica que não me agradou. Se a intenção era passar um distanciamento do personagem, não funcionou muito bem. Rufus Sewell, ao contrário, continua excelente em seus papéis ligeiramente insanos.

BarCamp em Sampa

March 10th, 2007 § 6 comments § permalink

Via Sérgio, notícia boa: dias 24 e 25 vai rolar um BarCamp em São Paulo e, pela lista de inscrição, vão estar lá alguns dos nomes mais reconhecíveis da parte brasileira da Internet. Confesso que dá uma vontade louca de participar, mas os detalhes logísticos são muitos.

Daria até para fazer uma maratona louca, mas eu estou ficando um pouco velho para esse tipo de coisa: a última vez que eu fiz isso foi no seminário Ruby on Rails da Tempo Real e tive que dormir quase dois dias direto depois por conta da viagem. Tudo bem, não foi tanto assim, mas quase. :-)

Luiz, TaQ, pretendem aparecer por lá?

Desenvolvendo heresias

March 9th, 2007 § 7 comments § permalink

Avi Bryant, criador do Seaside, o framework to rule them all, escreveu ontem uma entrada interessante em seu blog sobre as heresias frameworks para desenvolvimento Web não tem coragem de cometer, mesmo os mais modernos como o Django e o Rails.

O argumento de Bryant é que o conhecimento utilizado para criar todos esses frameworks é baseado em decisões que faziam sentido há décadas atrás mas que realmente não possuem mais validade em nosso contexto atual de desenvolvimento. Esse é um argumento que faz muito sentido e com o qual eu concordo bastante.

Recentemente, os desenvolvedores por trás do Rails gastaram meses introduzindo suporte a REST no mesmo, suporte esse que, além de complicar a vida do desenvolvedor (é a primeira vez em que eu vejo uma funcionalidade no Rails que está no lado oposto da regra 80/20), é baseado em premissas um tanto ou quanto duvidosas, como, por exemplo, uma necessidade de particionar o fluxo de uma aplicação Web em pequenos itens de funcionalidade que sejam mais gerenciáveis pelo desenvolvedor. Essa premissa vem de um raciocínio circular causado pela falta de estado no protocolo HTTP que faz sentido para o protocolo mas que não faz o menor sentido para aplicações Web. O resultado é uma luta entre os desenvolvedores e o protocolo que se traduz em decisões nas bibliotecas de desenvolvimento que tentam burlar o fato de que a base toda está errada.

Rails, Django, CakePHP e similares funcionam porque existe uma necessidade intermediária de aplicações que é suprida pelas decisões comuns de simplicação tomadas por esses frameworks. Os desenvolvedores agradecem, é claro, mas, para a maioria das aplicações, há sempre uma lista daquilo que deve ser feito que difere do comum quando a situação realmente começa a se deslocar para o mundo real. Isso não quer dizer, é claro, que esses frameworks não funcionem. Ao contrário, eles são um passo necessário para que as heresias, como Bryant as chama, comecem a se tornar dominantes.

Heresias sempre foram o foco de avanço em qualquer área do pensamento humano. E não vai ser diferente no desenvolvimento Web.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (Versão Estendida)

March 8th, 2007 § 8 comments § permalink

As versões cinematográficas de O Senhor dos Anéis foram suficientemente diferentes para suscitar a ira de muitos fãs. Eu, mesmo sendo fã de longa data dos livros, nunca liguei tanto para essas mudanças.

Minha prática nesses casos é considerar que a obra cinematográfica não é uma mera adaptação, mas uma re-interpretação da obra original, com um novo conjunto de idéias e premissas. Isso sempre me permitiu aproveitar basicamente qualquer adaptação de um livro sem me importar com mudanças por mais estranhas que fossem. Dentro dessa prática, existem livros cujas adaptações eu jamais veria no cinema porque quero preservar a imagem mental que eu formei nos livros, mas O Senhor dos Anéis não é um desses.

Eu já tinha visto os filmes originais algumas vezes, mas não dá para considerar ter realmente visto os filmes até ver a versão estendida dos mesmos.

A versão estendida do primeiro filme, A Sociedade do Anel, aumenta o tempo de duração do mesmo em 30 minutos que ajudam a dar uma finalização muito maior à história e explicar melhor algumas mudanças feitas pelos produtores do filme. Algumas cenas ganham pequenos detalhes e outras ganham uma profundidade extra que tornam o filme bem mais interessante.

Dentre os pequenos detalhes, eu gostei especialmente da hora em que os hobbits, acompanhando Aragorn, chegam aos trolls que Gandalf transformara em pedra quando da aventura com Bilbo em O Hobbit. Muito simples, mas bem dentro do contexto geral da estória, ligando com o passado. Gostei também dos aumentos nas exibições dos cenários, como os detalhes mais extensos sobre Lothlórien.

Mas o que eu realmente gostei foram as expansões que focaram em personagens. Boromir sempre foi um dos meus personagens preferidos e o tempo adicional que ele ganha na versão estendida serve para mostrar um personagem muito mais rico e conflituoso. Eu gostei tanto da interpretação de Sean Bean que virei um fã definitivo do ator. Um misto de honra e fraqueza que rendeu uma atuação muito superior à de Viggo Mortensen no papel de Aragorn.

O momento em que Gandalf recita a inscrição do Anel em autêntica Black Speech no Conselho de Elrond foi magnífico em termos de filmografia. O céu escurecendo, os elfos literalmente se sentindo mal com a expressão da linguagem, o Anel “conversando” ao fundo como se participasse da recitação tornam essa parte memorável.

Por fim, a passagem da companhia por Lothlórien é muito melhor. Mais cenários, mais conversas e mais detalhes. Celeborn, que na versão original parecia pouco mais do que um mero co-adjuvante da Galadriel, aparece em uma posição bem interessante dando conselhos à Aragorn e conversando com outros dos membros restantes da Sociedade. O momento em que os presentes são dados à Sociedade também aparece em flashback, adicionando mais impacto ao uso dos mesmos depois.

No geral, todos esses pequenos detalhes, que levam o filme a três horas e meia de duração, tornam essa versão realmente uma nova experiência, principalmente se você acabou de ler os livros e pode comparar os detalhes com lembranças mais recentes.

Infelizmente, eu acho muito difícil que essas versões saíam no Brasil considerando o material adicional que elas apresentam. Há não só a versão estendida do filme, mas dois novos discos com dezenas de horas de comentários, notas de produção e explicações que vão deixar qualquer fã de carteirinha sentado horas da frente do DVD.

O preço na Amazon, da última vez que eu vi, estava tentador o suficiente para merecer uma consideração séria–lembrando, é claro, que, nesse caso, o filme só tem legenda em inglês e que o material adicional não possui qualquer sub-título.

Em próximas entradas, comentários sobre os outros filmes.

Shyamalan e seus não-filmes

March 7th, 2007 § 3 comments § permalink

Vi no CinePop que o M. Night Shyamalan vai continuar a insistir no sucesso, conseguindo que a Fox produzisse o seu novo filme, The Happening. Provavelmente vai conseguir a mesma fanfarra dos filmes anteriores, e afundar nos cinemas.

Coitado do Shyamalan: depois de seu primeiro filme, o cultuado O Sexto Sentido, ele não emplacou mais nada, nem com a ajuda de excelente atores nos seus filmes. E realmente é difícil superar um filme como aquele, que está até entre os 250 melhores do IMDb, e dá até dó ver o cara insistir. Mas, se O Sexto Sentido foi a exceção que faz a regra, ele está perdido.

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