Dos males, o menor

April 30th, 2007 § 5 comments § permalink

Bem, o diagnóstico agora é que eu provavelmente sofro de cálculo biliar, mais conhecido como pedra na vesícula, e que das duas uma: ou tive uma crise particularmente violenta disso, ou pior, tive uma pancreatite aguda. Sinceramente, espero que seja a primeira e que, se realmente a segunda aconteceu, que seja a última. Segundo o que andei lendo, a segunda é particularmente fatal em uma boa parte dos casos e eu não gostaria de partir dessa para melhor tendo meu pâncreas digerido pelo meu próprio corpo.

Não sem uma grande quantidade de ironia, a primeira vez que eu realmente preciso do meu plano de saúde, ele resolve dar para trás. Estou tendo que me virar para conseguir o atendimento que deveria ser padrão e assumido pelo que pago mensalmente. Só não digo “só no Brasil” porque tenho amigos em vários outros países e não muda nada em qualquer lugar do mundo. Saúde é uma commodity, vergonhosamente e não resta nada a não ser partir para um fornecedor melhor.

De qualquer forma, só de saber que o diagnóstico está progredindo, estou me sentindo um pouco melhor. As três última semanas foram realmente infernais, e eu não me sinto nada mal em pô-las para trás.

Primer

April 29th, 2007 § 4 comments § permalink

Para quem gosta de ficção científica, e especialmente aquela que envolve viagens no tempo, Primer é um prato cheio. Esse filme independente de 2004 é possivelmente o filme mais hard já realizado sobre o tema, e também o mais difícil de entender.

Como algumas resenhas na Internet já apontaram, o filme é praticamente hermético, quase como se o diretor não quisesse que o filme fosse compreendido por espectadores que não estivessem dispostos a investir tempo pensando sobre o mesmo. E de fato, tentar entender o filme em uma única sessão é, para todos os efeitos, impossível. Como a entrada sobre o mesmo na Wikipedia aponta –e eu confesso que tive que recorrer à mesma para entender muitos dos aspectos do filme–existem pelo menos dez tramas diferentes ocorrendo ao longo do filme, tramas que se interpolam e se enlaçam, deixando o espectador ainda mais cônscio do elemento paradoxal das viagens temporais dos personagens.

Essa “confusão” é ao mesmo tempo o que há de melhor e pior no filme. Melhor porque adiciona ao tema, mostrando a dificuldade inerente desse tipo de estória, algo que é quase sempre ignorado nos filmes do gênero. E pior porque exige um esforço além do filme que é apropriado para tie-ins, mas não para um filme solo.

Mesmo com essas considerações, o filme vale a pena e oferece um bom tempo de diversão para os espectadores interessados.

IR

April 28th, 2007 § 4 comments § permalink

É impressionante como todo ano, apesar de fazer a declaração de renda com o maior cuidado, sempre fica aquele frio na barriga, o pensamento de que talvez você não tenha preenchido algo com cuidado–por não saber ou entender–e que, por causa disso, possa vir a enfrentar burocracia e complicações para provar que um engano não passou disso, um engano, que o mesmo não foi nenhuma tentativa de sabotar ou escapar ao sistema. É realmente impressionante como o que deveria ser algo simples se converte em um ritual tortuoso e uma fonte de pesadelo para milhões de pessoas todo ano. E ainda dizemos que somos civilizados.

Contrabando e magia

April 26th, 2007 § 9 comments § permalink

Eu mestro RPG uma vez por semana. Eu sempre gostei mais de mestrar do que de simplesmente jogar. Primeiro, porque sempre tive uma atração por elaborar uma estória, procurar surpreender os jogadores, arrumar situações complicadas–enfim, fazer o mesmo trabalho que um escritor. Segundo, porque gosto de mudar de personagens, passar de um papel para o outro sem ter que me preocupar com uma representação fixa.

Atualmente, estamos jogando uma campanha nova, envolvendo o contrabando de objetos mágicos em uma ambiente que não difere muito do milieu fantástico estabelecido por Tolkien e seus herdeiros literários. A diferença maior é que existe um comércio muito bem estabelecido de artefatos, legal e ilegal, com uma polícia não muito simpática para quebrar o pau sobre os jogadores quando necessário, já que eles estão sempre um pouco do lado de lá da lei. Sendo assim, a estória é baseada nas relações de um grupo de contrabandistas cujo único motivo para ficarem juntos é o dinheiro, o que gera uma série de situações interessantes de intrigas, jogos duplos, traições e outras amenidades. Nesse aspecto, o ambiente lembra mais o que os mundos criados para jogos virtuais recentes, como Word of Warcraft.

O mais interessante do jogo atual é que, apesar de ser jogado pela regras do GURPS, estamos usando muito menos os dados do que imaginamos inicialmente. O jogo está muito mais intimista, baseado em conversas, como um bom jogo de RPG deveria ser. Provavelmente, isso é mais resultado da familiaridade que o grupo tem agora do que da estória em si, mas não deixa de ser algo interessante de ser observar. E as gargalhadas continuam, é claro, a rolar soltas.

Contrabando e magia, uma combinação interessante. :-)

Phaux

April 25th, 2007 § 4 comments § permalink

Pelo visto, as heresias estão começando a se espalhar no mundo de desenvolvimento Web. A novidade é o Phaux, um framework parecido com o Seaside para PHP, que como este último, abstrai as particularidades desnecessárias trazidas da camada mais baixa que é o HTTP.

Para exemplos, veja o contador e o teste de formulário, que são bem parecidos com o que seria feito em Seaside. Vale a pena dar uma conferida.

Emergindo

April 25th, 2007 § 11 comments § permalink

Depois de conseguir escrever aqui quase diariamente desde o começo do ano, algo que eu não conseguia desde 2004, tive que dar uma paradinha. O motivo: estou sobrevivendo na base do Buscopan. Quem tem problema de estômago sabe como é. Há duas semanas, estou com alguma coisa que ninguém descobre o que é e há dias em que eu não tenho disposição nem para deitar. Tenho que ficar circulando pela sala, em uma literal via crucis, porque ficar em uma posição horizontal é ainda pior. E o pior: o Buscopan está parando de fazer efeito. Do jeito que as coisas estão indo, daqui a pouco só a cocaína resolve. 😉

Fuga do Bloglines

April 20th, 2007 § 11 comments § permalink

Pelo visto, eu não sou o único que está saindo do Bloglines. Como todo bom blogueiro narcisista, eu acompanho os logs de acesso do meu servidor e o que tenho notado nos últimos meses é que o número de subscrições ao meu blog no Bloglines tem avançado bem lentamente, enquanto no Google Reader, Netvibes, Newshutch e outros cresce muito mais rápido.

Considerando que esses agregadores provavelmente continuam a registrar leitores inativos, parece que o Bloglines está sofrendo uma debandada. Em outros blogs que eu tenho–não atualizados no momento–o efeito é o mesmo, embora provocado mais por para-quedistas que não reparam que esses sites estão parados.

E vocês, o que estão notando em suas subscrições?

Empolgação

April 18th, 2007 § 11 comments § permalink

Empolgação muita sempre invoca Murphy. Comprei o E61, que vem com cartão minúsculo de 128MB (irônico, eu sei), e não perdi tempo em comprar um outro de 2GB, da Corsair, que, segundo li e me informei, era uma marca decente. Nem uma semana de uso e começo a experimentar corrupções, erros de leitura e arquivos sumindo. Ontem, tentei formatar o cartão e a capacidade dele se reduziu a 960MB. Porque 960MB, não tenho idéia. Pelo menos tem garantia vitalícia.

Ubuntu e Debian, dois anos depois

April 16th, 2007 § 5 comments § permalink

Em junho de 2005, eu escrevi um texto comentando sobre as razões que me levaram ao Ubuntu como minha distribuição primário. Nesse meio tempo, já passei por quatro versões do Ubuntu, e não me arrependi um momento de minha decisão. O Ubuntu conseguiu efetuar uma façanha que nenhuma distribuição repetiu até o momento: aliar estabilidade, facilidade de uso, e aplicativos constantemente atualizados. Qualquer outra distribuição no mercado consegue fazer no máximo duas das coisas acima.

O meu texto comparava o Ubuntu ao Debian, comentando sobre alguns problemas neste último que eu achava que o primeiro corrigia, terminando com a esperança que o Debian, uma distribuição referência, que deu origem a tantas outras, não acabasse se tornando ultrapassada e envolvida em tantos conflitos internos.

Na época, o texto gerou alguns comentários bem fortes de alguns usuários do Debian, que não concordavam de forma alguma que a distribuição estava com problemas ou que o Ubuntu poderia de alguma forma melhorar o Debian.

O tempo passou, e realmente o Debian enfrentou vários problemas, mas parece estar se recuperando. Embora a distribuição ainda se atrapalhe com assuntos tão simples quanto a inclusão de ajuda por causa de licenças, algo que obviamente prejudica os usuários sem ganhos para a distribuição, o pragmatismo parece estar ganhando um pouco mais de espaço no desenvolvimento. Sendo assim, dois anos depois, eu ainda mantenho o que disse no texto original.

Com o recente anúncio do Ubuntu sobre o seu oferecimento de uma versão ultra-conservadora em termos de licenças abertas, o Debian pode enfrentar um novo desafio, com mais uma migração por parte de usuários que desejam liberdade, mas não querem ficar presos a um ciclo de distribuição mais lento. Essa divisão do Ubuntu mostra a combinação de ideologia e pragmatismo que ajuda as várias classes de usuários, e ainda levam em conta as transformações de mercado necessárias que estão acontecendo ao redor do Linux.

Com o Debian se recuperando e o Ubuntu continuando a crescer, o Linux continua em seu caminho para se tornar cada vez mais uma opção válida para todo tipo de usuários.

E61

April 13th, 2007 § 15 comments § permalink

Este texto foi escrito diretamente no E61 que acabei de comprar. Eu estava na maior dúvida entre ele e algum outro baseado no Windows Mobile, mas depois de ter um Nokia com Symbian por dois anos eu já estava bem acostumado com a interface e com a funcionalidade e preferi ficar com o conhecido.

Ainda estou experimentando, é claro, mas estou gostando. O teclado é bem confortável, as aplicações pré-instaladas são bem razoáveis e o modo de funcionamento em geral é bem intuitivo. Nem tudo é perfeito, claro: um problema que eu já constatei é a falta de teclas de atalhos em muitos dos aplicativos. Mas isso dá para contornar.

Depois, quando tiver mais tempo, posto uma resenha mais detalhada aqui. Por enquanto, vou só aproveitar o bichinho. 😀

Where am I?

You are currently viewing the archives for April, 2007 at Superfície Reflexiva.