Balanço cultural de abril

May 1st, 2007 § 8 comments

Abril foi um mês melhor do que março em termos literários, me trazendo um pouco mais próximo de minha meta. O resultado do mês foi:

  • 12 livros
  • 26 filmes
  • 16 episódios de séries

Vi poucas séries porque já estou sincronizado com todas que sigo e me limitando a ver os novos episódios semanais. Nesse aspecto, o único interesse do mês foi o retorno de Stargate SG-1, cujos episódios finais estão chegando (pena), terminando a série mais longa de ficção científica já exibida. Lost continua a aumentar em mistérios, embora o último episódio tenha dado o que pensar. De resto, House continua tão bom como sempre e Heroes divertido o suficiente.

Nos livros, terminei a trilogia Science in the Capital de Kim Stanley Robinson, lendo Sixty Days and Counting. Mais tarde eu pretendo escrever mais sobre o autor e o livro já que precisaria de mais do que algumas frases para fazer justiça ao vigor literário de Robison, que se converteu em um dos meus favoritos.

Cell, de Stephen King, confirmou a minha tese sobre o ele: King escreve suspense bem, mas apesar do título de “o mestre do Terror”, é bem fraco neste último gênero. Cell é suspense, e uma das poucas histórias de zumbis bem feitas, embora tenha um final relativamente fraco.

Em homenagem ao sétimo livro de uma das séries de fantasia mais bem sucedidas de todos os tempos, li todos os seis livros de Harry Potter (ou Haroldinho Maconheiro como diria o TaQ). Gostei, mas nem tanto. Os dois últimos livros são bons, mostrando um pouco mais de cuidado literário, e deu para entender porque fazem tanto sucesso. Continuando em um tema mais juvenil, li o primeiro livro d’As Crônicas de Nárnia, O Sobrinho do Mágico e revi um livro da minha infância, O Gênio do Crime, que sobreviveu muito bem ao tempo–continua tão divertido como da primeira vez que li.

Li também The Case for Christ, de Lee Strobel, uma excelente defesa da historicidade e realidade da pessoa da Cristo como Deus. O livro é bem escrito, em um formato de questionamento e prova que Strobel, como advogado formado e jornalista criminal, domina tranqüilamente e, embora não traga muita novidade ao que já foi escrito sobre o assunto, apresenta o argumento de uma maneira fácil de entender. O livro, porém, possui uma falha grave que é justamente não dar espaço aos argumentos contrários. Por mais cristão que eu seja, um livro que se propõe a ser basicamente imparcial sobre o assunto deveria fazer uma examinação cruzada maior. O resultado seria o mesmo, em minha opinião, mas com maior apoio crítico.

Finalizei o mês com Vellum, por Hal Duncan. Demorei um mês para ler e a pancada intelectual foi a mesma relatada pela maioria dos leitores. Duncan está sendo aclamado como um dos líderes de uma nova geração de escritores de ficção fantástica e o livro prova isso. Vellum não é para os fracos de coração. É um livro sem começo, nem fim, em que cada página se desdobra em múltiplas estórias dentro de um multiverso onde Céu e Inferno batalham pela própria realidade. Não dá nem para começar a falar sobre o livro aqui porque ele é complexo demais para ser absorvido em uma única leitura, quanto mais destilado em uma entrada de um blog. O que eu posso recomendar é: pesquisem um pouco do Google e leiam.

Nos filmes, um mês interessante. Resolvi rever basicamente todos os filmes de Jornada nas Estrelas, mas não consegui. Faltaram os dois finais tanto da Nova Geração quanto da Clássica. Mas foi divertido e interessante ver tudo em seqüência e ver o amadurecimento dos personagens.

Em homenagem à leitura de J. K. Rowling, vi também os quatro filmes da série Harry Potter e gostei–bem divertidos. Sobre 300, eu já dei minha opinião e não vou me repetir. Abismo do Medo foi uma decepção: sangue demais e roteiro de menos embora o final tenha sido corajoso. Eragon foi previsivelmente horrível e Peaceful Warrior pouco mais do que razoavel.

Dos filmes que eu gostei, destaque para The Fountain, The Lake House e Children of Men. O primeiro pela delicadeza do roteiro e pela incrível fotografia. Darren Aronofsky é meio insano, mas nunca decepciona. O segundo porque, apesar de no fundo não passar de um filme romântico, usa viagem do tempo de uma maneira decente. O terceiro porque Alfonso Cuarón também sempre é bom e porque o filme é uma bela análise social disfarçada, como toda boa ficção científica deve ser, com tons religiosos para adicionar a uma estória já interessante.

Para terminar o mês, vi duas versões de Orgulho e Preconceiro: o filme de 2005 e a mini-série da BBC de 1995. A versão mais velha é obviamente melhor, por ser maior e poder dispor melhor do tempo, mas a primeira tem as mulheres mais bonitas. Minha mulher está lendo o livro e eu também sempre fui fã de Austen, o que levou às duas versões.

No geral, um mês melhor que o anterior. No próximo mês, mais livros e menos filmes.

§ 8 Responses to Balanço cultural de abril"

  • C.E. Lopes says:

    Opa, opa!!!!

    “…a série mais longa de ficção científica já exibida.”

    A mais longa série AMERICANA… Doctor Who, série inglesa, está no ar desde 1963!!!

    Desculpa, sou fã das duas séries. SG-1 vai fazer falta, mas Atlantis até que é interessante de assistir. Pena que seja mais Kirk e menos Picard que a SG-1, mas fazer o quê?

    E se você não assiste a nova série do Dr.Who, eu só posso recomendar. O universo do doutor é absolutamente adorável, as histórias são bem escritas, e como reclamar de uma série que casa viagens no tempo, com alienígenas diversos, múltiplas dimensões e humanos bem intencionados (e alguns mal intencionados também)??? Sem contar que – na minha opinião – nenhuma nave espacial é mais charmosa que a Tardis. 😉

    Abraços!

  • Ronaldo says:

    Ops, mea culpa. Eu tinha a impressão que era a mais longa de todas e ponto final.

    Sobre Atlantis, tive o mesmo sentimento. A série é muito cowboy para o meu gosto e não empolgou tanto como SG-1. Eu vi alguns episódios, mas prefiro um goa’uld insano a um wraith faminto qualquer dia da semana. :-)

    Quanto a Doctor Who, confesso que o que ouvi sobre a série nunca me empolgou. Mas como já errei com outras séries por causa disso, vou pegar alguma coisa para ver em homenagem à sua recomendação. 😛

  • Walter Cruz says:

    Li “Em defesa de Cristo em Português” mesmo e gostei. Como você sabe, sou cristão, e as vezes sinto falta de quem posso articular a fé cristã em termos lógicos e sensatos. Falta de Lewis, o apologista. Mas tudo bem :)

    Assis Eragon no cinema. Foi o primeiro filme de 2007. Deveria ter pedido o dinheiro de volta no final da sessão. Durante a sessão, ocorreu uma pane. 10 segundos sem filme. Perdemos 10 segundos. Fez diferença na compreensão do filme? Nenhuma.

    O Sobrinho do Mago é legal :)

  • Ronaldo says:

    O Sobrinho do Mago é bem bacana mesmo. Estou lendo na ordem cronológica. Atrapalha alguma coisa?

    Sobre o “Em defesa de Cristo”, eu também gostei mas fica aquela sensação estranho. O público, pelo menos em tese, é alguém que não acredita. Nesse caso, a pessoa pode acabar com a impressão de parcialidade por parte do autor. Nisso, acho que Strobel falhou. Ele poderia ter sido mais aberto nos argumentos. A refutação ficaria ainda mais poderosa.

    Quanto à Eragon, uma palavra: blergh. :-)

  • Ronaldo says:

    Ah, esqueci. Já leu “Filosofia e uma Cosmovisão Cristão”? Estou lendo e achando interessante. É uma boa articulação. Não chega a Lewis, mas é bom (pelo menos até o momento).

  • Walter Cruz says:

    Oi Ronaldo. Sobre a ordem, que não atrapalha não.

    Se você pensar bem, o Sobrinho do Mago é um ‘Gênesis’ de Nárnia, com o Leão(…) sendo o Evangelho :) Dá pra chegar no Evangelho sem ler o Gênesis. Eu penso :)

    Vou dar uma procurada nesse livro que você citou!

  • Ronaldo says:

    Faz sentido a comparação entre o Gênesis e o Evangelho. Bem, o próximo é justamente “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”. Aí já estou em território familiar para um releitura. Na vedade, eu estou é lendo para minha esposa, que nunca leu qualquer deles.

    Sobre o outro livro, acho que você vai gostar. Achei mais forte que os do Norman Gleiser.

  • Walter Cruz says:

    The Fountain é muito legal.

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