Brazil

May 11th, 2007 § 7 comments

Bruce Schneier faz alguns comentários bem interessantes sobre as realidades políticas atuais e a visão distópica do livro 1984, de George Orwell em um de seus últimos artigos. Vale a pena dar uma lida:

The fear isn’t an Orwellian government deliberately creating the ultimate totalitarian state, although with the U.S.’s programs of phone-record surveillance, illegal wiretapping, massive data mining, a national ID card no one wants and Patriot Act abuses, one can make that case. It’s that we’re doing it ourselves, as a natural byproduct of the information society.We’re building the computer infrastructure that makes it easy for governments, corporations, criminal organizations and even teenage hackers to record everything we do, and—yes—even change our votes. And we will continue to do so unless we pass laws regulating the creation, use, protection, resale and disposal of personal data. It’s precisely the attitude that trivializes the problem that creates it.

1984 é um livro que colocou um pavor intenso de sociedades policiais no meu coração. Ainda hoje, ao ouvir de uma nova lei ou regulamento que nos aproxima mais de algo assim–seja aqui no Brasil ou em outro lugar do mundo–em ainda sinto aquele nó no fundo do estômago. Eu não sou muito fã de uma sociedade transparente total–excetuando é claro, as considerações teocráticas possíveis da minha filosofia cristã–mas qualquer coisa na direção oposta a 1984 é uma necessidade constante.

Isso, como Schneier aponta, é algo que exige uma diligência permanente. E ainda assim, a diligência máxima que fizermos provavelmente mal será suficiente para controlar os efeitos colaterais impensados da tecnologia atual, como mostrou o episódio recente das chave AACS.

§ 7 Responses to Brazil"

  • Luiz Rocha says:

    Estava relendo o Free Culture do Lessig esses dias (conseqüência do episódio de abuso nos blogs da gringolândia e o código do O’Reilly). Ele faz aquele argumento interessante sobre o ajuste do bom senso para a cada nova realidade e tal.

    Acho que o mesmo argumento cabe aqui. E eu acho que vc apontou para dois exemplos que habitam nos extremos da discussão. A paranóia pós-11/9 americana e o barulho a respeito da chave AACS.

    Tem que ser alguma coisa no meio-termo, o problema é que existe bandalheira nos dois extremos e isso dificulta do “ajuste” do bom senso para a nova realidade.

    Ou não. Acabei de acordar. Posso estar delirando.

  • Ronaldo says:

    Exatamente, não é delírio não. Esse meio termo parece ser mais uma questão de coincidência, com todo mundo oscilando de extremo a extremo, do que algo deliberado. Mesmo com uma certa consciência maior dos problemas atualmente–e aqui estamos falando apenas da inteligentsia–não dá para pensar em todas possibilidades, quanto mais gerenciá-las. Depois de ler Glasshouse, do Stross, eu fiquei pensando que talvez a melhor possibilidade seria uma dissociação de perfis: todo mundo teria um perfil público, assumido como tratável mas não confiável, e outro anônimo, só acessível via intermediação explícita. Tudo bem, acho que eu estou delirando agora. :-)

  • Luiz Rocha says:

    Bom, eu imagino que nada vá acontecer de fato antes das pessoas, em todos os níveis, aprenderem a lidar com a exposição desse “mundão sem fronteiras”.

    Antes disso, não haverá uma evolução do senso comum.

  • Ronaldo says:

    Fico imaginando se nós, os ditos tecnófilos, não teremos tanto problema quanto o resto do pessoal. Ou, quem sabe, mais, por saber o que está “lá fora”…

  • Luiz Rocha says:

    Acho que vamos ter problemas de maneira igual. Por mais que conheçamos mais, também temos nossas manias, teimas e etc.

    Da mesma maneira que um não-tecnólogo sofre com algumas mudanças no mundo tecnológico, nós também sofremos. Ou vc acha que todos nós reagiremos bem quando ficarmos obsoletos? :-)

  • Ronaldo says:

    Bem, eu sempre tive uma esperança secreta de me adiantar ao choque futuro–viajar na crista da onda por assim dizer. Engraçado que esses dias, eu, minha esposa e alguns amigos estávamos conversando justamente sobre isso, eu sendo o único cara de tecnologia na conversa, e foi interessante perceber como as pessoas lidam diferente com isso. O que é realidade para uns é escapismo para outros.

  • buy levitra says:

    How add your article to digga.se?

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