SOA, convergência e o fim dos power users

May 12th, 2007 § 0 comments

O Luiz Rocha comenta mais uma vez sobre SOA e posso dizer que concordo amplamente. Em especial, o ponto abaixo de chamou a atenção:

O principal benefício que eu vejo em SOA, nesse conceito de se desenvolver arquiteturas distribuídas, cujo elemento atômico é um serviço–a menor unidade relevante para o negócio a ser tratado–é que cria uma arquitetura que é adaptável as mudanças tecnológicas.

A maior mudança tecnológica que termos presenciado nos últimos dez anos não é em absoluto visível: é a aceitação maior de um fator de mudança no que tange a sistemas. Pode parecer estranho dizer isso, considerando o clichê sempre repetido de que a tecnologia muda com a velocidade do pensamento, mas há uma resistência inerente mesmo nas maiores guerras por inovação. Isso é expresso, em especial, pelo mito de backwards compatibility para sistemas. Eu não estou falando também em termos de usuários, mas em termos de arquiteturas. O desenvolvimento tem tendido a uma modularização real e bastante específica que provavelmente terá o seu desfecho, em termos concretos do que vem acontecendo nos últimos anos, com implementações práticas de SOA.

Um fator que eu acredito estar por trás disso é justamente outro ponto em que o Luiz toca, ao mencionar as pessoas que trocam de celular para aproveitar as novas tecnologias. Esse tipo de atitude, antes reservado para a parte geek da população, está agora se entranhando em todos as classes de usuários. Celulares são um exemplo particularmente apto porque suas gerações tem em média dois ou três meses de duração. E aqui entra outra consideração: o power user está desaparecendo–desparecendo porque, efetivamente, cada usuário atual está se transformando em um.

A cada mês, dois ou três artigos são publicados dizendo que “ainda não estamos lá” no que tange à computação móvel. O que todos esses artigos ignoram, sem exceção, é que a convergência está acontecendo em uma passo tão rápido que está quase passando despercebida. Houve uma época em que um celular era não mais do que um rádio glorificado enquanto, hoje, mesmo as unidades mais simples empacotam um poder de processamento enorme. Se hoje estamos falando no colapso da telefonia fixa, logo estaremos falando no fim da telefonia móvel como um negócio monolítico, monopolista e mal-gerenciado. Combine redes mesh, banda efetivamente ilimitada, VoIP, e processamento distribuído em larga escala e estamos falando de uma realidade inteiramente diferente da atual.

O que me lembra de algo: o melhor modo de prever o futuro é inventá-lo.

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