Smalltalk Revival

May 17th, 2007 § 12 comments § permalink

Pelo visto, o Smalltalk parece estar no caminho de uma nova fase em termos de interesse generalizado: mais e mais pessoas estão descobrindo a linguagem, e diversos projetos interessantes estão surgindo, um atrás do outro, ganhando a atenção da mídia e mostrando que a linguagem não é tão esotérica como muitos pensavam e que fornece um ambiente bastante interessante para aplicações que vão desde ambientes de programação customizados e desenvolvimento Web pesado.

As novidades dos últimos dias foram dos ambientes muito interessantes que merecem uma investigação posterior. O primeiro foi o Sophie, um aplicativo que permite a criação de documentos multimídia com recursos bem poderosos sem a necessidade de qualquer conhecimento de programação. E o segundo foi o Scratch que na verdade é uma nova linguagem de programação visual em um ambiente construído sobre o Squeak Smalltalk. O site do projeto ontem sofreu com um enorme número de acessos proveniente tanto da comunidade tecnológica como da mídia em geral e a atenção é merecida. Eu baixei o ambiente, instalei e brinquei um pouco e fiquei encantado com as possibilidades.

Embora tanto o Sophie como o Scratch escondam o Smalltalk por trás dos mesmos, não dá para deixar de pensar no que é possível fazer com a linguagem e eu imagino que mais programadores pensarão mais uma vez ao considerar Smalltalk para esse tipo de projetos. E quem sabe Smalltalk finalmente não tenha o seu lugar à luz do Sol, depois de tantos anos?

SOA, convergência e o fim dos power users

May 12th, 2007 § 0 comments § permalink

O Luiz Rocha comenta mais uma vez sobre SOA e posso dizer que concordo amplamente. Em especial, o ponto abaixo de chamou a atenção:

O principal benefício que eu vejo em SOA, nesse conceito de se desenvolver arquiteturas distribuídas, cujo elemento atômico é um serviço–a menor unidade relevante para o negócio a ser tratado–é que cria uma arquitetura que é adaptável as mudanças tecnológicas.

A maior mudança tecnológica que termos presenciado nos últimos dez anos não é em absoluto visível: é a aceitação maior de um fator de mudança no que tange a sistemas. Pode parecer estranho dizer isso, considerando o clichê sempre repetido de que a tecnologia muda com a velocidade do pensamento, mas há uma resistência inerente mesmo nas maiores guerras por inovação. Isso é expresso, em especial, pelo mito de backwards compatibility para sistemas. Eu não estou falando também em termos de usuários, mas em termos de arquiteturas. O desenvolvimento tem tendido a uma modularização real e bastante específica que provavelmente terá o seu desfecho, em termos concretos do que vem acontecendo nos últimos anos, com implementações práticas de SOA.

Um fator que eu acredito estar por trás disso é justamente outro ponto em que o Luiz toca, ao mencionar as pessoas que trocam de celular para aproveitar as novas tecnologias. Esse tipo de atitude, antes reservado para a parte geek da população, está agora se entranhando em todos as classes de usuários. Celulares são um exemplo particularmente apto porque suas gerações tem em média dois ou três meses de duração. E aqui entra outra consideração: o power user está desaparecendo–desparecendo porque, efetivamente, cada usuário atual está se transformando em um.

A cada mês, dois ou três artigos são publicados dizendo que “ainda não estamos lá” no que tange à computação móvel. O que todos esses artigos ignoram, sem exceção, é que a convergência está acontecendo em uma passo tão rápido que está quase passando despercebida. Houve uma época em que um celular era não mais do que um rádio glorificado enquanto, hoje, mesmo as unidades mais simples empacotam um poder de processamento enorme. Se hoje estamos falando no colapso da telefonia fixa, logo estaremos falando no fim da telefonia móvel como um negócio monolítico, monopolista e mal-gerenciado. Combine redes mesh, banda efetivamente ilimitada, VoIP, e processamento distribuído em larga escala e estamos falando de uma realidade inteiramente diferente da atual.

O que me lembra de algo: o melhor modo de prever o futuro é inventá-lo.

Brazil

May 11th, 2007 § 7 comments § permalink

Bruce Schneier faz alguns comentários bem interessantes sobre as realidades políticas atuais e a visão distópica do livro 1984, de George Orwell em um de seus últimos artigos. Vale a pena dar uma lida:

The fear isn’t an Orwellian government deliberately creating the ultimate totalitarian state, although with the U.S.’s programs of phone-record surveillance, illegal wiretapping, massive data mining, a national ID card no one wants and Patriot Act abuses, one can make that case. It’s that we’re doing it ourselves, as a natural byproduct of the information society.We’re building the computer infrastructure that makes it easy for governments, corporations, criminal organizations and even teenage hackers to record everything we do, and—yes—even change our votes. And we will continue to do so unless we pass laws regulating the creation, use, protection, resale and disposal of personal data. It’s precisely the attitude that trivializes the problem that creates it.

1984 é um livro que colocou um pavor intenso de sociedades policiais no meu coração. Ainda hoje, ao ouvir de uma nova lei ou regulamento que nos aproxima mais de algo assim–seja aqui no Brasil ou em outro lugar do mundo–em ainda sinto aquele nó no fundo do estômago. Eu não sou muito fã de uma sociedade transparente total–excetuando é claro, as considerações teocráticas possíveis da minha filosofia cristã–mas qualquer coisa na direção oposta a 1984 é uma necessidade constante.

Isso, como Schneier aponta, é algo que exige uma diligência permanente. E ainda assim, a diligência máxima que fizermos provavelmente mal será suficiente para controlar os efeitos colaterais impensados da tecnologia atual, como mostrou o episódio recente das chave AACS.

Diferenças

May 11th, 2007 § 4 comments § permalink

Depois de um tempo, o meu cérebro até ficou acostumado. Mesmo assim, algumas vezes eu ainda sinto uma espécie de dissonância cognitiva ao passar do desktop (19″, 1280×1024) para o notebook (15,4″, 1024×768) para o smartphone (2,8″, 320×240).

The good, the bad, and the ugly

May 10th, 2007 § 12 comments § permalink

The Good: Eu, aparentemente, não estou com pancreative nem pedra na vesícula.

The Bad: Eu continuo a ter sintomas estranhos e os médicos não tem a menor idéia do que é.

The Ugly: Eu só dormi 18 horas nos últimos seis dias. Isso é o equivalente de uma tonelada de crack de uma vez só no último dia.

Silverlight e Flex outra vez

May 2nd, 2007 § 6 comments § permalink

O Mark Pilgrim postou outro de seus comentários avassaladores sobre a indústria, dessa vez focalizando sobre o hype em torno do Silverlight e a reação sobre o que isso significa para Flex e Ajax.

Desnecessário dizer, eu concordo com o que ele diz, no contexto de liberdade. É claro que, no que tange a código livre, Adobe e Microsoft são dificilmente exemplos a serem seguidos. Apesar disso, eu me imagino trabalhando com as duas tecnologias, como escrevi ontem, pelo mesmo motivo que hoje trabalho com .NET ou Java. Acho que não preciso nem me explicar em relação a isso, porque esse motivo é bem óbvio: intranets.

Em mais de uma década trabalhando com Internet, eu posso contar nos dedos os sites públicos que fiz. Intranets são um mundo estranho onde as regras da Web aberta são quase que completamente inválidas. E dentro desse contexto, eu já vi de tudo acontecer–por exemplo, há pouco mais de um ano atrás, um dos sites que eu implementei, por motivos além da minha vontade, precisava de um ActiveX bem estilo antigo, algo que, fora de intranets, nem se houve falar mais atualmente. Aliás, até a Microsoft atualmente está escondendo o fato que um dia promoveu essa tecnologia (apesar do fato óbvio de que tanto o run-time do Flex quanto o do Silverlight são implementados via ActiveX). E entre ActiveX, instalações de Sharepoint, bibliotecas antiquadas de JavaScript, tanto o Silverlight quanto o Flex se sentirão muito bem-vindos.

A maioria dos desenvolvedores Web não percebe a enorme distância que existe entre esses dois mundos. Não é sem razão que usamos palavras diferentes para os mesmos. Adobe e Microsoft, por mais que gastem palavras e palavras exaltando as virtudes dos seus ambientes para todo e qualquer site, não estão minimamente interessadas em sites públicos–exceto por questões óbvias de visibilidade. Existe um filão de desenvolvimento enorme onde a escolha da tecnologia é fixa, influenciado várias gerações de aplicações.

Assim, esqueçam o hype, esqueçam as licenças, esqueçam o papo de que a Web foi “rebootada” e coisas similares. Silverlight e Flex tem um propósito bem diferente. O resto é puro marketing. E é nesse contexto que eu estava descrevendo as atuais bibliotecas Ajax. Agora é meio óbvio, pensando nisso também, porque o Atlas, por exemplo, quase não saiu do beta.

Essas considerações, antes que alguém queira me matar, não significam que eu não gosto de código livre ou que não tento usá-lo mesmo no contexto da maior parte do meu trabalho. Pelo contrário, tenho várias aplicações rodando em stacks LAMP (ou no caso, atualmente, LAMR/LAMAR). É uma questão de pragmatismo: eu faço sempre o que o cliente precisa. E nem sempre isso envolve código aberto, infelizmente.

Silverlight e Flex

May 1st, 2007 § 8 comments § permalink

Silverlight ou Flex? Eu não sei se fico contente ou fico triste. Contente porque a Internet RIA agora é verdadeiramente uma realidade. Triste porque começam mais uma vez as guerras de incompatibilidades, run-times discordantes e níveis do inferno de versões incompatíveis.

É claro que a Microsoft não ia de forma alguma deixar a Adobe tomar conta dessa parte da Web, e é interessante ver como o JavaScript surgiu com uma linguagem dominante. Esqueçam Java, Ruby, PHP ou qualquer outra coisa. Se a Web ainda não era movida a JavaScript, agora é.

Eu fico pensando nos frameworks como ExtJS, que mal nasceram e já estão se tornando obsoletos.

Balanço cultural de abril

May 1st, 2007 § 8 comments § permalink

Abril foi um mês melhor do que março em termos literários, me trazendo um pouco mais próximo de minha meta. O resultado do mês foi:

  • 12 livros
  • 26 filmes
  • 16 episódios de séries

Vi poucas séries porque já estou sincronizado com todas que sigo e me limitando a ver os novos episódios semanais. Nesse aspecto, o único interesse do mês foi o retorno de Stargate SG-1, cujos episódios finais estão chegando (pena), terminando a série mais longa de ficção científica já exibida. Lost continua a aumentar em mistérios, embora o último episódio tenha dado o que pensar. De resto, House continua tão bom como sempre e Heroes divertido o suficiente.

Nos livros, terminei a trilogia Science in the Capital de Kim Stanley Robinson, lendo Sixty Days and Counting. Mais tarde eu pretendo escrever mais sobre o autor e o livro já que precisaria de mais do que algumas frases para fazer justiça ao vigor literário de Robison, que se converteu em um dos meus favoritos.

Cell, de Stephen King, confirmou a minha tese sobre o ele: King escreve suspense bem, mas apesar do título de “o mestre do Terror”, é bem fraco neste último gênero. Cell é suspense, e uma das poucas histórias de zumbis bem feitas, embora tenha um final relativamente fraco.

Em homenagem ao sétimo livro de uma das séries de fantasia mais bem sucedidas de todos os tempos, li todos os seis livros de Harry Potter (ou Haroldinho Maconheiro como diria o TaQ). Gostei, mas nem tanto. Os dois últimos livros são bons, mostrando um pouco mais de cuidado literário, e deu para entender porque fazem tanto sucesso. Continuando em um tema mais juvenil, li o primeiro livro d’As Crônicas de Nárnia, O Sobrinho do Mágico e revi um livro da minha infância, O Gênio do Crime, que sobreviveu muito bem ao tempo–continua tão divertido como da primeira vez que li.

Li também The Case for Christ, de Lee Strobel, uma excelente defesa da historicidade e realidade da pessoa da Cristo como Deus. O livro é bem escrito, em um formato de questionamento e prova que Strobel, como advogado formado e jornalista criminal, domina tranqüilamente e, embora não traga muita novidade ao que já foi escrito sobre o assunto, apresenta o argumento de uma maneira fácil de entender. O livro, porém, possui uma falha grave que é justamente não dar espaço aos argumentos contrários. Por mais cristão que eu seja, um livro que se propõe a ser basicamente imparcial sobre o assunto deveria fazer uma examinação cruzada maior. O resultado seria o mesmo, em minha opinião, mas com maior apoio crítico.

Finalizei o mês com Vellum, por Hal Duncan. Demorei um mês para ler e a pancada intelectual foi a mesma relatada pela maioria dos leitores. Duncan está sendo aclamado como um dos líderes de uma nova geração de escritores de ficção fantástica e o livro prova isso. Vellum não é para os fracos de coração. É um livro sem começo, nem fim, em que cada página se desdobra em múltiplas estórias dentro de um multiverso onde Céu e Inferno batalham pela própria realidade. Não dá nem para começar a falar sobre o livro aqui porque ele é complexo demais para ser absorvido em uma única leitura, quanto mais destilado em uma entrada de um blog. O que eu posso recomendar é: pesquisem um pouco do Google e leiam.

Nos filmes, um mês interessante. Resolvi rever basicamente todos os filmes de Jornada nas Estrelas, mas não consegui. Faltaram os dois finais tanto da Nova Geração quanto da Clássica. Mas foi divertido e interessante ver tudo em seqüência e ver o amadurecimento dos personagens.

Em homenagem à leitura de J. K. Rowling, vi também os quatro filmes da série Harry Potter e gostei–bem divertidos. Sobre 300, eu já dei minha opinião e não vou me repetir. Abismo do Medo foi uma decepção: sangue demais e roteiro de menos embora o final tenha sido corajoso. Eragon foi previsivelmente horrível e Peaceful Warrior pouco mais do que razoavel.

Dos filmes que eu gostei, destaque para The Fountain, The Lake House e Children of Men. O primeiro pela delicadeza do roteiro e pela incrível fotografia. Darren Aronofsky é meio insano, mas nunca decepciona. O segundo porque, apesar de no fundo não passar de um filme romântico, usa viagem do tempo de uma maneira decente. O terceiro porque Alfonso Cuarón também sempre é bom e porque o filme é uma bela análise social disfarçada, como toda boa ficção científica deve ser, com tons religiosos para adicionar a uma estória já interessante.

Para terminar o mês, vi duas versões de Orgulho e Preconceiro: o filme de 2005 e a mini-série da BBC de 1995. A versão mais velha é obviamente melhor, por ser maior e poder dispor melhor do tempo, mas a primeira tem as mulheres mais bonitas. Minha mulher está lendo o livro e eu também sempre fui fã de Austen, o que levou às duas versões.

No geral, um mês melhor que o anterior. No próximo mês, mais livros e menos filmes.

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