Equipe do Ubuntu usando Smalltalk

June 10th, 2007 § 5 comments

É o que diz o Mark Shuttleworth em uma entrevista para o The Economist:

One area where he sees this happening is in real-time collaboration. E-mail is widely used as a collaborative tool, but has severe limitations. When a team, such as a group of software developers, wants to work together on something in real time, something more elaborate is needed. Mr Shuttleworth points to an open-source platform called Croquet, an immersive environment that is similar in many ways to Second Life, a popular online virtual world. “You can see your collaborators’ avatars looking at a spreadsheet in a virtual room,” he says.”“People change things in different colours–newer stuff glows. We’ve started to use this for planning and building Ubuntu.”

Eu já tinha falado um pouco anteriormente sobre o aumento do interesse indireto em Smalltalk através de programas que estão ganhando a mídia e mostrando aos desenvolvedores que Smalltalk não é algo esotérico e passado, mas algo que pode ajudar a resolver problemas reais e agora com menor custo e maior eficiência. Essa notícia vinda de alguém como Mark Shuttleworth pode atrair ainda mais atenção e ajudar um pouco mais Smalltalk. Muito bom.

§ 5 Responses to Equipe do Ubuntu usando Smalltalk"

  • lorrene says:

    E a Squeak? Apresentaram a mim ontem e dizem ser a implementação livre da Smalltalk. Conhece ela?

  • Mario Nogueira says:

    Oi Ronaldo,

    E o que você acha de um eventual retorno do LISP a uma posição de destaque, especialmente para programação web?

    O sucesso recente de ferramentas como o Ruby on Rails, cujas características mais exaltadas são derivativas do uso de metaprogramming do Ruby, não poderia ser um sinal de que o LISP ainda pode ter muito a oferecer?

    A crítica mais comum que ouço sobre o LISP tem haver com sua sintaxe, mas, por outro lado, eu vejo muita gente aprendendo Ruby, que tem lá suas particularidades, como consequência de sua sofisticação no uso do Rails.

    Não seria o caso então de alguém criar uma ferramenta que ao mesmo tempo simplificasse o uso do LISP e tirasse vantagem de funcionalidades poderosas que a linguagem oferece, como por exemplo, macros?

    Gostaria de saber o que você pensa sobre essas questões.

    Afinal, Paul Graham tem razão? :-)

    Ah sim, aproveitando o gancho, se você julgar pertinente ao assunto, também gostaria de saber mais sobre o Seaside.

    Abraço!

  • Mario Nogueira says:

    A propósito, o próprio Matz, criador do Ruby, é deferente ao LISP frente ao mesmo, como indica a citação abaixo.

    “Some may say Ruby is a bad rip-off of Lisp or Smalltalk, and I admit that. But it is nicer to ordinary people.” Matz, LL2

    Aliás, muita gente bem reputada parece ser também, como indica o link abaixo.

    http://www.paulgraham.com/quotes.html

    Abraço!

  • Mario Nogueira says:

    Pra encerrar (agora é sério mesmo :-)), mais um link de interesse sobre o assunto.

    http://tuxdeluxe.org/node/153

    Abraço!

  • Ronaldo says:

    Lorrene, conheço sim. É a implementação que eu uso preferencialmente. É um implementação muito boa como um todo, apesar de algumas falhas grosseiras que tem que ser contornadas em alguns tipos de projetos. Inclusive, é a implementação usada para os projetos como Sophie, Scratch e Croquet, por sua excelente portabilidade. O pessoal da Dabble DB também a usa para seu sistema servindo milhares de usuários por dia.

    Mário, respondendo ao primeiro comentário, eu acho possível, mas improvável.

    Eu alguns textos que eu escrevi e conversas que eu tive, eu apontei justamente essa questão do Ruby e Rails estarem abrindo caminho para uma aceitação maior de linguagens dinâmicas que pode, eventualmente, levar a uma aceitação corporativa de linguagens que hoje não são mainstream. No meio não corporativo, inclusive, eu acredito que já não há basicamente nenhhum problema no uso de linguagens ditas alternativas e que em mais um ou dois anos, qualquer resistência terá desaparecido completamente.

    Apesar disso, acho que linguagens realmente “esotéricas” como Lisp e Smalltalk sempre enfrentarão essa barreira. Primeiro, pela percepção de que são estranhas demais para compensar a curva de aprendizado. Segundo, porque existe uma diferença muito grande de produtividade de programador a programador como indicam pesquisas recentes, diferença esta que está ligada a um certo talento. Eu concordo com Joel Spolsky quando ele diz que certos programadores não conseguem aprender certas coisas. Smalltalk e Lisp exigem um esforço que muitos programadores não querem fazer ou não podem fazer. Eu não imagino a multidão de programadores PHP e ASP que jamais conseguiram estruturas seu código aprendendo essas linguagens. E isso não por falta de oportunidade. Terceiro, porque ferramentas não fazem verão. O Allegro Lisp, por exemplo, é um IDE basicamente idêntico ao Delphi com amplo suporte sintático e semântico aos detalhes do Lisp. Mas é muito difícil alguém pensar no mesmo para fazer uma aplicação desktop.

    Assim, para resumir essa longa resposta, eu acredito que o uso de linguagens não-convencionais vai aumentar bastante, mas não o suficiente para torná-las linguagens de uso diário.

    Sobre o Seaside, alguma coisa em particular?

    Quanto ao segundo comentário, eu acho que eventualmente, todo programador interessado em evoluir suas habilidades acaba chegando ao Lisp, Smalltalk, Scheme, Haskell e similares. É uma progressão natural em busca de maneiras mais eficientes de representar aquilo que sua mente está percebendo como soluções.

    Isso acontece pelo fato natural de que muitas linguagens possuem sintaxe e semântica fechadas, sem possibilidade de extensão natural. Como você, sendo programador, está evoluindo constantemente, a linguagem é uma eventual barreira porque começa a ficar limitada para o tipo de representação estrutural que você está procurando.

    Ruby é uma resposta intermediária: uma linguagem que é suficientemente customizável para antender as demandas da maior parte dos programadores sem exigir uma sintaxe extrema. Lisp é uma resposta completamente genérica que exige uma grande compromisso mas paga bem no final. Smalltalk, bem, Smalltalk é o estado da arte. :-)

    Por fim, sobre o terceiro comentário, esse texto está nos meus bookmarks desde sempre. Preciso parar e ler. :-)

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