Há assuntos que despertam reações fortes–para dizer o mínimo.
Dez dias atrás, eu escrevi sobre a novela do traffic shaping por parte dos provedores de banda larga, comentando que eu prefiro essa limitação do que outra pior, a da franquia. Desnecessário dizer, sempre há alguém para interpretar mal o que você diz e partir para a apelação.
Dois dias atrás, escrevi sobre a ironia de que produtos tão conhecidos como Google Docs e Google Reader usem as boas a velhas tabelas para compor seu layout quando a técnica atualmente conhecida como tableless já está tendo uma aceitação suficiente no mercado para que mesmo clientes geralmente agnósticos quanto a tais assuntos a reconheçam a prefiram.
Eu não pretendo dizer porque o Google faz isso–imagino que tenha a ver com a eterna busca de velocidade da interface por parte da empresa–como evidenciada pelo código compacto e geralmente ilegível que ela usa, mas isso não é o importante.
O C. E. Lopes fez um comentário, na minha opinião bem válido, defendendo a posição do Google, citando alguns motivos para tais. O Diego, respondeu pelo Tableless, em uma réplica bem explicada com motivos e refutações para os argumentos do Lopes. Tanto o comentário quanto a resposta são um exemplo de como assuntos devem ser tratados por partes que discordam. Infelizmente, esse não foi o caso de outros comentaristas que preferem atacar sem ao menos ter lido e entendido o ponto original ou partem para um ad hominem desnecessário.
Eu acho que discussões podem ser conduzidas sem necessidade desse tipo de comentário, mesmo que as duas partes estejam fortemente convencidas de opiniões contrárias. Eu não acredito, como já disse anteriormente, em códigos de conduta fixos, mas sei que o meio escrito é um tanto ou quanto opacos a certos tipos de expressões e um grau de tolerância é necessário nas discussões. Não há como pesar tudo.
Isso tudo dito, não quero dizer que sou imune. Mas, qualquer hora em que eu me der ao luxo, caros leitores, fiquem à vontade para dar uma martelada. Prometo me retratar imediatamente.
