A batalha da Web foi vencida

August 9th, 2007 § 12 comments

Todo mundo sabe que o Firefox provavelmente nunca vai atingir os números do Internet Explorer, não é? Quantas mãos levantadas eu estou vendo?

A grande batalha entre o Firefox e seu competidor do eixo do mal não vai muito bem, de acordo com o que o Cardoso escreveu hoje no Meio Bit. Enquanto o Internet Explorer subiu modicamente, o Firefox sofreu uma queda significativa, descendo quase 1% (o que é muito para a rapozinha, em números totais), revertendo a tendência de crescimento anterior.

Eu sou pessimista por natureza. Essa queda, considerada globalmente, poderia ser vista como um indicativo de que o Firefox está finalmente chegando à saturação do seu mercado primário. E como o próprio Cardoso aponta, a taxa de adoção final do mesmo sempre foi comparativamente baixa, independentemente do que acontece com o Internet Explorer.

Desde que o Firefox se tornou usável, eu já convenci dezenas de pessoas a trocar o Internet Explorer por ele, escolhendo algo que é mais seguro e mais interessante. Gostaria que fossem mais, mas como o Firefox ainda não vem com nenhuma distribuição Windows, isso é muito complicado.

Voltando ao pessimismo, a situação parece a mesma de vários anos atrás: avanços minúsculos tentando vencer um monstro. Mas, eu parei para pensar e me lembrei de um artigo que eu escrevi aqui há quatro anos atrás, falando sobre o futuro dos navegadores Web.

Naquela época, a Microsoft reinava suprema com o Internet Explorer 6 e, para todos os propósitos práticos, decidira não melhorá-lo, fazendo somente correções eventuais de segurança. A dominância do Internet Explorer era tal, como a maioria dos desenvolvedores deve se lembrar, que a Microsoft era a Web, por assim dizer.

E então, a ficha caiu. O Firefox venceu a batalha pela Web. O que quer que se diga sobre o assunto, quaisquer que sejam os números apresentados, o fato é que hoje, desenvolvedor para o Firefox e desenvolver para o Internet Explorer é quase a mesma coisa.

Existem, é claro, diferenças de implementação resultando de anos de diferenças de compatibilidade, mas, para a maioria dos sites, você pode despejar o Ajax mais pesado que desejar e os vários navegadores se comportaram basicamente da mesma forma. O mesmo para o CSS.

Entre 2003 e 2005, tudo o que se falava sobre design Web era quais os hacks CSS necessários para fazer as páginas funcionarem no Internet Explorer e nos outros navegadores. Hoje, eles ainda são usados, mas em um medida tão menor que quase chegam a ser irrelevantes.

O Firefox cumpriu o seu papel de forçar a mão na Microsoft, removendo a possibilidade da estagnação e a grande falta anterior de inovação. E ele continua a liderar nesse sentindo, abrindo o palco para a Web como uma plataforma muito mais rica.

Com o aumento do uso de navegadores móveis as oportunidades estão crescendo. O Opera pode não chegar perto dos outros concorrentes do desktop, mas é o mais usável para dispositivos portáteis. O WebKit é muito bom, mas precisa melhora também. E o Firefox está se movendo nessa direção agora. A Microsoft, com suas limitações de plataforma, passa longe nesse sentido.

A batalha pela Web foi vencida, e não pela Microsoft. Não importa que os números do Firefox não cresçam tanto ou que flutuem. O balanço será mantido enquanto houver evolução e ninguém sabe o que o futuro reserva–pelo menos por enquanto.

E vocês, o que acham: existe ainda o risco de que o Firefox desapareça?

§ 12 Responses to A batalha da Web foi vencida"

  • Se depender de mim o firefox reinaria absoluto tendo como concorrente somente o Opera, quero que o IE morra, mas por outro lado estava fazendo um estudo comparativo que pretendo postar no blog essa semana ainda que me apontou um alto consumo de memória por parte do FF, algo em torno de 170 a 190 MB contra 34 a 40 mb do IE, claro que isso não é justificativa, mesmo com essa diferença não abro mão do FF.

    Creio eu que essa fatia do mercado do FF é composta por geeks, nerds, desenvolvedores e bloggers e possivelmente uma combinação dos 4, sendo dificil para o usuário comum aceitar com facilidade o FF.

    Na minha opinião não desaparecerá devido a comunidade bem firmada e usuários fiéis conquistados.

    Abraços Ronaldo

  • Rapha says:

    O firefox talvez tenha ganhado a batalha sim. Olhe o IE7 e todas as suas features semelhantes ao FF (e o Opera). Se hoje a MS implementa o CSS um pouco melhor, pode ser pelo fato de que uma pessoa faça um site que não funcione no IE, mas funcione no FF, ao contrário do passado quando as técnicas proprietárias da MS eram regra.

    😀

    []s

  • Walter Cruz says:

    Saiu uma frasesinha errada! “A batalha pela Web foi vencida foi vencida”. No mais, eu compartilho um pouco do seu pessimismo. Nunca achei que o Firefox fosse dominar o mercado. Mas só o fato de os padrões web serem algo próximo de um padrão de facto já é surpreendente. E que isso tenha sido impulsionado não por empresas, mas por software livres e pessoas é muito bacana.

    (Ah! O Epiphany, do Gnome, nas próximas versões, poderá usar alternativamente o webkit como motor!)

    Mas agora, você criou um neologismo bacana, a ‘distribuição Windows’.. Vem com código fonte? 😛 Heehehe.

  • Para mim o Firefox venceu e não morrerá!

  • TaQ says:

    “Desaparecer” é uma coisa bem exagerada. :-)

    Eu acredito que mesmo que um dia isso aconteça, SE acontecer, vai ser a favor de outro navegador melhor ainda, e eu sou suspeito de falar, não vai ser “aquele um”, até por que eles estão correndo SIM atrás do prejuízo.

    Pensando sobre o fato dos não-geeks estarem divididos, me levanta um questionamento se eles desistem por causa da qualidade, da interface ou da preguiça “default” – e antes que me queimem na cruz, de total direito – do ser humano em tirar a bunda da cadeira para conhecer alguma coisa nova que poderia trazer vários ganhos se fossem gastos alguns minutos a conhecendo. Enfim, cada um, cada um.

    O que foi um ganho de fato é que foi criada concorrência para uma “coisa” que enfiava guela abaixo, e ainda enfia, muita porcaria para quem precisa fazer alguma coisa mais decente. Levante a mão quem não pena mais do que deveria para escrever um site que funcione em todos os navegadores mais um. Sim, acabou virando mais um, a exceção. E ainda tem míope que desenha site somente para esse “um”. Argh.

    Aqui mesmo na empresa, utilizamos qualquer outro navegador menos “aquele um” para acessar os sistemas internos. Antes de alguma pregação religiosa, a minha afirmação – sintam-se livres para discordar – é que se escreve muito menos código, consequentemente a manutenção fica bem mais fácil, se não ficar usando os “hacks” ou as redundâncias “daquele outro”.

    Para os sites para o público externo, lógico, essas mandingas tem que ser utilizadas, afinal, não vou ficar aporrinhando um pessoal que *talvez* não vai estar dando lhufas para essas questões, mesmo que estejam gastando alguns bytes desnecessários a mais para visitar o site. Mas não deixo de por um bannerzinho do Firefox. 😉

    Agora é engraçado. O Cardoso escreve com altas doses de sarcasmo sobre tudo o que não se relaciona à Microsoft. Como eu praticamente me enquadro no sentido inverso, até que não posso falar nada, mas … sei lá. 😉

  • jao says:

    você já considerou que muitas pessoas que usam firefox no windows, acabam usando o iexplore eventualmente?

  • Diogo says:

    O FireFox tem uma base fiel de usuarios, e em breve(?) lança o FF3, e usuario de firefox é quase certo de atualizar.

    E acho que quem trabalha com tecnologia sempre vai querer usar o navegador que lhe proporcione melhores recursos.

    E também que usuario da raposa não são retrogrados, nao voltam ao IE, pelo menos nao conheço ninguem que use o FF volte.

  • Luiz Rocha says:

    Uma vez passada a hype inicial em cima do Firefox, entramos em um momento de estabilidade e de crescimento contínuo.

    Sim, o Firefox está mais vivo do que nunca e basta baixar o alpha do Gran Paradiso para ver que ele continua num ritmo muito bom de desenvolvimento.

    O que acontece é que, na época do Phoenix/Firebird e os primeiro releases do Firefox (1.0 ~ 1.0.4), era tudo novidade. O navegador era mais rápido que os outros e trazia algumas novidades bacanas.

    Agora, o ritmo de adoção caiu porque as novas funcionalidades ainda não são adotadas pela grande massa, seja de desenvolvedores ou usuários.

    O Firefox tem um sistema de plugins fora de série. Isso é um tremendo benefício, mas quase sempre relevado. Tem um bom suporte a SVG, também relevado (até pelos desenvolvedores web2.0 – acho que SVG vai ser na web 3000 só).

    E graças à adoção de poucos por cento, projetos como o Tamarin e o IronMonkey estão sendo elaborados e desenvolvidos.

    Talvez a melhor maneira de medir o sucesso do Firefox, no momento atual, não é mais por headcount, e sim pelo número de coisas novas que ele traz e ajuda a melhorar a Web.

    Mas posso estar viajando. Hoje é um daqueles dias.

  • Marco Gomes says:

    Você disse exatamente o que o Asa (da Fundação Mozilla) nos disse no encontro de usuários Mozilla Firefox em Sampa: Essa foi a primeira e única vez em que um produto conseguiu tomar o monopólio da Microsoft.

  • Ronaldo says:

    Aguinelo, agora que o IE está sendo atualizado, eu não me importo que ele exista. O problema é algo que fique travando a evolução da área. È bom ter competição sem monopólio porque é só assim que há progresso, como o próprio IE demonstrou.

    Sobre o consumo de memória do Firefox, ele é um monstrinho mesmo. O que eles precisavam fazer é dedicar uma versão inteira a resolver o máximo de problemas nessa área. O problema é que memória hoje é tão farta que tem gente que nem lembra dos que ainda estão usando 128/256MB ou menos.

    Rapha, pois é. Essa foi a maior vitória. O dia em que a Microsoft corriu o box model foi provavelmente o dia mais importante na história recente da Web. :-)

    Walter, frase corrigida no dia, resposta atrasada. :-) Sobre o pessimismo, eu vivo com medo que algo aconteça com o Firefox. Apesar de todas as salvaguardas, ainda há uma vulnerabilidade. A Microsoft continua a agir monopolisticamente em várias áreas e o Firefox precisa de ser mais do que geek para continuar.

    É bom que o WebKit também esteja indo para a frente: mais opções e menos problemas.

    Ah, e código fonte da distribuição Windows só quando vaza. :-)

    Rafael, amém!

    TaQ, o “desaparecer” foi para forçar o ponto. 😉

    Eu concordo que as chances são baixas hoje, embora sempre haja uma ponta de medo lá no fundo porque o monopólio vai de vento em popa. Mas estamos com certeza bem melhor hoje do que alguns anos atrás.

    Eu não sei se concordo com o argumento preguiça, porque já vi muita gente fazer a transição e os dois são suficientemente parecidos para não ter muita importância hoje. Vejo dois problemas maiores hoje: sites incompatíveis, que fazer a pessoa achar que o Firefox é inferior (reação básica) e re-instalações. Se você não está lá para por o Firefox, o IE vira padrão.

    Pelo menos as versões mais recentes estão sendo muito bem-recebidas pelo pessoal que eu ajudo. Com esses novos computadores com Ubuntu, a coisa está ficando cada vez melhor. Espero. :-)

    Jao, sim. Eu mesmo uso, inclusive, por desenvolvimento. Essa também é minha experiência com outras pessoas, principalmente por causa dos sites que não funcionam. Não sei como isso afeta o recolhimento das estatísticas, porém, se o pessoal levou em conta isso.

    Diogo, eu conheço vários usuários comuns que voltaram por razões diversas. Sites de banco que usavam o tempo todo e que não funcionavam; sites incompatíveis; reinstalações; etc. Não tenho como culpar porque é chato ficar pulando de programa em programa.

    Talvez o Firefox tenha que ser embutido no currículo escolar. :-)

    Opa, Luiz, ainda não baixei o alpha 3. Tenho que experimentar.

    Concordo com você que estamos em um momento de estabilidade. A estatística citada é global, mas não sei se leva em conta o crescimento forte do Firefox na Europa que pode se tornar irreversível. Eu só fico preocupado com os grandes golpes de monopólio, sempre à espreita.

    O sistema de plugins realmente é muito bom, mas opaco. Talvez seja o caso de distribuir o Firefox com várias extensões pré-instaladas e bem-configuradas para que o usuário sinta a diferença. Uma coisa é desenvolvedor, outra é usuário final.

    O Tamarin pode realmente ser uma outra força principalmente com a enorme adoção do Ajax. Isso forçaria a Microsoft mais uma vez, o que é sempre bom. Aí valeria contar por características e, se o balanço for mantido, faria sentido fazer a contagem dessa forma. Boa sacada. Eu não tinha pensado nisso. :-)

    Marco, legal saber disso. E principalmente por saber que foi uma coisa movida a usuário.

  • TaQ says:

    Ronaldo, acredite ou não, mas já ouvi mais de umas duas pessoas dizendo que não queriam usar pois “não sabiam onde ficavam as coisas nele” … mesmo que as coisas tivessem o mesmo nome e posições bem parecidas! :-p

  • Ronaldo says:

    Eu acredito. :-) Só não sei se concordo que isso é um motivador principal. Eu acho que é mais uma questão de deslocamento/intimidação com a diferença nesse ponto, você não acha?

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