Aqui está a segunda via da sua conta de informação

August 15th, 2007 § 5 comments

Eis um idéia maluca: em tese, o governo é responsável por prover algumas necessidades básicas para os governados, como segurança, educação, bem-estar, etc. De fato, como reconhecem as constituições mais decentes, o governo só existe para isso, para manter em movimento o maquinário que distribui estas necessidades.

Agora, atualmente, embora ainda não tenhamos chegada a esse ponto, uma das coisas que se tornará uma necessidade básica de qualquer cidadão é poder computacional e armazenamento. Hoje, existem soluções–como em qualquer mercado–prontas para disponibilizar isso a um custo relativamente moderado. Mas, com a distribuição de informação e o crescimento de interconectividade, isso pode passar a ser uma coisa que deve ser dada a qualquer pessoa pelo governo por não haver a possibilidade de gerenciar um estado de outra forma.

Isso envolve também acesso a essa informação de maneira transparente, algo que teria que ser proporcionado como parte básica da infra-estrutura também. Algo comparável é água e energia, que são indiretamente garantidos, mas que requerem um pagamento fixo para um suprimento constante. Embora estejam–mais uma vez, direta ou indiretamente–sob a mão do governo, há um custo repassado.

Em um mundo onde a maioria das transações pode e tende a acontecer mais e mais em uma plano que por definição é extremamente permeável, uma política de tratamento da relação governo-informação-cidadão seria algo bastante complexo. Se eu não confio em outras empresas para fazer isso, vou confiar no governo? Existem muitas razões pelas quais backdoors poderia ser construídas em um sistema assim.

A escrita está na parede, de certa forma. E só uma questão de tempo, segundo alguns. O que leva à questão: como uma agência governamental gerenciaria tais recursos?

§ 5 Responses to Aqui está a segunda via da sua conta de informação"

  • Luiz Rocha says:

    O que leva à questão: como uma agência governamental gerenciaria tais recursos?

    Mal prá diabos.

  • Não dá idéia! daqui a poucos teremos até “agência reguladora” para acompanhar se os cidadão estão recebendo sua cota de inforação a contento :-)

    []’s

  • Ronaldo says:

    Luiz, infelizmente. :-)

    Sérgio, o pior é que com esse momento de projeto de deputados sem noção, acho que eu estou é atrasado…

  • Pára, pára… pára enquanto é tempo.

    A idéia não é apenas maluca, é suicida. Péssima idéia, horrivel, assustadora.

    Deixa o governo fora dessa, pelo amor de Deus.

    Separacao entre estado/controle da informacao é tao importante quanto (eu particularmente acredito que seja até mais importante) que se ter um estado laico.

    Se hoje as opcoes para hospedagem, processamento e acesso sao sao tao variadas e a um preco relativamente bom, pode esperar que a tendencia é ficar ainda melhor e com mais alternativas… nao gracas a politicas publicas ineficientes e concentradoras de poder obviamente. Gracas sim, aos avancos tecnologicos que só um mercado competitivo consegue trazer.

    Não tente consertar o que nao está quebrado, especialmente se a solucao requer uma camada extra de burocracia, corrupcao e incompetencia. Entre se ter os servicos basicos acessiveis a um preco baixo ao maior numero de pessoas possivel e com o maior número possível de diferentes fornecedores, versus nivelar por baixo “dando de graca” para todos e pagando com o cerceamento da liberdade, eu fico com o primeiro.

    Pagar a conta do servidor no fim do mês nao é agradavel, ninguem gosta, assim como ninguem gosta de pagar por gasolina, aluguel, agua, luz, telefone, colegio das criancas e etc. Mas é vital para a manutencao da democracia e para a propria sobrevivencia da raca humana, que se mantenha a responsabilidade do lado dos individuos e nao de um grupo de planejadores sociais megalomaniacos.

  • Ronaldo says:

    O problema, eu acredito, não está nem na distribuição de uma infra-estrutura assim: está mais no problema político que é uma parte indissociável do mundo moderno.

    Se, e quando, houver uma economia de pós-escassez, isso pode se tornar algo válido. Até porque tira da mão do usuário a garantia de informação. Eu nem imagino quanto zilhões de dólares são perdidos no mundo anualmente por causa da mera falta de backups (seja de dados ou de infra).

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