Ubuntu na frente

August 15th, 2007 § 2 comments § permalink

E o Ubuntu parece ter se confirmando como uma distribuição dominante no mercado: a pesquisa de compatibilidade de hardware do BR-Linux registra até agora sempre resultados maiores de resposta no Ubuntu.

Das duas umas: ou o pessoal que usa Ubuntu é mais animado, ou ele está sendo mais usado no geral que as outras distribuições. Fico com a segunda opção.

Dreaming in Code

August 14th, 2007 § 7 comments § permalink

Dreaming in Code é um livro sublime. Escrito por Scott Rosenberg, um dos fundadores do Salon, o livro é ao mesmo tempo uma tentativa de cronicar o projeto Chandler e responder a maior questão do desenvolvimento de aplicações: por que desenvolver é tão difícil?

Como seu próprio sub-título diz, o livro é a história de duas dúzias de programadores, três anos, 4.732 bugs, e uma busca por um software transcendente.

Quem trabalha no ramo há mais tempo deve se lembrar do auspicioso começo do projeto Chandler, nos idos de 2001. Chandler é um gerenciador de informações pessoais e tinha o objetivo ambicioso de resolver de uma vez por toda o problema de organização das informações combinadas que uma pessoa precisa no seu dia a dia.

O projeto despertou um enorme interesse na época por uma combinação de fatos que pareciam destiná-lo a um sucesso rápido e permanente: era um projeto de código aberto, bancado quase que completamente por Mitch Kapor–que fizera fama e dinheiro com o Lotus 1-2-3 e tinha o necessário para investir pesadamente em um projeto assim–e com uma lista de características que prometia revolucionar a área.

Em 2003, chegou a ser chamado pela Wired de um Outlook Killer e o lançamento de suas primeiras versões foi tão ou mais aguardado do que uma nova versão do Windows.

Hoje, seis anos depois do lançamento do projeto, ainda não passa de uma versão alpha com somente a parte de calendário utilizável.

O que Scott Roseberg faz em em seu livro é documentar três anos da história do projeto, mostrando a extrema dificuldade de transformar a idéia de Mitch Kapor em realidade e quais são as lições que essas dificuldades implicam. Rosenberg abre as cortinas por trás de um projeto de código aberto que tinha tudo para dar certo e cujo sonho ainda permanece elusivo. E por trás de cada evento narrado, cada comentário feito, a grande questão: porque desenvolver algo utilizável é tão complicado?

Misturando-se à narrativa linear do projeto, Rosenberg faz uma análise extensiva do indústria de software, mostrando que desde os seus primórdios, nenhuma evolução ou revolução da área conseguiu responder a questão.

O livro, nesse sentido, é uma verdadeira aula de história do campo, passando pelos mainframes, cruzando a fronteira da computação pessoal, subindo ao nascimento da Web e descendo daí até os dias atuais com o mercado dominado por start-ups que duram menos tempo do que suas idéias. No caminho, sistemas de hipertexto, NLS e mesmo o Ruby on Rails aparecem para ilustrar um ou outro aspecto da questão.

Eu confesso que enchi o livro inteiro de anotações–sorrindo com os casos compartilhados (Rosenberg tem um talento especial em narrar os fatos e eventos mais relevantes do campo), concordando e discordando com as opiniões propostas. O livro é um verdadeiro diálogo com o leitor, que ao acompanhar o que Rosenberg está escrevendo, não pode deixar de pensar que por mais mecânica que a área seja, o que está em jogo são pessoas, a que são as limitações e o gênio dessas mesmas pessoas é que se traduz no que a área é hoje.

O livro termina com a primeira versão funcional do Chandler e com a questão em aberto. Mas qualquer programador ou analista–e mesmo usuários–termina o livro sentindo que existe uma beleza por trás do código e que sistemas não são algo frio e meramente funcional, mas uma representação da complexidade que transformar esse mesmo código em algo transcendente, algo além de meros sinais em um circuito.

Preview do Ruby IDE da CodeGear

August 14th, 2007 § 3 comments § permalink

Via lista rails-br, um vídeo preview do IDE para Ruby e Ruby on Rails da CodeGear (Borland).

Decepção seria a palavra que melhor descreve o vídeo, considerando que o IDE mais parece um rip-off do Aptana/RadRails. Tudo bem que qualquer um é livre para criar algo sobre o Eclipse, mas eu esperava mais da Borland–na verdade, eu esperava algo na linha do NetBeans mas focado especificamente em Ruby. A Borland sempre foi uma líder nessa área, mas o que parece é que a pressa de colocar algo em produção está motivando a versão do vídeo. O Eclipse é um excelente IDE, mas o JBuilder baseado no mesmo é muito inferior às versões anteriores (na minha opinião, é claro).

Espero que saia alguma coisa boa daí, embora o Aptana provavelmente leve uma vantagem final considerando o preço usual das ferramentas da Borland.

Syx

August 14th, 2007 § 7 comments § permalink

Descobri hoje uma nova implementação do Smalltalk chamada Syx. O projeto parece estar bem avançado, rodando em várias plataformas e com uma implementação bem completa do padrão Smalltalk-80.

Pelo que deu para perceber do que está documento do site, o foco principal é a simplificação do Smalltalk para desenvolvimento com scripting e integração com o sistema operacional. Esse é um foco muito bom na minha opinião, porque é geralmente a maior limitação das demais implementações. E com o fim do Dolphin Smalltalk, a melhor implementação Windows anterior, um espaço ficou vazio.

Outro ponto interessante, percebido nos scripting é que já há uma preocupação com a possibilidade de construção de interfaces gráficas de uma maneira mais tradicional. Isso é muito importante para a disseminação de qualquer linguagem de programação.

No geral, parece um esforço organizado e ativo. Se o projeto continuar, vai ser um bom ganho para a comunidade de linguagens dinâmicas.

Serendipidade

August 13th, 2007 § 0 comments § permalink

Estava lendo Dreaming in Code, de Scott Rosenbert (aliás, livro fantásico–escrevo mais sobre ele amanhã) e me deparei com uma passagem onde o autor conta sobre o relacionamento entre o Chandler e o Firefox. Rosenberg esta falando sobre conseqüências não-intencionais de certos desenvolvimentos e escreve o seguinte:

Some observers already credit Chandler with one major unintended consequence. According to this view, it makes little difference whether Chandler ever becomes a useful program or achieves any of its original goals; what matters is that in building his open source organization, Kapor got to know Mozilla’s Mitchell Baker, and when AOL/Netscape decided to stop supporting the open source browser, he was in the right place at the right time to help rescue it, midwife the birth of the Mozilla Foundation, and set Firefox on its successful trajectory. As I write, Firefox has come from nowhere to win more than 212 million downloads as this book goes to press). Its competition has forced Microsoft to revisit its long-fallow Internet Explorer product and get back into the business of browser development, with a payoff for Web users everywhere. (Ênfase minha)

É impressionante pensar que uma simples coincidência tenha transformado tanto a Web. É claro que isso acontece o tempo todo e, na maior parte das vezes, nem percebemos. Mas quando a nossa atenção é chamada, a sensação é bem estranha.

Um outro detalhe é que Rosenberg concorda que o Firefox venceu a batalha pela Web. Mais um motivo para gostar do livro. :-)

Duas coisas que me fizeram rir hoje

August 13th, 2007 § 2 comments § permalink

  1. Cópia descarada
  2. Arqueólogo da computação

O brilho eterno das linguagens relembradas

August 9th, 2007 § 6 comments § permalink

Mais um anúncio, se vocês ainda não se cansaram.

No próximo dia 18, eu vou participar da rodada de palestras que o Carlos da e-Genial está provendo sobre vários tópicos de interesse da comunidade de desenvolvimento. Serão oito palestras com uma hora de duração cada e mais minutos de perguntas pelos participantes.

A minha palestra será sobre linguagens de programação, falando sobre o passado, o presente e o futuro provável das mesmas. A idéia é ver um pouco da evolução da área, falar dos desafios atuais e como aproveitar esses desafios em sua carreira, e pensar um pouco sobre os próximos paradigmas e revoluções.

A horário pode ser um pouco fora para muitos, mas se você não tem nada para fazer no dia e tem interesse sobre o assunto, não deixe de participar. Abaixo está a grande completa do evento, que conta com palestras bem interessantes.

Web Semântica com Ruby on Rails

Aplicações e Sites mais inteligentes, aprenda como ela está mudando os processos de indexação, editoração e recuperação da informação.

Palestrante: Charleno Pires
Horário: 09:00 às 10:00

XP + Rails = Produtividade ao extremo na web

Projeto Lucidus: Desenvolvendo aplicacoes web com maxima produtividade usando Extreme Programming e Ruby on Rails

Palestrante: Vinícius Manhães Teles
Horário: 10:10 às 11:10

Ruby off Rails: O outro lado da moeda

Um overview da aplicabilidade da linguagem em ambiente de telefonia IP(VoIP), desempenho, restrições, padrões, deploy, etc. Finalizando com estudo de casos dos projetos abertos RubyGhostEngine(rghost) – Document Builder, RailsTree, JsDOMenu e outros projetos futuros.

Palestrante: Shairon Toledo
Horário: 11:20 às 12:20

O que há de novo no Flex 3?

Veja todas às novas funções que o Flex 3 pode oferecer e tire proveito disso.

Palestrante: Igor Costa
Horário: 13:30 às 14:30

Desenvolvimento orientado a componentes

Entenda o modelo de desenvolvimento de componentes do Adobe Flex

Palestrante: Beck Novaes
Horário: 14:40 às 15:40

Flex nas empresas

Uma nova roupagem para o velho

Palestrante: Rogério Oliveira (Sócio Diretor da Zellen)
Horário: 15:50 às 16:50

Rails Stand-Alone

Introdução a Slingshot e acts_as_replica

Palestrante: Fábio Akita
Horário: 17:00 às 18:00

Linguagens de programação: passado, presente e futuro

O que você deve saber sobre linguagens de programação e como elas impactam o seu desenvolvimento e carreira; quais são às prováveis linguagens do futuro e como fazer às melhores escolhas; ambientes multi-linguagem e produtividade; o passado no futuro: ressurgência de temas; paradigmas e produtividade; a próxima grande revolução.

Palestrante: Ronaldo Ferraz
Horário: 18:10 às 19:10

A batalha da Web foi vencida

August 9th, 2007 § 12 comments § permalink

Todo mundo sabe que o Firefox provavelmente nunca vai atingir os números do Internet Explorer, não é? Quantas mãos levantadas eu estou vendo?

A grande batalha entre o Firefox e seu competidor do eixo do mal não vai muito bem, de acordo com o que o Cardoso escreveu hoje no Meio Bit. Enquanto o Internet Explorer subiu modicamente, o Firefox sofreu uma queda significativa, descendo quase 1% (o que é muito para a rapozinha, em números totais), revertendo a tendência de crescimento anterior.

Eu sou pessimista por natureza. Essa queda, considerada globalmente, poderia ser vista como um indicativo de que o Firefox está finalmente chegando à saturação do seu mercado primário. E como o próprio Cardoso aponta, a taxa de adoção final do mesmo sempre foi comparativamente baixa, independentemente do que acontece com o Internet Explorer.

Desde que o Firefox se tornou usável, eu já convenci dezenas de pessoas a trocar o Internet Explorer por ele, escolhendo algo que é mais seguro e mais interessante. Gostaria que fossem mais, mas como o Firefox ainda não vem com nenhuma distribuição Windows, isso é muito complicado.

Voltando ao pessimismo, a situação parece a mesma de vários anos atrás: avanços minúsculos tentando vencer um monstro. Mas, eu parei para pensar e me lembrei de um artigo que eu escrevi aqui há quatro anos atrás, falando sobre o futuro dos navegadores Web.

Naquela época, a Microsoft reinava suprema com o Internet Explorer 6 e, para todos os propósitos práticos, decidira não melhorá-lo, fazendo somente correções eventuais de segurança. A dominância do Internet Explorer era tal, como a maioria dos desenvolvedores deve se lembrar, que a Microsoft era a Web, por assim dizer.

E então, a ficha caiu. O Firefox venceu a batalha pela Web. O que quer que se diga sobre o assunto, quaisquer que sejam os números apresentados, o fato é que hoje, desenvolvedor para o Firefox e desenvolver para o Internet Explorer é quase a mesma coisa.

Existem, é claro, diferenças de implementação resultando de anos de diferenças de compatibilidade, mas, para a maioria dos sites, você pode despejar o Ajax mais pesado que desejar e os vários navegadores se comportaram basicamente da mesma forma. O mesmo para o CSS.

Entre 2003 e 2005, tudo o que se falava sobre design Web era quais os hacks CSS necessários para fazer as páginas funcionarem no Internet Explorer e nos outros navegadores. Hoje, eles ainda são usados, mas em um medida tão menor que quase chegam a ser irrelevantes.

O Firefox cumpriu o seu papel de forçar a mão na Microsoft, removendo a possibilidade da estagnação e a grande falta anterior de inovação. E ele continua a liderar nesse sentindo, abrindo o palco para a Web como uma plataforma muito mais rica.

Com o aumento do uso de navegadores móveis as oportunidades estão crescendo. O Opera pode não chegar perto dos outros concorrentes do desktop, mas é o mais usável para dispositivos portáteis. O WebKit é muito bom, mas precisa melhora também. E o Firefox está se movendo nessa direção agora. A Microsoft, com suas limitações de plataforma, passa longe nesse sentido.

A batalha pela Web foi vencida, e não pela Microsoft. Não importa que os números do Firefox não cresçam tanto ou que flutuem. O balanço será mantido enquanto houver evolução e ninguém sabe o que o futuro reserva–pelo menos por enquanto.

E vocês, o que acham: existe ainda o risco de que o Firefox desapareça?

Coraline

August 8th, 2007 § 1 comment § permalink

Que eu sou fã dos livros do Neil Gaiman, eu não escondo. Mesmo os livros dele que são considerados infantis dão uma leitura deliciosa. Coraline, que eu acabei de ler, não é exceção.

O livro é primariamente escrito para crianças, mas como Gaiman coloca em algumas notas finais na edição que eu tenho, ele ficou surpreso ao perceber que o livro gerava um senso de aventura em crianças e causava pesadelos em adultos.

Eu ainda não dormi depois de ler Coraline–e espero não ter os pesadelos invocados–mas tenho certeza de que Gaiman está certo. O livro é ao mesmo tempo inocente e assustador, evocando aquela coragem que vence o sentimento de impotência de uma criança diante de um mundo escuro que pode ou não ser real.

Coraline é a estória de uma garota–crescida além de seus anos–que, ao mudar-se com os pais para uma antiga casa dividida em várias residências, descobre uma porta que dá para uma parede. A parede, por sua vez, dá para uma das outras sub-residências que está vazia. É claro que não demora muito para que Coraline descubra que a porta leva a outro lugar e se veja envolvida em acontecimentos que, embora aventurosos, são também mortais.

Gaiman nos dá uma Coraline completamente formada com a qual podemos nos identificar–mesmo como adultos–e um conjunto de caracteres de suporte que, se não são tão realizados, contém a mágica do que Gaiman sempre escreve. Dos vizinhos estranhos ao gato companheiro, a estória passa por ambientes de encanto e amedrontamento.

A única coisa que eu tenho contra a estória é que ela é curta demais. Como é usual com Gaiman, recomendo fortemente.

Sugestões de bolsa/mochila para notebook

August 8th, 2007 § 16 comments § permalink

Virou mania agora: estou apelando mais uma vez para meus caros leitores. Agora com o notebook novo, preciso de uma bolsa/mochila nova já que a outra estava mesmo precisando de substituição. Só não tenho idéia do que comprar.

Eu quero uma bolsa/mochila que:

  • Não seja pesada demais
  • Tenha muitos bolsos
  • Tenha um bom acolchoamento interno
  • Não seja vistosa demais
  • Dependendo, que possa ser usada com roupas sociais

Eu sei que estou pedindo demais, mas se alguém tiver uma boa dica fique muito à vontade para comentar aqui. Obrigado. :-)

Where am I?

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