Experiências multi-plataforma

October 26th, 2007 § 3 comments

Trabalhando agora com múltiplas plataformas, eu começo a acreditar que essa é uma experiência que todo programador deveria procurar. Eu venho adicionando plataformas ao meu processo há anos: comecei com o Windows, migrei para o Linux há alguns anos, e comecei agora com o Mac.

Por razões de trabalho, mantenho ainda o Windows como uma plataforma de desenvolvimento. Na verdade, o Windows ainda representa 60% do trabalho que eu faço na empresa. O trabalho restante de desenvolvimento é feito no Linux e é no Linux também que acontece qualquer tarefa que não é de desenvolvimento, como elaboração de documentos, diversão, etc. O Mac é usado como plataforma de mobilidade sendo muito parecido com o Linux em termos de desenvolvimento. Eu ainda não tenho certeza se manterei o Mac na próxima vez em que eu precisar de um computador–o Linux é muito mais interessante em vários aspectos–mas é uma boa opção com o preço caindo e com a experiência que estou tendo.

O mais interessante nessa estória toda é a consciência multi-plataforma de desenvolvimento que eu estou ganhando, principalmente no que tange ao desenvolvimento extra-trabalho. Todo e qualquer projeto pessoal que eu estou fazendo é automaticamente moldado pela necessidade de funcionar nas três plataformas que eu uso atualmente. Embora cada uma das plataformas ofereça ambientes específicos muito bons, a minha preocupação agora é fazer com que a experiência final seja similar onde quer que eu esteja.

Obviamente, esse é um grande problema. Há pouco mais de três anos, eu escrevi sobre a dificuldade de escolher uma linguagem e toolkit para esse tipo de tarefa. A situação não mudou muito. Ainda assim, é interessante tentar lidar com as diferenças e procurar algo que não seja um mínimo denominador absoluto. Esse tipo de perspectiva é bastante benéfica tanto em termos práticos–lidar com as diferenças é algo que ensina muito sobre como as coisas são construídas e como problemas podem ser resolvidos–como em termos ideológicos–ajudando a justificar a necessidade de código livre e de ferramentas abertas. O respeito pelo que a Web conseguiu também é algo que fica cada vez mais patente.

O único inconveniente de tantas plataformas é a dissonância cognitiva de lidar com interfaces que, mesmo sendo baseadas no mesmo paradigma, possuem convenções tão diferentes que a mente dá voltas tentando readaptar-se às mudanças súbitas de localização. Memória muscular nesses momentos não conta muito.

Agora é só voltar à dura tarefa de escolher ferramentas que sejam, mesmo que minimamente, capazes de realizar a tarefa de compor algo coerente para essa confusão toda.

§ 3 Responses to Experiências multi-plataforma"

  • Com certeza essa experiência é muito rica para um desenvolvedor de software. Saber transitar, desenvolver e implantar em múltiplas plataformas ainda é um conhecimento raro.

    E, Ronaldo, como está sendo sua experiência com o Mac? Sentiu algum ganho de produtividade?

  • Neto Cury says:

    Acho que é a primeira vez que vejo uma perspectiva tão ampla sobre as mais conhecidas plataformas.
    Mas que deve mesmo dar um nó na cuca, isso deve 😀
    Abração

  • Ronaldo says:

    Lucas, sobre o Mac, há realmente um série de ganhos interessantes que vão desde a instalação do sistema às ferramentas de uso diário. Uma coisa que um desenvolvedor precisa é um sistema que simplesmente funcione. E o Mac é isso. Não há briga nenhuma com o sistema. Eu tinha um uso muito bom do notebook anterior com o Ubuntu, mas sempre há uma ou outra aresta. No Mac ainda não vi isso.

    Neto, hehehe, de quando em quando dá um nó, sim.

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