Avatares, identidades e almas portáveis

October 31st, 2007 § 0 comments

Leitores freqüentes do blog provavelmente se lembrarão da menção que eu fiz à Charles Stross um tempo atrás: “The definition of a real Virtual Reality environment is one where somebody can hold a coup d’etat in it and make it stick in the real world.

Essa citação foi feita no contexto das minhas experiências com o Second Life, onde passei algum tempo brincando com as possibilidade geradas por um ambiente virtual que, mesmo incipiente, já é capaz de gerar um interesse significativo. Obviamente, o Second Life tem um longo caminho a percorrer antes de chegar a um ponto ínfimo do que Stross está descrevendo.

O interessante agora é ver que, a despeito do que se pensa sobre a utilidade ou não do Second Life, o desenvolvimento de tecnologias acessórias está acontecendo. A notícia já é um pouco velha, mas é curioso ver empresas se movimentando para criar um padrão de portabilidade entre avatares. A princípio, essa é uma notícia que tem uma única conclusão possível: portabilidade significa mais eyeballs e eyeballs significam mais retorno financeiro.

Crentes da Singularidade provavelmente diriam que esse é um dos primeiros passos para um futuro pós-humanista. Exagero? Talvez–mesmo dentro de um contexto de evolução tecnológica desenfreada. O que na verdade, é um pouco dúbio. Afinal de contas, o que caracteriza a portabilidade de uma pessoa, mesmo que traduzida pelo seu avatar?

Avatares são, é claro, uma pálida reflexão do que se quer criar dentro de um ambiente assim. Imersão ainda é um pipe dream dentro da comunidade virtual mas tecnologias não param de aparecer que, se combinadas, podem mudar essa realidade (com perdão do trocadilho).

Um tópico que sempre me interessou dentro dessa arena é a questão do que realmente define a identidade de uma pessoal. Apenas memória mais experiência ou há um quê indefinível que não pode ser reproduzido ou transmitido–algo que nós poderíamos, inclusive, chamar de alma. Eu me lembro de discussões infindáveis com amigos sobre teletransporte. Existem duas variações de teletransporte na literatura SF: uma em que o original é destruído e uma cópia chega ao outro ponto; e outra em que há uma real transmissão de dados originais de um lado ao outro. Dentro de ambas as possibilidade, sempre gostávamos de discutir o que isso significa dentro desse contexto (espiritual, digamos assim) de personalidade e identidade. Disso para uma tradução de identidade em avatares reais que podem ser manipulados e liberados de forma independente, não há muita distância.

Esse assunto toda passa por duas gerações de filosofia e ficção psicológica e cyberpunk e é algo que eu nunca me canso de explorar no meu copioso tempo livre. Eu provavelmente não estou fazendo o menor sentido com essas divagações, mas eu não consigo deixar de pensar nas possibilidades eventuais por trás desses desenvolvimentos. É realmente um admirável mundo novo.

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