Minas on Rails, primeira edição, amanhã

November 30th, 2007 § 3 comments § permalink

Lembrando os interessados que a primeira edição do Minas on Rails acontece amanhã, das nove às dezenove. As inscrições ainda estão abertas e vale a pena participar para ouvir vários palestrantes com tópicos muito interessantes sobre o Rails, incluindo o TaQ e o Vinícius Telles.

Para chegar no local, veja o mapa do evento. Se quiser combinar para ir ou pegar carona com alguém, verifique na lista pelas “caravanas” que estão se formando.

Fragilidade 2.0

November 28th, 2007 § 1 comment § permalink

Uma das passagens mais marcantes de Glasshouse, de Charles Stross, é o momento em que o protagonista relembra o seu papel na erradicação do Curious Yellow, uma worm humana responsável pelos períodos de turbulência que antecedem o início da estória.

O Curious Yellow infectava humanos ao passarem por A-gates (arrays nanotecnológicos usados para replicação de qualquer objeto necessário, registro de backups de consciência e outras necessidades médico-tecnológicas da república retratada em Glasshouse), deletando partes específicas da memória dos infectados e usando os mesmos e os A-gates por onde passavam depois como novos vetores.

Em um dado momento da guerra resultante para eliminar a worm, o protagonista se vê na situação de transferir, com seu grupo de combate, dezenas de milhares de humanos para um A-gate atrás de um firewall.

A situação se complica e eles tem que adotar medidas desesperadas. Para isso, eles criam uma estratégia no mínimo não-ortodoxa: eles obrigam os usuários a passam em fila por um checkpoint e, usando uma espada vorpal, decapitam cada um deles, fazendo um backup da consciência dos mesmos no processo e armazenando em um A-gate limpo. Desnecessário dizer, a experiência não faz nada de bem para o protagonista.

Horas depois, com milhares de pessoas decapitadas, o A-gate sofre o equivalente pós-humanista de um kernel panic, tela azul, dê o nome que quiser. Irrecuperável. Vinte mil pessoal mortas sem um backup.

O que mais me impressionou na estória é que, de uma maneira geral, cenários pós-humanistas estão associados a um otimismo inato com tecnologia. Quase todas são uma versão de futuro limpo de Jornada das Estrelas, onde a tecnologia quase sempre funciona e quando há uma execeção basta repolarizar alguma coisa para que tudo volte a ser como antes.

Stross, como qualquer um pode perceber ao ler o seu blog e seus livros, é alguém com um excelente domínio do que está acontecendo hoje no cenário tecnológico. Sua ficção, e de fato a maior parte da ficção científica moderna, não é mais uma exploração dos futuros possíveis, mas uma exploração do que está acontecendo hoje.

Eu não diria que Stross, ao escrever Glasshouse, estava criticando a tecnologia–embora o livro tenha uma abundância de descrições de eventos onde a falha de uma determinada tecnologia tem um papel fundamental. Antes, eu acho que ele estava mais interessado em explorar os cenários de fragilidade impostos por tecnologias restritivas como DRM. Um dos pontos chaves no livro são justamente as conseqüências de dados perdidos por tecnologias fechadas.

Recentemente, em uma discussão sobre a fragilidade atual da Web, eu mencionei que, embora favoreça uma visão otimista do futuro tecnológico, eu não descarto a visão correspondente do que ficou para trás. Já dizia Santayana que “aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo”. Nesse novo boom de aplicações Web, as ditas 2.0, esse erro exato está sendo cometido em uma grande escala. A única coisa que salva é que a vasta maioria das aplicações é uma demonstração da Lei de Sturgeon e, como tal, sem muitas conseqüências.

É irônico como as coisas são esquecidas. Há pouco mais do que quatro anos, uma worm chamada SQL Slammer infectou vinte dois mil sistemas, derrubando um sem número de sistemas e praticamente parando todos serviços de rede de um país. Três anos antes, Code Red infectara quase quatrocentos mil sistemas, trazendo imensos dados à infra-estrutura de então. E nenhum dos dois possuia um payload exatamente letal.

Fragilidade não é algo que será erradicado por mudanças tecnológicas. Cada nova geração traz consigo seus próprios problemas. Isso não significa, é claro, que isso deve ser visto com um fator de limitação. Ao contrário, inovação é fundamental como uma contra-medida aos problemas secundários na disseminação tecnológica.

As maiores questões de fragilidade, inclusive, não se encontram na arena tecnológica, mas na política. É o caso do DRM hoje, por exemplo. Tecnologicamente, DRM é um passo para trás mas a percepção de que o mesmo é valioso o mantém apesar das provas em contrário. E o DRM só existe porque não há nenhuma outra inovação que o torne irrelevante. A questão não é tanto a liberdade quando a remuneração devida.

Uma outra questão política é a isenção duvidosa da maioria dos serviços. Nada é garantido. Ao se ler qualquer termo de serviço atual, as únicas palavras ressaltadas são aquelas que dizem que, em caso de problemas, a culpa é de qualquer outro que não seja a parte responsável pelos serviços. AS IS é o componente primário de qualquer acordo atual e eu me surpreendo que ninguém ainda escreveu um texto com o título “AS IS considered harmful“. Seria um belo testamento à nossa era.

Uma notícia recente menciona uma empresa que transferiu todas suas necessidades de armazenamento e processamnento para o par Amazon S3 e EC2, cujos termos também removem a Amazon de qualquer culpabilidade em casos de perdas por partes dos usuários. Eu fico imaginando o que aconteceria com essa empresa caso a Amazon tenha um downtime inesperado. E a questão aqui não é nem mesmo o uso de AS IS. O mesmo é necessário, mas o que parece é que a percepção disso foi perdida. Eu não imagino que a Amazon tenha a menor intenção de permitir downtime e perdas eventuais. Mas eu fico pensando no dia em que uma worm específica for desenhada para explorar uma eventual vulnerabilidade nos serviços de processamento da Amazon levando a um desastre nas proporções de um Nimda ou Code Red.

Isto é fragilidade 2.0, um novo nível de falta de resiliência que ainda não está sendo explorado pelas novas aplicações. Sempre haverá pontos de falhas, mas reduzi-los é algo que pode e deve ser feito.

Inovações são necessárias no âmbito tecnológico para que barreiras políticas possam ser igualmente removidas. A Internet é um ambiente extremamente resistente, mas a combinação de política e tecnologia pode ser letal em alguns cenários e é importante ter isso em mente ao desenhar o próximo grande passo. Contra-medidas naturais sempre surgiram mas não é preciso ler Bruce Schneier para perceber que ação é mais importante que reação.

Antes que alguém diga que isso é alarmismo, basta olhar para os serviços recentes e pensar não só em sua parte externa mas nas conexões internas e nas dependências. O pior é também o melhor nesses casos e não custa fazer um esforço maior para criar algo belo e resistente.

Sem dinheiro para o resto da cauda longa

November 28th, 2007 § 2 comments § permalink

Os blogueiros correndo atrás da monetização podem tirar o seu cavalinho da chuva. Pelo menos é o que diz um interessante artigo publicado do Read/Write Web. Aliás, se você ainda não assinou o Read/Write Web, assine agora.

Voltando ao artigo, o argumento básico é que a cauda longa dá dinheiro se você puder investir nela mas não se você estiver nela. Em outras palavras, a Amazon ganha dinheiro explorando a cauda longa e o Google também, mas a exploração é sobre você, usuário final dos serviços dos mesmos. É claro que o argumento faz o maior sentido e é também claro que a maioria dos monetizadores nem pensa nisso quando investe um esforço considerável em estratégias cujo porte nunca alcançará um nível suficiente de retorno.

O mesmo vale para investimentos. Se você está pensando em um serviço novo, pense no lado oposto. Oferecer ferramentas individualizadas não funciona. Você precisa partir do geral para o particular nesse caso e explorar o efeito da massa. Embora quem entendeu a cauda longa já está fazendo isso e sabe que está. :-)

De qualquer forma, o artigo apresenta vários pontos em torno do argumento que merecem uma leitura e os comentários também apresentam alguns outros pontos interessantes. Dê uma conferida.

Pirates of Silicon Valley

November 26th, 2007 § 7 comments § permalink

Passei na locadora ontem para ver se havia algo novo e acabei descobrindo que Pirates of Silicon Valley tinha saído em DVD. Eu já conhecia o filme há anos, mas nunca tivera oportunidade de vê-lo anteriormente.

O filme, como a maioria deve saber, narra parte da história do crescimento da Apple e da Microsoft, culminando com a demissão de Steve Jobs e o nascimento do Windows em oposição ao Mac OS. O filme fecha com o anúncio da parceria entre Apple e Microsoft. Segundo o que eu li depois de ver o filme, os fatos mostrados são razoavelmente corretos tendo, na maior parte, acontecido do modo e ordem mostrada no filme.

A representação de Jobs e Gates pelos atores chega a ser amedrontadora, de tão parecidos que ficaram. Noah Wyle chegou a ser confundido com o Jobs em uma apresentação surpresa na Macworld Expo e vendo o filme, não dá para culpar a audiência. As personalidades são retratadas com um bom grau de fidelidade até em relação ao que se vê hoje, com o perfil carismático de Jobs em oposição à timidez mais geek de Gates. Steve Ballmer, que também aparece no filme, é virtualmente idêntico ao que ele mostra na maioria das suas apresentações públicas, com aquele seu perfil de negociante meio insano.

Apesar do fato que o filme pende um pouco para o lado da Apple, mostrando Jobs como intento em uma revolução cultural e Gates mais interessado em dominar o mercado, os dois lados de cada um são mostrados: Jobs como visionário, mas também como alguém cheio de problemas pessoais que afetavam sua atitude na empresa, finalmente levando a uma divisão profunda na Apple; Gates, como um homem de negócio sem piedade, mas com uma visão maior do mercado do que a de Jobs.

O mais interessante, claro, é comparar o filme, que já vai para sete anos, com a posição atual das empresas. Como o filme mostra, uma dos maiores componentes da disputa sempre foi cultural e isso permanece. Enquanto o Windows é algo de massa, a Apple sempre manteve uma distinção mais elitista. Hoje, com o Vista e o barateamento dos Macs, houve uma certa inversão nessa posição (ainda que indireta) mas o grande componente ainda permanece. A Apple está mais forte que nunca, mantendo essencialmente os mesmos valores mas reconhecendo que certas concessões devem ser feitas em uma era onde conteúdo importa mais do que qualquer outra coisa. E a Microsoft tenta hoje se posicionar como passando por uma renovação, procurando ter uma qualidade artística maior.

O fim da disputa ainda não está no horizonte, mas parece que a mesma está esquentando novamente. O resultado, ainda só o futuro é capaz de dizer.

Pão de Cast #5

November 24th, 2007 § 0 comments § permalink

Já está no ar o Pão de Cast #5 – Edição “1.21 gigawatts de geekness”. Se você gostou dos primeiros, acho que você também vai gostar desses. Os assuntos discutidos foram:

  • O lançamento do Kindle: evolução ao ameaça
  • A Web como plataforma: escalabilidade, vulnerabilidade e integração online/offline
  • Microsoft: na mira da UE pelo Silverlight
  • Adoção (ou não) do Windows Vista e conseqüências

E vários outros assuntos. Dê um conferida: é quase uma hora de pura conversa.

Idiomas a serem evitados em Ruby

November 23rd, 2007 § 0 comments § permalink

Parece que virou temporada de código perigoso em Ruby: primeiro, String#to_proc e agora uma forma de list comprehensions. Ambas usam execução de strings como código que é, para dizer o mínimo, sujeita a toda uma série de problemas escondidos.

Em outras palavras, não use. O conselho no primeiro texto é usar sem exagerar (e ainda avisa que pessoas vão reclamar sobre performance, como se isso fosse o que importasse). Execução de strings como código não é algo ilegal em Ruby, é claro–o próprio Rails usa muito e de uma forma bem interessante–mas isso não é algo que deveria se tornar comum em código externo. Em bibliotecas, há sempre uma justificativa possível de encapsulamento mas isso não é válido para código fora das mesmas.

Além dos potenciais problemas de depuração, bugs sem informação precisa de onde aconteceram, problemas potenciais em testes, o código simplesmente não bate com a elegância que sempre foi associada ao Ruby.

Então, repetindo, não use esse tipo de código–em especial, não o torne parte de suas ferramentas diárias.

Ilustrações de Ted Nasmith

November 21st, 2007 § 0 comments § permalink

Ted Nasmith é um dos meus artistas favoritos. Meu primeiro contato com ele foi através de suas ilustrações baseadas nas obras de J. R. R. Tolkien. Nasmith é um dos mais conhecidos ilustradores da obra do Professor e seus desenhos já apareceram em centenas de publicações.

Alguns dias atrás descobri que ele também está fazendo ilustrações baseadas nas obras de George R. R. Martin que serão publicadas em uma concordância futura sobre a série A Song of Ice and Fire.

Para quem é fã, vale uma extensa conferida nos belíssimos desenhos. Aliás, como Nasmith foi um dos artistas consultados para as versões cinematográficas das obras de Tolkien, as semelhanças de certos desenhos com cenas do filme não é coincidência.

As bruxas estão à solta

November 20th, 2007 § 4 comments § permalink

Parece que as bruxas estão realmente à solta: o Ubuntu está fazendo updates de vários megabytes todos os dias; o Windows Update apresenta pelo menos uns cinco pacotes pequenos a cada vez que o computador é reiniciado; até o Mac, sacrossanto dos updates sem dor anda dando tela azul e morrendo ao acaso.

Meu Mac, que eu só atualizo alguns dias depois da liberação dos pacotes oficiais, se recusou a iniciar um dia desses. Ao invés de mostrar a maçã familiar, mostrou um sinal de pare. Depois de várias tentativas, voltou. Vai entender.

BlogCamp MG, resumo final

November 18th, 2007 § 6 comments § permalink

O segundo dia do BlogCamp BH, embora mais apressado e menos movimento, me deixou mais satisfeito. A quantidade de discussões foi menor, mas a qualidade certamente aumentou. Da mesma forma, deu para ver que o pessoal está ficando cansado de falar em monetização, principalmente aqueles não tão interessados em transformar o seu blog em uma ferramenta para ganhar dinheiro. O assunto ainda apareceu mas de forma bem mais moderada, não a insana sede por clicks apresentada por alguns blogueiros ontem.

Depois de algumas experiências com os “camps”, eu acho que há uma falta de balanço irônica nesses eventos. Enquanto há uma discussão imensa sobre os aspectos sociais, não há nenhuma discussão sobre aspectos tecnológicos. É claro que, e isso pelo menos na minha opinião, estes últimos servem os primeiros. Mas há uma espaço enorme para motivar mudanças em ferramentas e esse espaço não está sendo explorado. Provavelmente porque o evento é de um tipo que não atrai tanto as pessoas que poderiam eventualmente se interessar por assuntos assim.

A repetição de assuntos está ficando bem clara também. Há uma percepção de que o que se está fazendo é novo, inovador e, embora realmente haja muito disso acontecendo, não está no que se é discutido. O que se é realmente discutido me passar mais a impressão de choque futuro, uma tentativa de lidar com um passo crescente de mudanças em um universo relativamente estático de informações.

Apesar disso, o dia foi bom. Começando com a discussão sobre responsabilidade legal e passando pelas rodinhas mais individualizadas, os assuntos fluíram bem. Só tenho pena de não ter podido ficar para as discussões pós, nos bares. :-)

BlogCamp MG X

November 18th, 2007 § 1 comment § permalink

Todo mundo comeu tanto que pouca gente foi almoçar–a comida está farta mesmo–e o papo continuou em off. Começou com monetização e depois foi evoluindo para experiências do dia-a-dia.

É nesses momentos que o manifesto Cluetrain mostra a sua validade mesmo para os ditos grandes blogs: as pessoas se reconhecem como tal pelo som de duas vozes.

O interessante é que não importa o tamanho do blog, os mundinhos restritos de cada um são muito similares e acaba que cada um possui sua própria “blogosfera”. É claro que a A-list brasileira acaba puxando um pouco as estatísticas mas a experiência geral continua valendo.

Atualização: Esse fato de que não existe uma blogosfera mas várias é algo que geralmente passa despercebido do dia-a-dia, mas que é extremamente reforçado nesses eventos. Obviamente, toda comunidade procura se auto-reforçar e raramente percebe que existe uma verdadeira sala chinesa com entre essas múltiplas blogosferas com caminhos completamente diferentes acontecendo.

Where am I?

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